Marcelo Serrado-Crô
Publicação: 18 de Fevereiro de 2012 às 00:00
No alto de seu prestígio e na condição de gay assumido, Aguinaldo Silva acha-se a salvo das críticas da comunidade homossexual e, por ser quem é, não houve protestos contra a visão caricatural e as humilhações sofridas por Crô (Marcelo Serrado), em Fina Estampa.
Por outro lado, a nova criação de Aguinaldo escapa à rotina e destaca-se como uma das atrações de Fina Estampa, secundando com competência humorística a sua venerada e sádica Rainha do Nilo. Crô representa uma vitória para Aguinaldo Silva, pela criação do papel - inclusive em relação aos diálogos - e por ter gerado uma singularidade dentro da manifestação de gays das novelas da Globo.
Mas, não basta o personagem ser bom. É preciso também que o intérprete esteja à altura dele. Uma personagem pode ser excelente, porém, se o papel for entregue ao ator errado ou se este não estiver bem, o que é bom no papel desaparecerá ou se diluirá artisticamente na tela.
Nenhuma das duas coisas ocorre com o Crô de Marcelo Serrado. É perfeita a fusão personagem-intérprete. Embora o papel fosse originalmente destinado a servir apenas de "escada" para Christiane Torloni - que está reinando como a vilã caricatural - Marcelo Serrado cumpre com excepcional competência a sua tarefa. E vai além dela, quando contracena com outros atores, em verdadeiro tour de force, também não se deixa eclipsar pela espaçosa presença - e aqui o termo não tem conotação pejorativa - de Christiane Torloni.
Além dos méritos do papel e do ator, esse sucesso alcançado somente teria sido possível com a interpretação verbal, a corporação e a composição física de Marcelo Serrado. Com a narrativa andando ou parada, Marcelo Serrado segura a cena e prende a atenção do telespectador.
Crítica - J. Edgar
Já se foi a época das cinebiografias romanceadas, nas quais a câmera ressaltava as virtudes e omitia os pecados da vida dos vultos históricos. Somente nos EUA - e ao contrário daqui, onde até biografias literárias (Roberto Carlos) são censuradas -, um filme como "J. Edgar" poderia ser feito e exportado para o mundo.
Trata-se (como já se esperava) de um filme demolidor sobre o homem que durante 48 anos simbolizou a imagem do F.B.I. que, por sua vez, como instituição policial, também perdeu a imagem heroica dos filmes dos 30, 40 e 50. Podia-se criticar as antigas biografias pela parcialidade; hoje, acontece o mesmo, mas com uma única diferença: o foco atual é o que foi - ou teria sido - o lado negativo da vida do biografado.
J. Edgar Hoover estava longe de ser um anjo. De acordo com a visão histórica do seu tempo, assumiu com fanatismo religioso o papel de guardião da América contra a ameaça comunista. Com igual empenho, era um patriota à moda antiga, que combatia o crime organizado (Al Capone) e a ação individualizada das quadrilhas de gangsters, como Dillinger.
É verdade que se manteve no cargo tanto tempo porque sabia demais e, como o poder não é lugar para anjos, documentava os pecados de Washington. O FBI é subordinado ao procurador-geral, cargo correspondente ao nosso ministro da Justiça, e, como mostra o filme, ele era odiado por Robert Kennedy. Este queria demiti-lo, mas o presidente Kennedy sabia por que não podia demiti-lo.
Contudo, o filme, desnecessariamente falseia a conduta de Hoover, mostrando-o desligando o telefone, após comunicar a Bob Kennedy o atentado de Dallas. Talvez por ter virado rotina na ficção e na vida real, a suposta homossexualidade de Hoover assume na tela a dimensão de um romance gay. Um dos lados ocultos da personalidade de Edgar, que nos livros sobre o FBI não é citado, seria a total submissão dele à mãe: ele a venerava, a respeitava, era totalmente submisso.
