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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Moradores comemoram liberação

Publicação: 22 de Julho de 2010 às 00:00
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Wagner Lopes - repórter

O trecho às margens da pista que liga as praias da Redinha e Santa Rita mais parece uma região abandonada. São terrenos e mais terrenos com cercas e muros por cair e alguns prédios semiacabados, virando ruínas. O principal motivo do cenário foi a proibição judicial, em 2007, de construções em toda a Área de Proteção Ambiental (APA) de Jenipabu, que vai da praia de mesmo nome até à Redinha Nova, nos limites com Natal. Após três anos, a liminar foi revogada na última semana e a comunidade e os gestores comemoram a decisão.

A determinação de liberar as construções em parte da APA foi tomada pelo juiz da Comarca de Extremoz, José Dantas de Lira, após analisar o plano de manejo da área, concluído em maio de 2009 e transformado em lei no mês de setembro do ano passado. O documento era parte das exigências feitas pela Justiça e atende também a uma preocupação da comunidade, proibir edificações sobre as dunas.

"Tinha de impedir construções nas dunas, mas no restante tinham de autorizar mesmo, porque desde a proibição muitos pais de famílias que trabalhavam na área da construção civil, como pedreiros e serventes, ficaram desempregados e sem renda", ressalta o segurança e guia turístico Edilson de Oliveira Dantas. Nascido em Santa Rita, há 25 anos, ele percebia o prejuízo gerado pela proibição na economia local.

"É preciso cuidado para não deixar fazerem prédios muito altos porque aí pode virar uma selva de pedra. Agora realmente é bom que as pessoas possam construir para a região se desenvolver, gerar empregos. Eu mesmo tenho um terreno, longe das dunas, bem localizado, mas que não conseguia vender por conta disso", afirma. Outros moradores concordam e acreditam que, agora, a região possa receber melhorias, inclusive postos policial e de saúde, duas das demandas da região.

Alguns bugueiros que utilizam as dunas para passear com os turistas também elogiaram a medida. "Foi boa para todo o pessoal aqui e, desde que passaram a cerca delimitando as dunas, nunca mais apareceram novas construções", garante o bugueiro George Júlio.

Prefeitura

"A proibição estava travando o desenvolvimento de nosso município desde 2005 e agora vamos poder receber os diversos projetos turísticos previstos, de hotéis e pousadas, para aquela área, sem agredir o meio ambiente", comemora o prefeito de Extremoz, Klauss Rêgo. Ele afirma que a liberação trará emprego e renda para os moradores da cidade e diz que a prefeitura já capacitou mais de 2 mil pessoas, em cursos profissionalizantes, para se beneficiarem com os postos de trabalho que serão criados no turismo da região.

"Em 2009 já tínhamos o plano (de manejo) e a única dúvida era como seria melhor implementá-lo, aí veio a decisão de transformar em lei, o que garantiu ainda mais força ao trabalho que foi feito para sua elaboração, inclusive com uma série de audiências públicas que acompanhei pessoalmente", recorda o prefeito, que afirma não acreditar que novas ações judiciais possam provocar uma nova proibição.

Plano virou lei no ano de 2009

O Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental de Jenipabu foi transformado em lei pela Assembleia Legislativa em setembro de 2009, após dois anos de polêmicas. O temor da ocupação desenfreada das dunas levou a juíza Ana Karina Carvalho, de Extremoz, em agosto de 2007, a conceder uma liminar suspendendo qualquer autorização do Idema para obras na região.

Desde então o instituto, em parceria com outros órgãos e a comunidade, desenvolveu o zoneamento ecológico e econômico e o plano de manejo da APA, instrumentos que convenceram o atual juiz de Extremoz, José Dantas de Lira, a revogar a liminar. A APA Jenipabu foi criada em maio de 1995 e abrange uma área de 1.739 hectares entre os municípios de Natal e Extremoz, reunindo um ecossistema que inclui praias, mata atlântica, manguezal, lagoas, rios e dunas.

