Memória da educação em rede
Publicação: 04 de Setembro de 2010 às 00:00
O Memorial da Educação, projeto da Fundação Hélio Galvão em parceria com a Secretaria Estadual de Educação do RN, coloca em prática o tema "Museus e Redes Sociais", que será discutido durante a IV Primavera dos Museus, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O evento acontece no período de 20 a 26 de setembro em todo o país.
De acordo com a assessoria de imprensa da Primavera dos Museus, o evento é de caráter mobilizador. Assim como nas edições anteriores, o Ibram propõe o tema, os museus planejam as atividades e se inscrevem no evento, que será divulgado pelo Instituto. As inscrições este ano, encerram no dia 12 de setembro e a divulgação da programação está prevista para dois depois.
Para o Ibram, tão desafiante quanto o universo museal é o pensar e o agir em rede. No contexto social contemporâneo, espaço e tempo de profundas transformações, organizações como as redes sociais são consideradas alternativas para a proposição de novas formas de relacionamento.
Em rede, ideias são multiplicadas e vínculos estabelecidos. As pessoas e instituições ampliam seus contatos, trocam experiências e podem atingir objetivos diversos, possibilitando a implantação de ações variadas. Dessa forma, seus participantes são convidados a aprender algo novo, pois redes sociais convidam à transformação, mudanças.
Partindo deste mesmo ponto, o da valorização da troca de informações e experiências em rede, é que o Memorial da Educação foi concebido. Ele pretende formar uma rede de museus, espalhados inicialmente em 16 escolas da capital e do interior do Estado.
Segundo o produtor cultural e idealizador do projeto, Dácio Galvão, o Memorial é um projeto arrojado, que conta com a presença de profissionais qualificados como o museólogo Hélio Oliveira e os professores Willington Germano e Marta Araújo. "O estado vai ganhar com o memorial. Trata-se de um projeto pioneiro no país", disse Dácio.
Cada escola constituirá um núcleo do museu virtual, instalado em estrutura física adaptada para recebê-lo. A sala que abriga o núcleo do museu terá totens midiatizados, para facilitar a pesquisa, além de testemunhos materiais, que serão coletados nas próprias escolas.
Os museus dos diversos núcleos estarão ligados em rede, de maneira que o arquivo de um núcleo possa ser pesquisado por alunos e professores de outras escolas. Outra forma de facilitar as consultas o cuidado com a linguagem, que não é nem rebuscada nem vulgar.
Dácio Galvão faz questão de destacar que o conteúdo coletado não será violado. No projeto, está previsto o inventário e o tombamento dos núcleos do Museu Virtual da Educação, garantindo o seu registro de existência independente das mudanças de governo. "O ato de criação de uma proposta como essa deveria eternizar o projeto, que poderia ser ampliado independentemente de questões partidárias. Afinal é preciso favorecer a preservação da memória do Estado, porque a gente sabe que um povo desmemoriado não vive", declarou o produtor cultural.
De acordo com Hélio de Oliveira, museólogo responsável pela recuperação de todo o material, que está sendo transformado em conteúdo dos totens midiatizados, o projeto é importante porque ajuda a cidade a refletir sobre uma instituição que vem interferindo diretamente na constituição histórica das sociedades nas últimas décadas, a escola. "Durante a república, a Igreja era a instituição de referência para o desenvolvimento das cidades. Depois deste período, a Escola ocupou este lugar, de modo que ela vem interferindo historicamente, politicamente e geograficamente nos espaços em que estão localizadas", disse o museólogo.
Os totens, que na verdade são estruturas que abrigam os computadores para pesquisa, terão dois tipos de conteúdos. Um abrangente, que reunirá informações sobre a Educação no Brasil com desdobramento para Educação no Estado. Este conteúdo será comum a todos os núcleos. E outro conteúdo mais específico, com informações acerca da história da escola que abriga o núcleo.
Durante o levantamento dos dados documentados nas escolas, sejam eles atas de reuniões, livro de pontos ou outros materiais; foram recuperadas ou reveladas informações preciosas, quem vão construir um panorama particular sobre a localidade em que cada núcleo está inserido.
Segundo Hélio Oliveira, o projeto prevê que haja uma continuidade nas pesquisas, que deverão ser continuamente realimentadas. Ele explica que cada totem tem dois bancos de dados; um sobre a bibliografia do Rio Grande do Norte e o outro sobre os professores da rede pública de ensino. Segundo Hélio, "a pesquisa fica concluída, mas com uma janela aberta para receber novas informações".
Para ambientar o lugar, a arquiteta Jihrane Calafange, foi contratada pela coordenação do projeto: "Criamos o projeto de um ambiente bem iluminado, com mobiliário atraente, e tecnologia avançada, além de um espaço cênico que contextualize o museu virtual, como por exemplo, uma exposição fotográfica", disse ela.
Inauguração
O núcleo do Colégio Atheneu era para ter sido inaugurado em maio, mas a mudança de secretários implicou em ampliação do prazo. Em seguida foi prevista a inauguração do núcleo do Centro Educacional José Augusto (Caicó), durante a festa de Santana, mas a entrega da obra não aconteceu.
De acordo com Dácio Galvão, os conteúdos dos totens estão sendo liberados e enviados para a Secretaria de Educação, de acordo com o previsto. Segundo ele, a demora está na burocracia empreendida no processo de adaptação e construção dos meios físicos.
Segundo a subsecretária de educação, Cátia Lopes, o adiamento da inauguração é justificada pelos várias ações paralelas, que ainda estão em curso. Segundo Cátia, para receber os totens multimídias, estão sendo necessárias reformas nas escolas. "Os recursos financeiros estão garantidos, independentemente de novas administrações. Pode até ser que o projeto não seja entregue por completo ainda este ano, mas há reserva para isso", disse a subsecretária.