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Internacional

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Manuel Zelaya denuncia uso de gás tóxico

Publicação: 26 de Setembro de 2009 às 00:00
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Tegucigalpa (AE) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, acusou as forças militares e policiais de terem atacado a embaixada brasileira em Tegucigalpa com gases tóxicos na manhã de ontem. Qualificada como "totalmente falsa" pelo governo de facto de Honduras, a acusação trouxe um novo impasse entre os dois lados poucas horas depois de terem concordado com a abertura de diálogo para a solução da crise hondurenha.

A denúncia se deu pouco depois de o chanceler Celso Amorim ter acusado o governo de facto de manter a embaixada brasileira em estado de sítio e de descumprir a Convenção de Viena, durante a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocada a pedido do Brasil para discutir o caso de Honduras.

Em entrevista realizada por jornalistas que estão também isolados na embaixada brasileira, Zelaya afirmou que sentiu náuseas, irritação nos olhos, enjôo e dor de garganta, em função dos gases atirados dentro do prédio. Informou que outras pessoas sofreram sangramentos de nariz e na urina, desmaios e dificuldades respiratórias.

"Essa é uma forma grosseira de ataque. Mesmo no quintal, para onde correram, as pessoas se sentiram afetadas. Há 62 pessoas aqui, inclusive funcionários brasileiros", relatou. "Peço à comunidade nacional que se pronuncie e que as Forças Armadas cessem esses ataques. O que esperam com essas ações terroristas, típicas das guerras mais cruéis da história da humanidade?", completou.

Sem informações, naquele momento, Zelaya chegou a dizer que o gás atirado seria césio-132 e agregou que essa substância poderia ser combatida com água e sal. Tratava-se, obviamente, de uma suspeita equivocada, recebida de um assessor.

ONU exige respeito ao Brasil e pede fim das intimidações

Nova York e Tegucigalpa (AE) - O chanceler brasileiro, Celso Amorim, teve um bate-boca com a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, na reunião de ontem do Conselho de Segurança da ONU. O incidente ocorreu logo depois de o chanceler brasileiro discursar na sessão extraordinária do órgão em que foi aprovada por consenso uma declaração pedindo o fim das intimidações do governo de facto hondurenho contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

"Este não é o local adequado para este tipo de representação", disse Rice para Amorim quando os dois já estavam de pé e parte dos embaixadores haviam se retirado para deliberar sobre a questão apresentada pelo Brasil. O chanceler brasileiro respondeu que "não faria uma discussão teórica sobre isso".

Depois de uma conversa inaudível, Amorim acrescentou - "se fosse a Embaixada dos Estados Unidos, você estaria muito irritada". Rice retrucou que "ainda assim não faria comentários". Amorim finalizou dizendo "vá em frente, faça a sua declaração".

Depois da discussão, Rice seguiu com outros embaixadores para uma reunião a portas fechadas dos 15 membros do Conselho de Segurança. Amorim não participou. Usando palavras quase idênticas às do ministro brasileiro em seu discurso de introdução, a embaixadora leu a declaração do conselho condenando "os atos de intimidação contra a Embaixada do Brasil" e pedindo ao "governo de fato de Honduras que encerre as ameaças" contra a missão brasileira.

O México, por meio de seu embaixador na ONU, informou que uma nova reunião poderá ser convocada em caso de invasão à embaixada brasileira.


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