O governo vai definir em, no máximo, duas semanas se vai reduzir o porcentual de álcool misturado à gasolina, hoje de 25%, para conter a alta do produto, segundo adiantou hoje (09) o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima. A agência vai veicular campanha nas regiões onde o preço do álcool está mais elevado para incentivar a redução no consumo do produto enquanto não houver barateamento.
Ana Silva
A gasolina possui 25% de álcool anidro em sua mistura
Lima esclareceu que o porcentual mínimo de mistura não será menor do que 20%. Ainda hoje, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, esteve em Brasília para tentar convencer o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a não reduzir o porcentual da fórmula.
"Não é hora de mexer na mistura. É melhor aguardar o balanço da safra em dezembro", argumentou Jank. Os preços do álcool combustível superaram a variação da inflação nos últimos 12 meses encerrados em outubro, segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No período, enquanto o Índice do Custo de Vida (ICV) acumulou taxa de 4,0%, o preço do álcool aumentou 10,6%.
De acordo com Marcos Jank, o ministro não afirmou que a decisão pela mudança já estivesse definida. Uma diminuição de 25% para 20% representaria menos 100 milhões de litros de álcool por mês. "Não há absolutamente nenhuma decisão sobre alteração na mistura", garantiu Jank. O governo vem estudando a possibilidade de reduzir a mistura por causa da disparada recente dos preços do álcool.