A APA conta com sede própria e conselho gestor. A área possui especial interesse econômico porque desde os anos 80 serve de rota para os passeios de bugues sobre as dunas móveis, um dos principais atrativos turísticos do Rio Grande do Norte. A região também é conhecida por atividades como o passeio de dromedários e a prática do "sandboard".

Limitações

O Ministério Público foi o autor da ação que, há três anos, resultou na liminar proibindo construções em toda APA de Jenipabu. O MP foi novamente ouvido, antes da decisão da semana passada de revogar a liminar, e não se opôs ao entendimento do juiz. "Agora, que fique claro que não se pode construir de qualquer forma. A decisão foi bastante restritiva e qualquer obra terá de passar necessariamente por um licenciamento rigoroso e não é em todo lugar que se pode construir", alertou o promotor Emanuel Dhayan Bezerra, que substitui temporariamente a promotora Emília Araújo.

» Bate-papo

Leonardo Tinoco » diretor-técnico do Idema

"Não vamos perder aquele cartão postal."

Como o Idema recebeu a decisão da Justiça de liberar construções na APA de Jenipabu?

O Idema estava aguardando essa decisão da justiça há alguns meses porque foi tema de um Termo de Ajustamento de Conduta. Uma decisão anterior da Justiça colocava diversos condicionantes e obrigações que deveriam ser cumpridas por várias partes envolvidas, o Idema, a Prefeitura de Extremoz, a própria sociedade. E tivemos todas as condições cumpridas.

E a principal condicionante era o plano de manejo?

É, o principal era o plano de manejo. Para fazê-lo foi preciso toda uma série de estudos que o Idema vem desenvolvendo ao longo de vários anos. Esses estudos foram concluídos e isso foi comunicado à Justiça. Então há uns seis, oito meses, estávamos aguardando essa análise em relação ao que foi apresentado.

E com relação à Prefeitura de Extremoz, o que era exigido?

Da prefeitura a questão das casas que eram construídas sobre as dunas, o controle disso e dos acessos, e também do desenvolvimento turístico.

Hoje pode se dizer que a fiscalização no local é eficiente?

O Idema tem trabalhado permanentemente para manter a ação de fiscalização, monitoramento, avaliação e controle, sempre voltada a manter a qualidade ambiental no local.

E havia muitos pedidos de licença represados para a área?

Alguns, mais na superfície de deflação (trecho entre as dunas e o mar). Agora, em função de saberem que a área estava vedada, acredito que muita gente acabou nem dando entrada.

Os pedidos antigos e futuros terão de levar em conta as regras do plano de manejo?

Obrigatoriamente sim. Todas as unidades de conservação são regidas pelo  plano de manejo, que é um instrumento normativo que organiza todo processo de uso e ocupação e de restrições.

Das restrições, há limites de gabarito, impermeabilidade?

As restrições no plano levam em conta mais parâmetros ambientais, agora já existe limitação de gabarito, por exemplo, no zoneamento ecológico e econômico do litoral oriental do Rio Grande do Norte, que é uma lei estadual que estabelece os afastamentos necessários e o limite de gabarito para a área costeira.

E dentro do plano, que restrições o senhor destaca?

Na área das dunas há uma proteção integral. Não é permitido o uso direto do recurso natural, apenas o uso indireto.

Isso proíbe, por exemplo, a construção de casas e hotéis sobre as dunas?

Sim, está vedada. E tem ainda algumas áreas de maior restrição que a gente tem de observar com maior cuidado. A própria superfície de deflação precisa ser observada com cuidado e os estudos que vão ser exigidos serão mais rigorosos, detalhados e com maior profundidade.

Então, o plano de manejo é rigoroso em manter o patrimônio ambiental daquela região?

Sem dúvida, acreditamos que sim. Apesar de que um plano de manejo não deve ser visto como um documento estanque. É um documento que, assim como a ciência, pode ser avaliado, revisado e melhorado. A própria população pode contribuir.

