Maria Luíza: 7 meses de mistério
Publicação: 21 de Novembro de 2009 às 00:00
Reberta Trindade - Repórter
Há exatos sete meses, a estudante Maria Luíza Fernandes Bezerra, de 15 anos, foi assassinada brutalmente. O corpo da adolescente foi encontrado seis dias após o seu desaparecimento, em um morro no Jardim América, em estado de putrefação e com um galho de árvore introduzido nos órgãos genitais da vítima. De lá pra cá, diligências, investigações, algumas prisões, alvará de soltura, muito sofrimento e a força inigualável de uma mulher que tem pressa. Roselene Fernandes Bezerra, 39, conhecida como Leninha, é a mãe da estudante que garante que os culpados pela morte da filha serão punidos. Foi ela quem começou a investigar o desaparecimento de Maria Luíza, antes da polícia iniciar as diligências. A luta para colocar os criminosos atrás das grades parece estar só no começo, porém, Leninha não desiste e afirma com veemência que quatro homens mataram a garota que sonhava em ser advogada, apesar da mãe desejar ver Maria Luíza formada em medicina.
A família da vítima não é mais a mesma, embora, com muita dificuldade, ainda tente se reerguer diante da difícil tarefa de conviver com a ausência de um ente querido e com a impunidade tão presente neste caso. Hoje não há nenhum suspeito preso.
Os pais e as irmãs de 13 e 20 anos se mudaram da casa onde moravam com a estudante, no bairro do Bom Pastor. Seguiram para o Barro Vermelho e hoje moram em outra localidade em Natal.
O principal motivo da mudança de endereço foram as ameaças que Leninha recebia através do telefone. "Constantemente me ligavam dizendo que iriam me matar. Quando comecei a procurar minha filha descobri também uma boca-de-fumo nas proximidades de onde morávamos e denunciei".
As ameaças de morte começaram após o sepultamento de Maria Luíza. "Descobri que minha filha saía de casa para namorar um rapaz em uma pracinha, em Cidade da Esperança. No caminho, ela passava próximo a casa de Thiago Rodrigues Pereira, o "Cabeção", sócio de uma boca-de-fumo com um homem identificado como "Carteira". Quando Maria passava pela casa dele Thiago dizia que ela ainda seria dele. Em depoimento à polícia, a namorada de Cabeção chegou a afirmar que o casal havia discutido, algumas vezes, por causa de Maria Luiza, mas minha filha nunca se aproximou desse homem".
Leninha lembra que depois do desaparecimento da filha espalhou cartazes com a foto da garota por toda a cidade e chegou até Thiago. "Me disseram que ele gostava dela. Procurei Cabeção, ele disse ter visto Maria caminhando na rua e que ela estava vestida com a camisa do América (time de futebol), com um short até o joelho e com uma sandália verde. Ele foi detalhista e me surpreendeu como falou de Maria Luiza. Ela estava vestida desta forma quando desapareceu".
Roselene continua: "Durante minhas investigações me contaram que Thiago Cabeção era apaixonado por Maria Luíza e que quando estava com os amigos afirmava que minha filha "seria dele".
Leninha ainda mantém intacto o último caderno usado por Maria Luíza, quando cursava o 2º ano do 2º grau, a bíblia rosa e as sapatilhas de balé de cor branca que a adolescente usava nas aulas de dança.
Investigações
A delegada Adriana Shirley Caldas, titular da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente que preside o inquérito policial onde é apurada a morte da estudante explica que o caso de Maria Luíza está em segredo de justiça e que as investigações continuam. "Thiago foi indiciado. Ainda não podemos afirmar quantas pessoas participaram do assassinato e mesmo que pudéssemos não diria para não atrapalhar as investigações que são sigilosas. "Há indícios fortes da participação de Thiago Cabeção", conclui a delegada.