Experimentando o mundo hoje, depois de ter lançado dois excelentes discos, Vida, de 2006 e Mundo Melhor de 2008, a cantora natalense Lígia França, que há 15 anos mora na Itália, vive seu melhor momento na música e escancara essa liberdade em verso: "Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim. Meu mundo é hoje não existe amanhã pra mim", letra da música "Meu Mundo é Hoje", de Wilson Batista, faixa que também dá título ao novo CD da cantora natalense, que será lançado na Itália ainda este mês. "Entramos em estúdio em outubro de 2009. O CD foi todo gravado aqui na Itália. A mixagem foi feita pelo Dudu Taufic, que com a sua musicalidade deixou sua importante marca", contou Lígia França, da Itália para o VIVER.
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Meu Mundo é Hoje
A potiguar Lígia França, que lança na Itália o disco "Meu Mundo é Hoje", com participações dos músicos Roberto Taufic, violão; Aruan Ortiz , piano; Edu Hebling, contra baixo; Roberto Rossi , bateria e Armando Marçal, percussão; é resultado de uma pesquisa realizada pela cantora, que faz um reconhecimento das músicas brasileiras, tocadas entre os anos de 1930 e 1980. Dentre as treze músicas cuidadosamente escolhidas, figuram nomes como Ary Barroso, Wilson das Neves e Dorival Caymmi. Além das músicas nacionais, foram incluídas as faixas Inolvidable, musica de Santiago di Cuba e Guarda Che Luna, um dos grandes clássicos da música pop italiana.
Considerado por críticos na Itália, o melhor disco de Lígia França, Meu Mundo é Hoje tem arranjos de Roberto Taufic, executados pelos músicos do Brasil, Itália e Cuba. "O Swing é natural, elegante. Sua voz é preciosa. Cada etapa é uma surpresa, graças aos amigos de grande classe que, juntamente com Lígia, viajam neste mundo que hoje, felizmente, é também um pouco nosso", declarou na Itália, Luciano Bertrand, conhecido agente de música daquele país.
O ritmo do disco é comovente no sentido de fazer o ouvinte percorrer sentimentos crus e sublimes, alegres ou tristes. Algo que pode ser percebido logo nas primeiras faixas, quando há uma transição entre a alegria de O samba é meu Dom, de Wilson das Neves, para a introspectiva Nem Eu, de Dorival Caymmi. Indo além, é possível dizer que a interpretação magistral de Lígia, somada ao repertório escolhido, reporta a era do ouro do rádio, vivida no Brasil em meados do século passado.
Meu Mundo é Hoje parece revelar o momento atual de Lígia França, que depois de ter vencido momentos difíceis, na vida e na música, agora consegue com tranquilidade e segurança viver e divulgar a música brasileira de qualidade. "A musica é uma das coisas que me mantém viva, que esteve junto a mim nos momentos difíceis, transformando-os em momentos especiais", diz Lígia, que também agradece por ter um instrumento que seja capaz de tocar os corações, de modo doce e sereno.
O CD de Lígia França vai ser inicialmente lançado na Itália. No Brasil, a cantora está em fase de negociação com uma distribuidora de CDs. As faixas do seu novo trabalho estão disponíveis no www.myspace.com/ligiafranca .
Um pouco de LígiaLígia França nasceu em Natal. A cantora foi criada pelos tios Juvenal e Neuza, que os considerava como sendo seus verdadeiros pais. Mas foi a convivência com seus pais biológicos: Lucila e Luciano Alves França, que a cantora deu início ao contato com a música, já que o pai cantava profissio-nalmente nos recantos da cidade. "Minha mãe cantava por paixão, meu pai por paixão e profissão. Aquela era a época das serestas no Café Nice, no bairro do Alecrim" conta Lígia.
Desde pequena a cantora seguia os tios por locais onde era possível escutar e cantar músicas de grandes nomes e vários estilos, o que se configurou como uma influência musical para Lígia, mas a identidade musical da cantora começou a ser delineada quando completou 12 anos. "Aos 12 anos entrei para o Grupo Regional Pó da Terra, que tinha como líder meu caro amigo Bob", relembra Lígia. "O grupo era formado por cinco vocalistas: eu, a menor do grupo, Suely, Paulinha, Fátima e Mazinha", completou Lígia. Além dos vocais, as músicas eram acompanhadas por instrumentos acústicos.
O Pó da Terra tocava composições próprias, tendo participado de festivais importantes na cidade, mas o grupo não resistiu por muito tempo. "Participamos do primeiro Festival do industriário, no Teatro Alberto Maranhão. Belíssimo tempo aquele, mas tive um percurso musical muito interrompido, por pro-blemas familiares ou de saúde", la-mentou Lígia.
Mesmo com os percalços, Lígia França iniciou seus estudos em canto, na Universidade de musica em Natal, mas, mais uma vez não foi possível concluir. A cantora apresentou novamente problemas de saúde e precisou abandonar seus estudos. "Teve um período em minha vida, que foi muito interrompido por estes problemas. Mas agora, aqui na Itália, estou tendo a chance de continuar estudando", comemorou a cantora.
Na Itália Lígia foi convidada para a inauguração de um espaço Brasileiro em Milão. O guitarrista Marcelo Augusto acompanhou a cantora. Eles, na época, faziam parte da banda Mecanismo. "Eu tinha em mente trabalhar por aqui, levei um pouco de tempo para descobrir onde e de que modo eu poderia trazer o me-lhor da nossa cultura para a Itália, que só conhecia o comercial e standard, mas com muita paciência e determinação segui em frente e hoje estou aqui", declarou Lígia França, que sente muita saudade do Brasil, mas ainda não sabe dizer se um dia volta a morar no país.