Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 21°Natal - 21°

Natal

Natal, 29 de Julho de 2010 | Atualizado às 22:48

Médicos rejeitam pedido de Wilma e greve começa hoje

Publicação: 09 de Fevereiro de 2010 às 00:00
tamanho do texto A+ A-
O Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) não atendeu o pedido de mais tempo feito ontem pela governadora Wilma de Faria e manteve para hoje o início da greve da categoria para os 26 hospitais do Estado, envolvendo 1/3 de todos os 1.600 profissionais de todas as especialidades.

Elisa ElsieMédicos pedem mudanças no plano de cargos e carreiras e reavaliação da atual tabela de remuneraçãoMédicos pedem mudanças no plano de cargos e carreiras e reavaliação da atual tabela de remuneração
“Devemos sentir a paralisação com mais intensidade agora em Natal e Mossoró”, avaliou ontem o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira. “Mas nunca vi a classe tão mobilizada como este ano”, acrescentou.

Ontem à tarde, o secretário-adjunto da Sesap, João Albérico Fernandes da Rocha, convocou uma entrevista coletiva de imprensa na qual chegou a afirmar que a greve dos médicos estava suspensa provisoriamente.

Logo pela manhã, ele participou de um encontro na casa da governadora Wilma de Faria, com a presença do secretário George Antunes, na qual a ordem expressa era “tranquilizar a população, especialmente nesses dias que antecedem o Carnaval”, afirmou  Rocha.

Segundo ele, ainda da casa da governadora, foi feita uma ligação  para o presidente do Sinmed com o objetivo de ganhar tempo em relação ao início da greve. “Tivemos boa receptividade e o Dr. Geraldo foi compreensivo em relação à necessidade de estudarmos melhor uma contraproposta do Estado”, afirmou o secretário-adjunto.

“Estamos abertos a colaborar com a governadora, mas eu jamais poderia reverter uma decisão tirada em assembleia”, disse ontem Geraldo Ferreira.

Entre outras reivindicações, os médicos querem mudanças no plano de cargos e carreiras, a reavaliação da atual tabela de remuneração médica, além da revisão dos valores sobre produtividade.

“Chegamos a um ponto que há uma verdadeira epidemia de problemas de pele entre os profissionais transmitidos por lençóis nas áreas de repousos médicos nos hospitais do Estado”, acrescentou Geraldo Ferreira.

Ontem à tarde, durante a coletiva de imprensa convocada pela Sesap sem a presença do titular da pasta, o secretário-adjunto fez o que pôde para mostrar a preocupação da governadora com o impacto sobre a população de uma paralisação neste momento.

“Compreendemos que os médicos têm toda a razão sob muitos aspectos, mas não poderíamos oferecer uma contraproposta sem antes realizar um estudo profundo de impacto financeiro sobre as contas do Estado”, declarou Fernandes da Rocha.

Hoje, os secretários estaduais da Saúde, Planejamento e Administração estarão reunidos para dar partida à analise do que será a contraproposta oficial, mas a resposta que os médicos desejam só virá depois do Carnaval, antecipou Fernandes da Rocha.

“O estado não pode mais responder por atribuições dos municípios relacionadas especialmente à baixa e média complexidade”, analisou o secretário-adjunto.

Ontem, o presidente do Sinmed afirmou que a população não precisará se sentir ameaçada pela paralisação dos médicos. “A regra será de dois médicos parados para um em atividade – mas isso poderá ser alterado em caso de emergência”, declarou Geraldo Ferreira. Já com relação às cirurgias eletivas, Ferreira afirmou que todas estão “canceladas a partir de hoje”.

Como em toda a paralisação envolvendo um serviço essencial, a greve dos médicos  está repleta de subjetivismo. Ainda não se sabe exatamente qual será a adesão dos profissionais e em que medida os serviços serão afetados.

Segundo o presidente do Sinmed, assessores da Sesap já estiveram mais de uma vez nos corredores do Hospital Walfredo Gurgel para saber da receptividade dos médicos em relação à greve. “Na minha opinião, será muito grande”, prometeu.

Paralisação prejudica escala dos plantões

A paralisação dos clínicos se mantém sem muitos avanços. Segundo o chefe da clínica Cássio de Castro, com a redução do número de atendimento desde o último dia 15 e o mandado judicial para a retirada das macas dos corredores da unidade, o espaço destinado à clínica médica foi transformado  em enfermaria, que chega abrigar até 14 macas à espera por leito, em área que cabe apenas três.

