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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Moto, a queridinha dos assaltantes

Publicação: 14 de Maro de 2010 às 00:00
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Roberta Trindade - Repórter

O já caótico trânsito de Natal não torna difícil apenas o dia-a-dia da vida dos trabalhadores. Os engarrafamentos constantes, sinalização precária e ruas e avenidas esburacadas, tudo isso contribui para tornar ainda mais difícil a locomoção de quem sai de casa para o trabalho ou para levar o filho para a escola.

Júnior SantosAssaltantes geralmente preferem usar moto por ser mais ágilAssaltantes geralmente preferem usar moto por ser mais ágil
Mas se o trabalhador não tem alternativa para fugir dessa loucura diária, o bandido encontrou uma saída para facilitar o seu "trabalho". A motocicleta.

Ágil, fácil de roubar ou de esconder e com uma mobilidade impressionante. Assim é a motocicleta, veículo utilizado com freqüência pelos bandidos para assaltar ou para matar. A legislação de trânsito obriga o uso do capacete, o que dificulta na identificação do  piloto da moto,  facilitando a ação de quem quer cometer atos delituosos. Adulterar a placa é tarefa fácil. É só dobrá-la,   mudar apenas um número ou  uma letra e o veículo de duas rodas está pronto para ser utilizado em mais um crime. 

No Rio Grande do Norte, nem a Polícia Civil nem a Militar têm números referentes aos delitos  praticados por criminosos usuários de motos, porém, de acordo com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Marcondes Pinheiro, cerca de 80% dos crimes que ocorrem na capital são provenientes de criminosos motorizados.

Para o comandante, uma mudança emergencial na legislação de trânsito poderá  ajudar a polícia a localizar com mais facilidade bandidos sobre duas rodas. "O Brasil precisa acordar e rever a lei de trânsito".

Marcondes afirma que será necessário encontrar uma forma para o motoqueiro ser identificado facilmente. "O capacete poderia ser fabricado de uma forma em que fosse possível visualizar o condutor".

O coronel destaca que o     número da placa da moto no capacete ou um colete usado pelo motociclista com a identificação da  numeração da placa pode ajudar a polícia a localizar criminosos. "É prudente que a identificação do condutor esteja visível aos olhos".

Marcondes adverte: "Retrovisor não deve ser usado para passar batom ou pentear o cabelo. O condutor do veículo ao visualizar homens em  motocicleta deve ter cuidado redobrado e, se necessário, procurar auxílio da polícia".

Para o delegado Maurílio Pinto de Medeiros, titular da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap),  com a moto, os bandidos têm mais facilidade. "O criminoso se aproxima da vítima,  rouba ou executa. É simples" Maurílio acredita que uma fiscalização rigorosa evitaria os delitos cometidos por criminosos motorizados. "A minha sugestão é para que as polícias Rodoviária Federal, Civil e Militar realizem revistas em todos os condutores que circulam de motos".

O delegado explica: "Se a polícia fizesse uma investigação  sobre pessoas presas por porte de arma que pilotam motocicletas iria descobrir muitos crimes". E  completa: "Quem pilota moto armado quer assaltar ou cometer homicídio ou então acabou de cometê-los. Não há outro caminho".

Já o secretário de Segurança Pública e Defesa Social de Natal, delegado Sérgio Leocádio diz que para evitar ações de criminosos com  a utilização de motos seria necessário atingir os bandidos de forma mais enérgica. "O setor de inteligência precisa atuar nesta área. Inteligência é a palavra da moda, mas tem efeito".

O tenente-coronel Ricardo Albuquerque, comandante da Polícia Rodoviária Estadual  revela que tem sido  comum a polícia de trânsito trocar tiros com assaltantes em motos. "A nossa fiscalização tem sido rigorosa. Prendemos nesta semana um homem armado que pilotava uma motocicleta".

Elias Nobre, delegado geral da Polícia Civil, afirma que não existe dúvida de que o maior número de assaltos e assassinatos são praticados com a utilização deste meio de transporte. "Geralmente um pilota a moto e o outro, o carona, é quem mata. É quem rouba". Nobre garante: "O capacete  facilita até na fuga. Dificulta  a investigação".   

No Estado de Goiás, a situação é bem diferente do que se vê por aqui. Lá, o trabalho da PM tem sido intensificado para inibir este tipo de ação delituosa.

Para se ter uma idéia, em Goiânia (GO), somente nos cinco primeiros dias de 2010 foram registrados 15 homicídios, destes, oito   tiveram como  autores  criminosos que utilizaram veículos sobre duas rodas. A motocicleta como instrumento facilitador do crime, representa em Goiás, 57% das execuções.