A sequência de Edgar, tirando o terno e colocando o vestido da mãe, embora não tenha sido aprofundada, tem uma conotação simbólica. A mãe dizia que preferia vê-lo morto - ela não pronuncia a palavra - a saber que ele era homossexual. Ao assumir o seu lado feminino, Edgar, porém, não se livra do complexo culposo. Chorando e apanhando as pérolas do colar quebrado, diz: "Eu preciso ter forças para resistir". A forma de livrar-se da maldição materna seria o relacionamento homossexual platônico, exteriorizado na briga, após o beijo na boca do companheiro: "Nunca mais faça isso".
À margem de todas as críticas que se possa fazer a J. Edgar Hoover, inclusive a de ser um chantagista da informação, é inegável a sua contribuição para transformar o FBI numa polícia moderna e eficiente. Uma de suas maiores vitórias, a partir do caso Lindberg, foi ter obtido do presidente Roosevelt a lei que transformava o sequestro em crime federal - lei dificílima de ser aprovada, porque quebrava a autonomia jurídica estadual. Sem o FBI dos "Intocáveis", teria sido impossível, até por causa da corrupção estadual que, diga-se, não se limitava à polícia, alcançando políticos e o judiciário, combater a indústria do sequestro.
Desde que deixou de fazer westerns, Clint Eastwood tem optado por um cinema "adulto" e realista, com filmes bem feitos e tematicamente contundentes. Sem alcançar o nível das melhores realizações do ator cineasta, "J. Edgar", que é valorizado ao máximo pela interpretação de Leonardo Di Caprio, se diferencia da produção hollywoodiana de efeitos especiais da atualidade.
Amigos do FestNatal - Troféu Imprensa de 2012
Tiveram início sábado, 11 de fevereiro, no Restaurante Chapéu de Palha, as reuniões do Grupo de Amigos do Festival de Cinema de Natal da temporada 2012, sob a coordenação de Álvaro Benevides.
O primeiro homenageado com o recém-criado Troféu Imprensa do FestNatal foi o cronista, jornalista e acadêmico Vicente Serejo, em reconhecimento e agradecimento ao apoio que tem dado a este evento audiovisual potiguar.
Foi exibido um documentário sobre a atuação jornalística do colunista de Cena Urbana, com depoimentos de Luiz Alberto Marinho, Anna Maria Cascudo Barreto, Ernani Rosado, Isaura Rosado, Dorian Gray Caldas, Diva Cunha, Iaperi Araújo, Ney Lopes, Marcos Aurélio de Sá e Diógenes da Cunha Lima.
O documentário, produzido pela Ilha Criativa, teve a coordenação de Rafael Medelima e a seleção e supervisão dos depoimentos foram feitas por Valério Andrade.
A direção do FestNatal agradece aos entrevistados e as colaborações do dentista Álvaro Benevides e do produtor cultural Rafael Medelima. O próximo Troféu Imprensa do FestNatal será outorgado à jornalista Cínthia Lopes, editora do caderno Viver da Tribuna do Norte.
RUMORES
Voltou a circular a notícia que Eike Batista, aquele que já foi dono da carnavalesca Luma, continua querendo ser dono do SBT. Sílvio, matreiro, continua resistindo às ofertas.
QUEDA
Herson Capri, que teve excelente atuação como o frio e corrupto banqueiro em "Passione", está tendo atuação rotineira em "Aquele Beijo". Mais pela culpa do papel do que pelo ator.
EXISTIU
O Diário de Notícias, nome do jornal escolhido por Aguinaldo Silva para revelar o segredo de Tereza Cristina, circulou no Rio de Janeiro até a década de 60.
FUTEBOL
É um super negócio para os donos dos clubes, os jogadores e a Rede Globo. A cota carioca de patrocínio para os jogos de 2012 é de US$ 1,5 milhão. Essa cota se limita, exclusivamente, às transmissões no Rio de Janeiro.
IGUAL
Depois de uma temporada vendo os telejornais cariocas, reafirmo o que tenho dito: o telejornalismo da InterTV Cabugi nada fica a dever às edições locais do RJ. Com uma vantagem: a nossa pauta de opções é mais limitada do que à da matriz da Globo.