“A direção está obcecada por corredores livres e sobrecarrega outras áreas, prejudicando o atendimento de urgência que está sendo mantido, com escala reduzida”, revela Cássio de Castro. Segundo ele, além da transferência de pacientes, nenhuma outra reivindicação, como aumento no número de plantonistas e o reajuste salarial, para R$ 5 mil para jornada de 40 horas semanais, foi atendida. “Ingressamos na luta da categoria e a operação tartaruga, com um médico por plantão continua”, observa.

No hospital Santa Catarina, na zona Norte, a greve geral só oficializa uma situação corriqueira. Segundo o chefe da clínica Reinaldo Carlos Lima é comum o plantão funcionar com 30%, ou seja, apenas um dos três médicos previstos na escala. A clínica médica realiza cerca de 10 mil atendimentos por mês, dos quais a maior parte é de casos que deveriam ser atendidos na rede básica. “É um médico para dar conta de cobrir o pronto socorro, as intercorrências na enfermaria e agora a sala de observação. São 20 clínicos no Hospital, quando o mínimo deveria ser 30. O grande sacrifício é ambulatorial,  90% dos casos não são de urgência e entravam, gerando essa superlotação”, afirma.

À porta dos consultórios, pessoas de todas as idades se amontoavam durante a espera. A dona de casa Vitória Régia Florência, 42, que acompanhava o marido que se queixava de gripe e dor no peito, reconhece que o caso deveria ser tratado no posto de saúde, de Pajuçara. “Não tem médico lá há mais de dois meses e a gente corre para cá, precisa do atendimento. Se parar geral muita gente pode ficar em estado grave”, observa.

O  vigilante Paulo César também disse “vir direto” com a esposa Maria da Penha da Silva, 55, que desde a última quinta-feira sofreu um pequeno acidente no ônibus e não encontrava médico na unidade de saúde de Santarém. “é melhor esperar mais do que nem ser atendido. O problema dela está piorando e vim para cá”, disse.

Cooperativa ameaça com paralisação

O pagamento do convênio de cirurgias eletivas para as cooperativas dos médicos, anestesistas e cirurgia pediátrica está atrasado pela Prefeitura de Natal. Segundo o presidente da Cooperativa dos Médicos, que reúne 17 especialidades, uma assembléia irá definir essa semana uma possível paralisação. O convênio é pago com recursos da Prefeitura, do Estado e do SUS. Os cooperados recebem 100% a mais em cima da tabela do SUS, como complemento. O Estado é responsável por 60% desse complemento, enquanto o Município é responsável por 40%, justamente o percentual que está em atraso. No caso da Coopmed, a parcela da Prefeitura não é paga desde setembro. “São quatro meses de atraso e já caminhamos para o quinto”, diz o presidente da Coopmed, Fernando Pinto. Não há previsão para o pagamento, segundo a Coopmed.
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

