Todo final de ano a história se repete. Com o fim do período chuvoso, o abastecimento de água nas regiões mais elevadas de Pium, litoral de Parnamirim, começa a escassear e durante semanas os moradores não têm direito a sequer um pingo nas torneiras, se vendo obrigados a pagar a carroceiros, ou se servir de sistemas alternativos, alimentados por poços particulares. Agora em 2009, a escassez chegou mais cedo e já atinge a área desde o final de setembro.
Emanuel Amaral
José Antônio da Silva paga R$ 30 por mês a um vizinho, para receber água do poço particular
O serviço deveria ter sido assumido pela Caern desde 2004, porém até hoje é operado por pessoal da Prefeitura. Companhia e Município, contudo, estão fechando um acordo e a expectativa é que dentro de 10 dias o problema comece a ser solucionado. A Caern abrirá um novo poço e já escolheu, através de licitação, a empresa que vai fazer a substituição dos encanamentos atuais, antigos e fora do padrão. A Prefeitura entrará com a mão-de-obra para escavar ruas e permitir a troca da rede. No começo de 2010 o novo sistema deve estar funcionando.
Atualmente, os moradores não pagam pela água consumida, mas também não têm direito a um bom serviço. "Preferimos pagar uma taxa e ter água em casa", resume o motorista Bruno César da Costa. Morando há 29 anos na rua Manoel Maximiliano, ele e os vizinhos reclamam que o poço que abastece a comunidade seria suficiente, porém a distribuição é mal gerida e resulta na falta de água.
Desde o mês passado os habitantes da rua têm gasto quase R$ 10 por semana para comprar a água trazida por carroceiros. Na vizinhança, outros moradores dependem do fornecimento de um comerciante local, que possui um poço em casa e recebe R$ 30 por mês de cada "cliente". Revoltados com a Prefeitura e a Caern, os moradores da Manoel Maximiliano tomaram uma medida drástica. Foram até o local onde a água é distribuída e ligaram, por conta própria, o sistema.
"Se a água chegasse, seria a prova de que o problema é nesse controle. Pois não é que chegou", afirma Bruno César. O motorista revela que a escassez persiste há nove anos e geralmente dura até depois do carnaval, quando as chuvas voltam a cair e os veranistas deixam a região, reduzindo a demanda. Enquanto o período não chega, a população limita o uso da água, utilizando principalmente para lavar louça e despejar na privada. Quem pode, procura áreas mais baixas para lavar as roupas, ou então recorre ao serviço alternativo.
O servente de pedreiro José Antônio da Silva, que há 44 anos mora na região, paga R$ 30 por mês a um vizinho, para receber água do poço particular. "A água que vem da Caern tem semana que chega duas vezes, só de madrugada, mas tem umas semanas, como agora, que não chega dia nenhum", aponta. Outro que se acostumou a depender do serviço privado foi o artesão José Edilson da Silva. "Não posso é ficar sem água", ressalta.
Todos afirmam que a situação se agravou quando, anos atrás, a caixa d'água localizada no Clube da Caixa foi desativada. Porém, mesmo assim o volume retirado do único poço de Pium seria suficiente, mas como o uso é gratuito termina havendo desperdício em áreas mais baixas, inclusive para fins comerciais. Quem mora em regiões mais altas fica de mãos abanando e sem água para lavá-las.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou o responsável pela operação do sistema em Pium, identificado por "Josimar", mas ele se encontrava em Parnamirim. Contactado por celular, argumentou que seria complicado dar as explicações por telefone.
Caern promete soluçãoO secretário de Serviços Urbanos de Parnamirim, Naur Ferreira, afirma que desde 2004 a Prefeitura passou para a Caern todo o serviço de abastecimento de água no município. O gerente da Regional Litoral Sul da Caern, João Alberto, reconhece que há um convênio desde essa data, porém afirma que a operação só passará à companhia, de fato, nos próximos dias. A intenção é começar a operar um novo poço (de 25 mil litros/h) ainda em outubro, ampliando a capacidade do atual (20 mil l/h). Hoje, um poço localizado em Cotovelo também contribui para abastecer Pium.
"Com isso, o problema já vai diminuir bastante, uns 80% a 90%", estima. A solução final, porém, só deverá vir com a renovação de toda rede de distribuição. O encanamento atual inclui uma boa parcela de material com até 25 mm de espessura, quando o mínimo necessário são 50 mm. "Já licitamos a empresa e agora vamos licitar o material", explica. Segundo o secretário Naur Ferreira, a Prefeitura deve ajudar nas obras oferecendo mão-de-obra.
De acordo com o gerente da Regional do Litoral Sul, no início de 2010 o novo sistema deve estar em pleno funcionamento e a Caern começará a emitir as contas. "Os valores devem ficar entre R$ 10 e R$ 20, mas o importante é que os moradores vão ter água", afirma.