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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Lula leva proposta de mediação

Publicação: 17 de Maro de 2010 às 00:00
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Belém (Cisjordânia) (AE) - A decisão de Israel de construir mais 1.600 residências no território palestino de Jerusalém Oriental não chegou a minar a confiança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na retomada do processo de paz. A avaliação foi exposta ontem pelo chanceler Celso Amorim, em Belém, depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Abbas, da ANP.

Ricardo StuckertEm Israel, Lula visita Museu do Holocausto. No Bosque de Jerusalém ele plantou uma oliveira que recebeu seu nomeEm Israel, Lula visita Museu do Holocausto. No Bosque de Jerusalém ele plantou uma oliveira que recebeu seu nome
As conversas de terça-feira, entretanto, não foram conclusivas. Ficou para hoje, em Ramalah, a discussão entre Lula e Abbas sobre as divisões entre facções palestinas e a necessidade de unidade. O tema é caro ao presidente brasileiro, que manifestou insistentemente nos últimos meses seu interesse em mediar um diálogo entre a ANP e o grupo Hamas.

A avaliação de Amorim foi exposta ao final de um dia de tensões entre israelenses e palestinos na cidade velha de Jerusalém - área que integrava o território árabe até 1967 e que, sob domínio israelense, transformou-se em um dos mais sensíveis tópicos nos processos de paz. A jornada foi complicada ainda pela confirmação, pela Casa Branca, do cancelamento da visita do enviado especial para o Oriente Médio, George Mitchel, a Israel, na próxima sexta-feira. A decisão acentuou a crise entre Israel e EUA, na qual o Brasil não pretende se envolver.

"Em briga de jacu, nhambu não entra. Não vou me meter nas discussões entre Hillary Clinton (secretária de Estado dos EUA) e Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel)", afirmou Amorim.

Questionado sobre o estado geral das negociações, Amorim afirmou que o anúncio das 1.600 novas residências israelenses em Jerusalém Oriental afetou negativamente as negociações e gerou a crise de Israel com os EUA. Mas não se traduziu em "desespero" por nenhum dos lados. "Isso foi elemento de choque pra todo mundo. Mas não houve sensação de desespero e de abandono", afirmou o chanceler. "É preciso um fato novo e respeitável pelos dois lados para que esse choque seja superado e as negociações possam prosseguir."

De acordo com Amorim, tanto Abbas quanto Netanyahu e o presidente de Israel, Shimon Peres, mostraram-se empenhados na retomada das negociações de paz, com "graus variados de otimismo" com relação aos resultados. A declaração de Netanyahu, diante de Lula, de que manterá os planos para os assentamentos foi considerada pelo chanceler brasileiro como "um lema ou um slogan", mas não como uma novidade.

Para o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, esse é um dos pontos de divergência que "existia antes, persiste e terá de ser trabalhado". Entretanto, o pronunciamento no Parlamento israelense, na segunda-feira, provocou mal-estar na delegação brasileira e a nova reação de Washington.

Presidente defende que muro seja derrubado

Em discurso a cerca de 120 empresários brasileiros e palestinos, Lula afirmou que o Brasil "nunca esteve tão interessado em uma solução do conflito entre israelenses e palestinos como agora" e defendeu a necessidade de "tirar todas as pedras" para a negociação se desenrolar. Também reiterou que vai ajudar na busca de "novos mediadores" - como o próprio Brasil - e de estimular uma conversa que abarque "todos os envolvidos" - como o Irã e Síria.

Ao lado do primeiro-ministro, Salam Fayyad, Lula levantou a bandeira da derrubada do muro construído por Israel nas suas fronteiras com o território da Cisjordânia. "A derrubada do muro será apenas o primeiro passo para reverter a asfixia da Palestina", defendeu o presidente, para acrescentar em seguida que essa muralha desarticula a produção interna, afasta o investimento e impede o desenvolvimento sustentável da Cisjordânia e de Gaza.

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