raoninunes@...09/2/2010 @ 00h48
Aquela movimentação com uso de equipamento sonoro no Clóvis Sarinho foi descabida. Não sabem os senhores médicos que é proibido fazer todo aquele barulho em frente a um hospital? Seria barulho demais para uma praia em pleno veraneio, então o que dizer do maior Pronto Socorro do estado? Educação que não se aprende em casa, não tem faculdade de medicina que dê jeito...
weslyanny@...09/2/2010 @ 00h28
isso é uma vergonha,a governadora ao invez de apelar aos medicos para nao haver greve deveria pegar o dinheiro que ela gasta em eventos disnecessarios como os chows que ela patrocina nas praias principalmente fim de ano e epocas de veraneio e carnaval,e eu tenho certeza que a saude ea educaçao agradeceriam com certeza,afinal de contas se colocarmos a governadora wilma e a senhora micarla de souza para falar de saude e educação elas falariam muito bem sobre grandes projetos e soluções pore só seria teoria pois na pratica elas nao fizeram nada que preste pois natal esta entrege as moscas...
cosmos.jr@...09/2/2010 @ 07h15
"Médicos exigem respeito a saúde pública", é a faixa da foto na matéria. Quanta hipocrisia!! É verdade que a maioria dos médicos tem compromisso com a saúde pública, mas a turminha da "linha de frente", vamos falar sério, né? Vamos ver quantos se dedicam realmente ao SUS e quantos usam o SUS como bico, e se dedicam quase que totalmente às clínicas e hospitais privados. Vamos ver! E não venham com discurso esfarrapado de salário porque o que recebem dos hospitais privados conveniados também é dinheiro do SUS. Já passou da hora do Governo e da população darem um basta ao mercantilismo que tomou conta de algumas categorias profissionais. A ambição é cada vez mais desmensurada, não tem limites. O governo deve imediatamente publicar qual a REMUNERAÇÃO média dos médicos e quanto eles trabalham. Quantos plantões são obrigados a trabalhar e quantos efetivamente trabalham. Aí teremos condições de avaliar melhor a justeza das reivindicações e dos discursos. Queremos saber quanto estamos pagando não só como salário base, mas a remuneração total com todas as gratificações. Acho que a frase mais correta sem dúvidas, é "A POPULAÇÃO exige respeito a saúde pública".
nando721@...09/2/2010 @ 09h23
Esta Governadora não tem um pingo de sensibilidade com as pessoas, pobres sempre,,os medicos é uma classe que devia ser mas respeitado pelo poder publico fica fazendo questão de da um aumento justo para com a classe não sou medico sou cidadão ,, mas a população é que sente na pele ,,, as consequensias de uma greve... o Rico não se Preocupa ,, tem medicos particular ,,, todo tempo e o pobre que não tem onde cair morto é que sofre essa classe de medicos deveriam ter o aumento que eles esperam ,, porque quando uma vida humana esta na maca ,, não são os politicos que esta lá e sim os medicos, para salvar aquela vida ,,,, e fica esta briga sem resposabilidade é o municipio e o Estado cada um pague o que deve aos medicos que eles tem o direito que trabalharam.... isso é conversa fiada que o municipio não tem dinheiro,,,, tem e muito ...... o Governo do Estado tem sim condições de dar o aumento que os medicos querem ... o governo federal repassa dinheiro para Saúde todos os meses e muito ....... meus amigos medicos - se eu fosse - um governo Jamas vc fariam greve ... daria no tempo certo o aumento justo .... de 100% 200% quanto a classe revedicase..... estaria do Mês nos seu contra cheques..... com certeza.... ja trabalhei na area de Saúde .... agente de edemias ..tenha um bom dia...
ione47@...09/2/2010 @ 09h00
os médicos deste país, são a vergonha desta nação.O pior é que a justiça que nada enxerga, nada faz. tudo o que se ver após os sindicatos criados, é uma classe de mercenários que só pensam em dinheiro e nada mas...porque atender bem! eles não atendem. tudo na saúde é para eles...todos os médicos tem mais direiitos que qualquer outro servidor. eles pintam e bordam e nada acontece porque todos os servidores vivem na sombra deles...Não tem médicos na rede pública suficiente para nada ...não é que eles ganhem mal, o problema é que eles querem criar as cooperativas para atender ...
lalima2@...09/2/2010 @ 08h20
Os Médicos com razão: 1600 x R$ 10.000,00 só dará R$ 16.000.000, duvido faltar Médico em tempo integral! AnaliseM: Há coisas dificílimas de aceitar! Essas estórias de Limite Prudencial da Responsabilidade Fiscal e de Impacto de Folha são impossíveis aceitar pelas agressões feitas aos fatos. Nas Tab. 1.4 dos Boletins Estatístico/SEARH/RN, novembro e dezembro/2009, vejo que a folha de pagamento do primeiro órgão da relação da referida tabela passou de R$ 9.370.000,00 nov/09 para R$ 12.530.000,00 dez/09. Qual foi o impacto??? Que é isso, gente!!!
edisonduartelira@...09/2/2010 @ 08h14
É uma lastima essa nossa saude , os gestores fazem vista grossa p os problemas graves da saude , deixando a populacao em panico, abandonados, desnorteados, a espera de um santo milagroso a fim de aliviar seus sofrimentos. E os politicos usam os menos esclarecidos como massa de manobra satisfazendo seus interesses politicos-pessoais, a cada ano eleitoral. Rasgam a constituicao Federal todos os dias no tocante ás suas responsabilidades e obrigacoes no cumprimento das leis constitucionais. É uma verdadeira aberracao social esses nossos gestores da saude.