O resultado ao qual se chegou privilegia harmonia, desenvolvimento econômico e preservação ambiental?

Acredito. Nas áreas que foram permitidas se privilegia o desenvolvimento socioeconômico, mas com garantia de qualidade ambiental.

E agora mesmo reformas de pequeno porte, em domicílios por exemplo, precisarão passar pela análise do Idema?

Sim, obrigatoriamente qualquer empreendimento que for objeto de interesse privado, na área, precisa ser objeto de estudo do Idema, bem como qualquer intervenção pública.

Então não há que se temer ocupação desenfreada ou uma cortina de arranha-céus no local?

Não, até porque não é permitido. Um dos instrumentos que compuseram o plano de manejo foi exatamente o estudo de visuais. A beleza das dunas deve ser permitida a todos e não apenas a quem vá construir um apartamento. Não vamos perder aquele cartão postal.

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comentários

ismaelfranciscodacosta@...22/07/2010 @ 03h54
POR QUE NÃO PUBLICA AS REGRAS APROVADAS?
ismaelfranciscodacosta@...22/07/2010 @ 03h51
POR QUE NÃO PUBLICA AS REGRAS APROVADAS.
leopfilho@...21/07/2010 @ 23h39
Até que em fim fizeram uma coisa boa em Genipabu. Até para se construir um muro que a chuva derrubou a pessoa tinha que pedir autorização ao Idema. Um quilo de cimento, para se adquirir a pessoa tinha que viajar vários km. para comprar, isso porque não se construia nada em Genipabu, há muito tempo.Gente capacitada, como pedreiro, servente, pintores não se consegue mais em Genipabu. Palmas calorosas para o nobre Juiz Dr. José Dantas Lira, que acabou com tamanha arbitrariedade, essa de não se construir nada em Genipabu. Estou dizendo isso porque tenho casa na localidade e certa vez não tive condições de fazer uma pequena reforma em minha casa. Pago vários impostos, como IPTU e ao patrimonio da união, sem receber qualque beneficio, principalmente no que se refere a segurança. Estou deixando de frequentar essa beleza de praia por causa dos ladrões que tomaram conta do lugar e também por causa do Idema que estava a proibir construções etc, etc. A população de Genipabu está realmente de parabéns e todos devem agradecer ao Dr. José Dantas Lira..
fabio1906@...22/07/2010 @ 09h47
A justiça tarda mais não falha. Agora mediante a licença do Idema os proprietários de imóveis daquela área poderão construir suas casas sem nenhum impedimento, mas dentro das normas e regras estabelecidas. Dessa forma, o meio ambiente não será agredido e principalmente será preservada o visual da beleza natural para todos evitando a ocupação desenfreada e a construção de edifícios, que venham a bloquear a visão panorâmica da praia e das dunas. Agradecemos pela decisão tomada pelo Juíz da Comarca de Extremoz. Bravo Zulu!
cpinheirorosa@...22/07/2010 @ 09h52
só espero que daqui ha ums dois ou tres anos estes moradores que estao comemorando a liberaçao para destruir, ops, construir na área, nao venham aqui chorar a destruição da praia de genipabu, a invasao de estrangeiros etc.... porque isso é o de praxe aqui em natal.
campostelecomunicacoes@...22/07/2010 @ 09h25
MUito feliz com a decisão. tenho um terreno comprado ha 20 anos atravez de uma imobiliaria, no bairro parque leopoldino, contrui uma casa e foi obrigado a parar a obra, todos os anos pago meus impostos e sem direitos. esta decisão vai atrair novamente pessoas igual a mim e toda a cidade so tem a ganhar.
geraldolimafernandes@...22/07/2010 @ 09h33