Em Natal, por exemplo, na região que compreende a 6ª Delegacia de Policia de Pajuçara (zona Norte) a escalada da violência é percebida nos elevados números de mortes. Somente em 2009 foram  computados  72 homicídios. A polícia não  sabe quantos foram praticados por bandidos em motos, entretanto, o chefe de investigação da DP, Lincon Pimentel,  enfatiza que  as   motocicletas menores -  100 cilindradas tanto são tomadas de assalto quanto são utilizadas para a prática de delitos como os assassinatos.

Nos 18 conjuntos habitacionais e 24 loteamentos que abrangem a região da 6ª DP, o que se vê  é um avanço significativo de delitos por pessoas pilotando motos.

Rei da Traxx: sonho é ter um filho

Com apenas 19 anos, o garoto franzino, com cabelos enrolados e curtos tem uma ficha criminal interessante. Ele é conhecido na região do Gancho das Mangueiras, em Igapó, pelo apelido de Rei da Traxx. Quando menor, foi apreendido pelos policiais da Delegacia de Propriedade de Cargas e Veículos (Deprov). Na casa do garoto foram recuperadas cinco motos Traxx, todas provenientes de roubos. A apreensão do menor não foi suficiente para que ele mudasse de vida.

José - nome fictício - conta sorrindo como foi parar atrás das grades, após  a maioridade. "Era noite, acho que 22 horas. Um casal em uma moto diminuiu a velocidade no quebra-mola. Meti o ferro (revólver) e levamos a motocicleta".

José estava em companhia de um outro rapaz quando decidiu assaltar. "O finado era meu parceiro. Morreu durante um outro assalto. Assisti na televisão, ele estirado no chão".

Após o roubo, José e o amigo realizaram sequências de roubos com a moto. O primeiro foi a um casal, onde José e o amigo roubaram um aparelho celular, em seguida, assaltaram um mercadinho e depois ao tentarem fugir, apenas José foi detido. De acordo com o rapaz, a prisão foi  feita "pelos homens que não alisam" - os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). "Foi barroti até umas horas (surra)".   

A entrevista é interrompida. Os presos que dividem a cela com José oferecem um cafezinho para a reportagem da TN. Após o café, o Rei da Traxx revela que prefere a moto para assaltar porque é bem mais rápida. "É bem ligeirinha. É difícil a polícia pegar a gente. Se eu entro na favela, qual é a polícia que vai entrar? A gente vai parar onde o vento faz a curva", dá uma gargalhada.

José diz que, assim que ganhar a liberdade quer possuir uma moto. "Adoro motocicleta, por isso sou o Rei da Traxx", sorri.

José está detido há oito meses em uma carceragem de uma delegacia em Natal. Ele ainda não foi julgado e condenado e, por isso, não revelou o nome verdadeiro. Tem esperança de  ser liberado  em breve pela justiça.

José termina a entrevista com uma afirmação: "Meu sonho real é ter um filho. Quando roubei e fui preso estava em depressão. Meu filho havia morrido".

A morte do filho de José é uma outra história..... 

Goiás registra aumento dos crimes

Robson Alves, presidente da Federação dos Mototaxistas e Motoboys do Brasil (Fenamoto) explica que em Goiás os bandidos utilizavam  carros para cometer delitos, mas com o tempo, passaram a se utilizar  de  motocicletas, porém, um trabalho realizado em parceria entre a Fenamoto e a Polícia Militar tem mudado a realidade do Estado.

"Estamos vendo a mudança neste mês de fevereiro. Os índices de crimes praticados por homens sobre duas rodas tem diminuído".

Robson salienta que abordagens da polícia têm sido realizadas diariamente e que todos os mototaxistas e motoboys estão padronizando as motos. "Nosso projeto de lei, juntamente com muita disciplina e a padronização está tendo efeito positivo".

O presidente da Fenamoto enfoca que a lei 12.009, de 29 de julho de 2009, estabelece que todos os motoqueiros sejam padronizados. "Os vereadores de Natal devem criar projeto de lei para adequar a legislação aos trabalhadores da capital e colocar em prática as normas o mais breve possível".

Robson esclarece: "Estamos à disposição para auxiliar o comandante geral da PM do RN e também os vereadores para que o projeto que for criado em Natal seja colocado em prática"

Por meio do projeto de lei será possível diferenciar os mototaxistas e motoboys dos demais motoqueiros. "Sem dúvida, a polícia terá mais facilidade para localizar criminosos sobre duas rodas", conclui Robson. 


