Hoje é a vez dos Hospitais Giselda Trigueiro, Santa Catarina e Deoclécio Marques (Parnamirim) terem o atendimento médico de urgência e emergência suspenso por 12 horas, iniciando às 7 horas da manhã. Além disso, os ônibus de coleta de sangue do Hemonorte e sua unidade da zona Norte paralisam as atividades por tempo indeterminado.
Joana Lima
Mobilização dos profissionais médicos atingiu ontem o Hemonorte, que ficou sem o serviço de triagem médica para a coleta de sangue
A mobilização é uma tentativa de os médicos do Estado, em greve desde o dia 09 de fevereiro, pressionarem o Governo a atender suas reivindicações salariais. “São três hospitais de grande porte, com volume médio de mil atendimentos por dia. Porém, a população precisa saber que não há riscos, temos outros de retaguarda”, disse o presidente do Sinmed/RN, Geraldo Ferreira.
Ontem foi a vez do Hospital João Machado, Centro de Reabilitação Infantil (CRI) e Hemonorte pararem as atividades durante 12 horas. Segundo Alexandre Pelágio, clínico geral do Hemonorte, desde o início da greve os serviços ambulatoriais de doadores e hematologia do Hemonorte já estavam suspensos. A diferença é que na parada de ontem, ficou sem funcionar temporariamente o serviço de triagem médica para coleta de sangue.
“Por dia recebemos cerca de 20 pessoas interessadas em doar sangue”. Alexandre destacou que em nenhum momento de greve a distribuição do sangue para as unidades de saúde foi afetada, e que a coleta de doadores afereses, considerados especiais, continua. “O tempo que paramos não afetou o estoque, mas caso se prolongue pode haver queda”, disse.
“Os afereses doam plaquetas, que vão para pacientes com câncer e que não podem esperar. As plaquetas só podem ficar cinco dias armazenadas”, explicou. No final da manhã, um grupo de médicos percorreu as unidades, e em cada uma realizou manifestações ao microfone falando sobre as reivindicações.
João MachadoNo Hospital João Machado, os casos psiquiátricos mais graves, recebidos pelo Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou Polícia Militar, foram orientados a ser encaminhados para o Walfredo Gurgel. “Lá não tem psiquiatra, mas por enquanto vão para lá”, admitiu uma funcionária do João Machado.
A faxineira Luzinete Silva, que mora em Macaíba, esteve ontem de manhã na unidade em busca de um atestado e ficou revoltada porque não foi atendida pelo único psiquiatra no serviço. “É a terceira vez essa semana que venho. Estou sem poder trabalhar e se não conseguir o atestado para a perícia do INSS, não consigo o auxílio-doença”, reclamou.
“Já tentei me matar duas vezes, tenho depressão, diabetes e o remédio que me receitaram custa R$ 90. Como posso comprar se vivo agora de ajuda? Tem dia que não tenho nem R$1 para comprar goma, que custa R$ 2”. Ela foi uma das poucas pacientes no local, poque provavelmente em função da divulgação da paralisação pela mídia, as unidades estavam praticamente vazias.
Sinmed informa que adesão à greve é completaHoje o Estado conta com 1,6 mil médicos e a adesão da categoria é completa, segundo o Sinmed/RN. A intensificação do movimento começou quarta-feira passada (23) no Hospital Walfredo Gurgel, o maior do Estado, referência em traumas e queimaduras de alta complexidade, quando os médicos suspenderam o atendimento por duas horas.
O Sindicato dos Médicos do Estado aguarda o resultado da nova proposta que a Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap-RN) enviou para ser analisada pelos secretários de Estado do Planejamento e Administração. O documento foi enviado quarta-feira. Será analisado o impacto da proposta no orçamento, observando o limite prudencial.
“Caso recebamos até esta sexta-feira (hoje), uma assembleia deve ser realizada para decidir se aceitamos ou não” disse Geraldo Ferreira, presidente do Sindicato dos Médicos. O intuito é forçar o governo a negociar. “Se continuar a greve sem impacto à população não teríamos saída, ia perdurar indefinidamente. Não é verdade que estamos colocando a saúde da população em risco, estabelecemos retaguarda para os locais que param”, disse.