misternet1@...09/2/2010 @ 12h58
Os caras acabaram com a Unimed de Caicó - está hoje nas páginas da Tribuna - estão quase acabando com a de Mossoró e se deixarem, acabam com o SUS.
paula.d.o@...09/2/2010 @ 11h51
Apesar de não concordar com GREVES, as atitudes desses profissionais são mais que perfeita para esse governo inerte e estúpido abra os olhos e tente enxergar o óbvio, que NATAL está doente faz tempo, e não é só a saúde que está deplorável, isso inclui a EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, INFRA ESTRUTURA, ILUMINAÇÃO e por aí vai. Eu me questiono onde vão parar os altíssimos impostos que somos praticamente intimados a pagar "e em DIA" para que a nossa cidade não PARE". Olha que a situação dos natalences é a seguinte, "somos todos uns palhaços no grade palco do GOVERNO onde o grande espetáculo é patrocinado com recursos do povo, ou seja, você, eu e "todos nós que pagamos a homens que pensa que ser humilhado não dói" (Parte da música do GRANDE CRÍTICO - Gabriel O Pensador) . Até quando iremos ser reféns desse GOVERNO CORRUPTO? Nós não podemos nos CALAR... TEMOS DIREITOS, ENTÃO LUTEMOS POR ELES. Paula Oliveira
icicleide_pb@...09/2/2010 @ 11h17
Isso é uma treva...pra nao dizer uma vergonha!!! será que os nossos politicos precisam desses medicos??????
amsilva@...09/2/2010 @ 14h34
Se os que acham que ser médico é ser mercenário faça o seguinte: estude para passar num vestibular de medicina, passe 6 anos na faculdade e mais 3 a 5 anos numa residência médica e neste período sem poder fazer nada, somente estudar. Depois faça um concurso público e vá trabalhar no HWG resolvendo tudo o que não se resolve no RN todo e no final do mês receba R$ 3.000,00 com todas as gratificações por 40 horas de serviço.
arnaud_araujo@...09/2/2010 @ 10h38
Não podemos contar com a sensibilidade da governadora e nem do secretário uma vez que estes não precisam da saúde pública. Agora pra quem se encontra a espera de atendimento, um dia é muita coisa. Mesmo assim, "só poderemos dar uma posição após o carnaval." Vidas perdidas não voltam mais. Uma frase simples, mas que nem todos refletem sobre o verdadeiro significado.
cromatus@...10/2/2010 @ 18h27
As reinvindicações dos médicos são válidas...mas...covenhamos.......alguém já viu um médico andando de carro popular?.....morando em bairro de classe média?....pelo contrário....só carros de alto luxo...e casas de padrão altissimo....e ganham muito bem por sinal na iniciativa privada...como nosso amigo disse....não acho que os médicos tenham interesse de ficar no SUS....querem só garantir um bico no estado e continuar se dedicando aos hospitais privados.....façam um teste....chamem os médicos pagando um bom salário para se dedicar exclusivamente ao estado.....imaginem quantos aceitarão.........nenhum;;;;
gilson.fs@...10/2/2010 @ 19h06
Sou médico, nasci em Natal, mas exerço minha profissão em Fortaleza/CE. Reconheço os transtornos causados à população, mas se os colegas chegaram a esse ponto, é porque a situação está insuportável. Na próxima geração estudarei para ser Juiz de Direito (vestibular mais fácil, faculdade mais curta e em apenas um expediente e um concurso para o magistrado que não assusta - para quem fez vestibular para medicina em Universidade Federal). Além do mais irei trabalhar alguns dias da semana (principalmente se for no interior do Estado, cheio de mordomia - sala com ar-condicionado, cafezinho, vários auxiliares e um senhor $$$$$alário). Agora façam a comparação: visitem uma Emergência clínica ou Pediátrica às 17 ou 18h, vejam a carga horária do médico, o nível de stress num plantão e o seu contra-cheque.... Só para refletir...
torsaides@...11/2/2010 @ 10h34
Descabida é a situação que se constata quando se termina de ler tal notícia. Senhores, o caso é de total DESCASO dos nossos gestores. Povinho mentiroso e ladrão (roubam mesmo, descaradamente) esse!!! Quero só vê com que cara essas raposas vão aparecer para pedir votos. Perceberam que os medalhões políticos só vão concorrer a vagas para senado??? Sabe que é isso??? Estão tirando o braço da seringa... Dando um tempo para que a população esqueça essa situação. E o pior, o povo esquece mesmo!!! Em 2014 serão eleitos novamente para governador e por aí vai. Falta vergonha na cara dos governantes. Falta vontade de trabalhar para o povo. Afinal de contas foram eleitos para isso! Tá achando difícil?! Pede pinico! Com certeza tem gente com boas idéias querendo trabalhar.
tfirmorocha@...12/2/2010 @ 14h05
Péssima Governadora!! E esse Iberê não é boa bisca tb não. Jamais vou dar meu voto a essa governadora. Nossa saúde pública ganhou destaque negativo no jornal nacional, várias vezes ano passado. A população apoia a classe médica e entende o descaso desse governo.
Publicidade
Publicidade
Tribuna do Norte