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comentários

lmeneto@...14/03/2010 @ 10h32
A nossa sinalização é ruim,vc está de brincadeira,vai a Recife que vc vai diser que está num paraiso.lá não existe sinalização
avcamara@...15/03/2010 @ 15h13
É preciso seguir o exemplo do México, que reduziu significativamente os crimes obrigando o motoqueiro a usar um colete identificador. Enquanto isso não for implantado no Brasil, os bandidos vão continuar vencendo de goleada !
sibellesantos@...15/03/2010 @ 15h23
Ahhhh!! fiquei curiosa agora!! conta a historia desse filho do bandido, caba de peia foi bem ele que roubou a minha traxx em 2006, merece é peia mesmo!
elisangela_araujo2004@...15/03/2010 @ 15h43
Queremos saber da história da morte do filho de José...rsss
avenger_desc-mail@...15/03/2010 @ 22h25
Colete com placa da moto? Desde quando o bandido vai usar isso? Ele vai morrer de usar. Só nós cidadãos de bem é que teríamos de usar porcaria de colete. É cada idéia de jirico. A polícia não consegue localizar os bandidos que assaltam de moto, por que só chega no local do crime meia hora depois e na maior má vontade do mundo. Quando a polícia quer ela acha o bandido até no inferno.
pcr_spy@...15/03/2010 @ 20h34
Mais um bandido que dá entrevista acompanhada de gargalhadas. Ora, sabe que vai sair já já. Sabe que o nosso sistema judiciário é seu sócio. Se ele tivesse matado com requintes de crueldade só ficaria 6 anos. É isso mesmo, 5 anos. A pena Máxima no Brasil são de apenas 30 anos para crimes hediondos. Mas com apenas 1/6 da pena, ou seja, 5 anos, o indivíduo que mata já tem direito a condicional. Imagina um moleque que rouba motos Traxx? Nao fica nem 10 meses. - 10 meses? Homi melhore. Nao me venha com essa conversa fiada de melhorar sinalização. De botar colete. Nada disso irá funcionar. Se você, ainda, espera que algo em relação à crimes no Brasil mude, acho bom vocês começarem a pensar em penas mais pesadas. Sem relaxamento de prisao e, é claro, pena de MORTE. Porque o único bandido bom que eu conheço é bandido morto. O resto, - as entrevistas desses nossos homens da lei, é só conversa fiada.
me@...15/03/2010 @ 18h19
Nada como enfrentar o sintoma e nao a causa. Criminalizar todos os motoqueiros em vez de tratar da situacao socio-economica que causa uma pessoa roubar e do problema de criminais "professionais" voltado a rua depois de serem presos. Quem vai pagar pelo R
rubianspider@...15/03/2010 @ 23h30
Acredito que esse não seja o caminho. Customizar coletes e capacetes é uma ideia cara e ainda trabalhosa. Não é esse o caminho. Acredito que o aumento no número de 'blitz' talvez possa ajudar um pouco, porém, isso não vai sanar o problema. Não é uma coisa tão simples assim. E, já que vão focar as motos, isso deixa claro que eles, os ladrões, correrão para um outro método: carro, bicicleta e por ai vai.
norru@...24/02/2011 @ 22h49
Gostaria de ressaltar e tentar passar adiante uma medida que considero primordial para a dissuasão destes tipos de crimes. Cenas como esta vivem se repetindo: motoqueiros que estão armados e fogem da cena do crime sem possibilidade de reconhecê-los pois os motoqueiros têm o costume de tampar a placa com a mão. Esta é uma prática generalizada tanto para transgressões mais leves (avançar farol, excesso de velocidade em um radar) quanto para crimes que todos nós presenciamos em nosso cotidiano (subtração, assalto, furto). Como medida a dificultar a escapatória desses criminosos, que se valem de motos como meio de fuga, a obrigatoriedade de se utilizar uma placa frontal na moto, dificultaria muito a ocorrência de crimes auxiliados pela presença de uma moto. Isto porque seria mais difícil para o motoqueiro (mesmo que sejam duas pessoas na moto) tampar ambas as placas. Isto além de dissuadir a conduta criminosa ainda facilitaria a identificação de eventuais transgressores, não deixando-os imunes à responsabilização penal. No entanto, nossos formuladores de políticas públicas não chegaram a esta conclusão até hoje! Já presenciei inúmeras transgressões e crimes que poderiam ser facilmente solucionados se pudéssemos verificar a placa da moto utilizada. Portanto, não é tão difícil chegar a tal conclusão. Peço que esta idéia seja propagada para que chame a atenção de nossos formuladores de políticas públicas. Medidas parecidas estão em fase de desenvolvimento em outros estados do país, no entanto não creio que as já existentes deêm conta do problema. Estampar a placa no capacete e no jaleco do motoqueiro não são medidas plausíveis, uma vez que o indivíduo que tem a intenção de cometer um crime não irá utilizar nem um colete nem um capacete que o identifiquem na hora do cometimento do crime. Não faz sentido que o criminoso se preocupe em utilizar um jaleco e um capacete na hora de cometer um crime. Espero realmente que as pessoas tomem consciência destas idéias.
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