é uma vergonha o trabalho, desenvolvido pelos orgãos, competentes dentro do citado processo, tomando a área como um exemplo de trabalho eficiente dos mesmos, no entanto as nossas águas estão totalmente poluidas inclusive no trecho citado, por esgotos lançados no Rio Potengi pela cidade de Natal. Citamos como exemplo a nossa pela Praia de Ponta Negra, chegou o desenvolvimento e foi feito uma obra de saneamento que deviria evitar problemas no entanto acabou com o melhor cartão postal da cidade. Vamos deixar de mediocridade e sermos gestores competentes esquecermos interesses e honrar os salários recebidos. acredito na sustentabilidade.
deuto_lima@...22/07/2010 @ 09h09
A mesma arbitrariedade acontece com quem tem terrenos na Av. da Integração, em Candelária, existe casas, condomínios, prédios e asfalto na beira do terreno e não se pode construir nada, devido o MP com a Dra. Gilka da Mata que tem um processo junto a SEMURB onde se proibe qualquer construção na área. Pois se aguarda o Saneamento Básico na região. Até quando vamos aguardar que a CAERN faça todo saneamento ? Já deixei de alugar meu terreno até para um Viveiro de Plantas e não foi licenciado pela SEMURB. Acho que no minimo eu teria direito a uma indenização por Lucros Cessantes ! Infelizmente não posso bancar um Advogado para lutar pela minha causa. Hoje tenho uma proposta para se construir uma pousada no local, devido a próximidade da Copa de 2014 e vai ser mais outro prejuízo. deuto_lima@yahoo.com.br
jkitzinger@...22/07/2010 @ 09h14
Só espero que essa comemoração pela liberação de construções em nossa rara,bela e ainda natural GENIPABÚ não se transforme em desilução e decepção, como aconteceu com os nativos de PONTA NEGRA. Nativos esses, que perderam suas historias, suas raizes, sua cultura, na ilusão do DESENVOLVIMENTO ECONOMICO. Desenvolvimento para quem? Não se iludam, assim como aconteceu em nossa PONTA NEGRA, em nossa GENIPABÚ não vai ser diferente. A pequena ELITE tomará conta dessa beleza natural, aos poucos sem que notemos, como erva daninha e espussará a todos. PARABENS PARA QUEM????
deadlyfate@...22/07/2010 @ 08h42
Essa Lei ja foi publicada no Diário Oficial, e há empreendimentos para serem iniciados, inclusive de grande porte, e acredito que não necessitaria de um a "liminar" para tais construções, já que a lei tem eficácia.
edbarreto.silva@...22/07/2010 @ 08h17
Liberação das obras de santa rita
carlosmbjr@...22/07/2010 @ 16h46
Atenção e muita atenção!!!!! Existe grandes empreendimentos querendo abocanhar às dunas para construir arranha-céus aí em Santa Rita e Genipabú !!!!Depois não vamos chorar o leite derramado????????????
ednogueira@...22/07/2010 @ 23h03
Para quem precisa saber o que foi definido, consulte a lei...LEI Nº 9.254, DE 06 DE OUTUBRO DE 2009.
thiagosetc@...23/07/2010 @ 09h28
Parabens ao nobre Juiz Dr. José Dantas Lira. Garanto que quase todos aqui que falaram em muitas citações coisas como: "nossa linda genipabu....."; eu pergunto a essas pessoas: que relação você tem com Genipabu para dizer isso? Vários pais de família foram obrigados a parar de trabalhar por falta de emprego. quem sustentou estas famílias? Foram estas pessoas que falaram "nossa genipabu?". Genipabu também tem que crescer. Não pode ser isolada do mundo não. Os moradores de Genipabum têm filhos e seus filhos precisam de casas para morar e constituir suas próprias famílias. Não sou a favor que se construa em dunas e aos que não sabem: já é proibida a construção em dunas, leito de rios e mangues. O que se tem que fazer é fazer os ditos órgãos públicos fiscalizarem com mais intensidade estas regiões e NUNCA fazer pressão para que um juiz altoritário proíba o desenvolvimento de várias comunidades.
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