Micarla classifica mudança na equipe como recomeço
Publicação: 07 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Maria da Guia Dantas - repórter
Três anos após ser empossada prefeita de Natal e a menos de um ano de finalizado o atual mandato, Micarla de Sousa (PV) tenta imprimir uma espécie de "recomeço" à gestão municipal. Ontem, em entrevista durante a visita às obras da Arenas das Dunas, ela afirmou que este é "um novo momento, com excepcionais expectativas", otimismo esse, segundo ela, oriundo da parceria administrativa com o Governo Dilma. "Com essa nova equipe e com o apoio da União - o que não tive antes - poderei fazer o que não consegui até agora em termos de infraestrutura", disse ela.
O comentário faz uma clara menção aos novos ocupantes dos cargos de primeiro escalão, após a substancial faxina administrativa que exonerou todo o batalhão de cargos comissionados da Prefeitura de Natal - muitos deles, como é o caso da Secretaria de Turismo, Procon Municipal e Ouvidoria, ainda sem os devidos titulares. "Esse é o nosso primeiro ano onde teremos uma parceira e os recursos começam a chegar. Precisamos de um exército preparado para esse novo momento", comemorou. Ela não fez referência ao Governo Rosalba Ciarlini quanto às propensas parcerias. E nem precisava: a recíproca parece verdadeira e a democrata também não acena com aproximação administrativa e tampouco política.
Ao grupo de funcionários comissionados aflitos por não saber se retornarão aos trabalhos, Micarla afirmou ainda que não preocupa neste momento o reordenamento desses cargos de segundo e terceiro escalões porque reconduzirá (ou não) os servidores comissionados "na hora certa". Esses funcionários são os reais executores das políticas concebidas e elaboradas na chamada linha de frente. "As mudanças [do primeiro escalão] foram concluídas, mas eu confesso que não tenho pressa nessas modificações [de segundo e terceiro escalão]. Não tenho nenhuma pressa. Quero colocar as pessoas certas nos lugares certos", destacou a prefeita de Natal, que adiantou para hoje as nomeações de alguns cargos descobertos.
As Secretarias, no entanto, continuam com o funcionamento pleno e continuado e segundo Micarla de Sousa parte dos cargos comissionados exonerados continuam trabalhando. A esses servidores não foi dito como e quanto receberão pelo serviço que continuam prestando ao Poder Público, uma vez que não há no momento qualquer vínculo empregatício com a Prefeitura.
Mas Micarla de Sousa se disse focada em resolver todas as questões ainda pendentes, embora admita que já tomou uma decisão política, talvez a principal deste ano de eleitoral. Ela já comunicou aos familiares se é ou não candidata à reeleição, no entanto, para o grande público somente se pronunciará em maio. O silêncio, enfatizou ela, é motivado por uma só questão: a administração da capital. "Eu passei três anos da minha gestão sem ter ajuda de ninguém. Esse é o primeiro ano que contarei com esse apoio desejado". Apesar do alto índice de desaprovação da população e de rejeição ao seu nome que revelaram as mais recentes pesquisas ela acredita que ainda é tempo de um recomeço. "Nenhum outro Governo investiu tanto em saúde, educação e funcionalismo como eu", arrematou. Sobre o vazio das parcerias políticas, ela ressaltou que tem um "grande companheiro chamado, Paulinho Freire" e conta com o apoio da base de sustentação na Câmara Municipal de Natal.
Secretário nega pressão sobre comissionados
O secretário municipal de Educação, Walter Fonseca, negou que tenha feito pressão política sobre os cargos comissionados da pasta, mas admitiu que a permanência dos auxiliares na Secretaria de Educação depende, necessariamente, do alinhamento político com a prefeita Micarla de Sousa. Ele confirmou que realizou uma reunião na última sexta-feira com todos os cargos comissionados da Secretaria para comunicar a exoneração coletiva. "Qual a repartição que não vai ter um cargo comissionado alinhado com a gestão? É natural. A governadora Rosalba indicaria alguém que não fosse alinhado com a gestão? O ministro Garibaldi Filho indicaria alguém sem estar alinhado com o Governo Federal", comentou Walter Fonseca.
Ele afirmou que durante esta semana fará as nomeações dos cargos comissionados da Educação. Segundo ele, além do alinhamento com a prefeita Micarla de Sousa, serão usados os critérios de "competência e resposta nas solicitações". "Muitos setores estavam sem responderem a altura. Preciso ter escola com material completo, terceirizados alinhados de acordo com o quadro de cada escola", ressaltou.
Walter Fonseca afirmou que entrou de férias no final do ano passado e esperava voltar com as tarefas já executadas, o que não foi feito pelos servidores. Ele disse que serão feitas avaliações dos cargos comissionados e já na edição de amanhã do Diário Oficial serão publicadas as primeiras nomeações. [Anna Ruth)]
Vereador destaca instabilidade administrativa
O vereador Raniere Barbosa (PRB), uma das vozes da oposição na Câmara Municipal de Natal, criticou a nova reforma do Secretariado de Micarla de Sousa classificando-a de "imatura e despreparada". O parlamentar destacou que a medida atesta mais uma vez a "instabilidade" da atual gestão. Ele opinou que a administração municipal deveria antes de tudo elaborar um diagnóstico financeiro da cidade para posteriormente tomar medidas de ordem administrativa. Ele destacou que falta um planejamento mais preciso que contemple execução orçamentária, receita e despesa.
Ele observou que Micarla deveria apresentar um quadro demonstrativo contendo as despesas do município e um balancete que contemple todas as receitas que a Prefeitura dispõe atualmente para saber o saldo orçamentário real. "Só assim poderia se saber quais são as dívidas correntes, por exemplo, e as prioridades para que se pudesse otimizar custos e equilibrar a Prefeitura". Raniere defendeu ainda que o município dê transparência à sociedade sobre a capacidade de endividamento e de investimento.
"O município tem dificuldade, está devendo muito e continua no limite das despesas. Como atender, dessa forma, as demandas públicas, de Saúde, Educação, entre outras?" Para o vereador, as recentes medidas são reflexo de um absoluto desconhecimento da administração. Ele criticou as exonerações de segundo e terceiro escalões porque afirmou ser esta uma verdadeira descontinuidade dos serviços prestados. "Esses funcionários fazem a operacionalização da Prefeitura." Raniere comentou ainda sobre a possível guinada na administração natalense. "Ela só tem dez meses, lembrando que os dois últimos são de transferência de um Governo para outro. Se ela tivesse capacidade administrativa poderia ter pelo menos tentar melhorar a imagem dela. De uma forma decente porque em oito meses ela não resolverá o problema". Ele disse ainda que a Governabilidade pevista só pode ser comprovada no interior da CMN. "Quem vai botar a cara para defendê-la na CMN e na rua? A bancada dela é dúbia, na rua é contra e no plenário é a favor."