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Economia

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Movimento de queda sofre resistência

Publicação: 05 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Ricardo Leopoldo

São Paulo (AE) - Mesmo sendo a mais alta entre as principais economias do mundo, a taxa de juros real do Brasil está em queda e se aproxima de seu nível histórico mais baixo. Na última sexta-feira, a taxa real ex-ante, a mais usada pelo mercado financeiro, atingiu 3,93%, porcentual muito próximo dos 3,87% registrados em 30 de novembro, que foi o menor desde a adoção do sistema de metas de inflação, em 1999. Esse movimento de queda, no entanto, enfrenta vários pontos de resistência e pode ter vida curta.

Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha manifestado recentemente que o governo busca o juro real de 2% a 3% ao ano, para que a taxa convirja a esse patamar, segundo economistas, são necessários dois fatores: um deles é a continuidade do esforço fiscal, com geração de superávits primários cheios de 3,10% do PIB em 2012 e 2013, baseados muito mais em corte de gastos correntes do que na redução em investimentos, como ocorreu em 2011. "Mais redução de despesas correntes ajuda a conter a demanda agregada e retira do Banco Central o fardo de conter o consumo com restrições monetárias, via alta da Selic, elevados compulsórios e medidas de contenção de crédito", diz o economista-chefe da LCA, Braulio Borges.

Outro elemento fundamental para a continuidade da queda do juro real seria a melhora da comunicação do Banco Central, que, na avaliação de alguns especialistas, não está sendo eficiente para transmitir a lógica das mensagens da instituição há um ano. "A comunicação do BC está péssima", disseram exatamente a mesma frase, em entrevistas realizadas separadamente, a professora da PUC-RJ, Monica Baumgarten de Bolle,e o professor do Insper e sócio da Tendências, Juan Jensen.

Monica cita a divergência de informações nos dois mais recentes documentos divulgados pelo BC sobre política monetária. "O Relatório Trimestral de Inflação de dezembro indicou que a queda da Selic iria numa direção um pouco mais cautelosa. Pouco depois, a ata do Copom de janeiro manifestou outra rota, segundo a qual a Selic deve cair para um dígito logo", destaca Monica. "Isso é muito ambíguo, causa confusão e afeta a transparência do BC", afirma. Para Jensen, uma das razões que fazem com que a expectativa de inflação dos agentes econômicos não fique ancorada de forma adequada é que não há clareza e coerência nas manifestações do BC referentes às decisões do Copom.

Juro neutro

Outro elemento que vai pressionar no curto prazo para que o juro real ex-ante volte a subir é que ele está distante em pelo menos um ponto porcentual da taxa de juro neutra, aquela que manteria a inflação estável, apontam os economistas. O juro neutro, assim como o PIB potencial e a taxa de desemprego de equilíbrio, são conceitos que precisam ser estimados e os economistas ressaltam que tais previsões levam uma certa dose de avaliações subjetivas Contudo, o BC retomou o debate na ata da reunião do Copom de janeiro, depois de ter lançado o tema em meados de 2010 num relatório trimestral de inflação. Para o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, a taxa de juro real neutra é de 5%, enquanto que para o ex-presidente do BC, Affonso Celso Pastore está entre 5,5% e 6%.

Borges lembra que uma pesquisa realizada pelo BC no final de 2010 com 60 especialistas de mercado apontou que a taxa de juro neutra para a maioria deles estava entre 6,5% e 7%. Contudo, ele pondera que tal indicador deve ter caído cerca de 2% pontos porcentuais em função de algumas mudanças da conjuntura econômica mundial. "Há pouco mais de um ano, um grupo dos maiores países do mundo membros da OCDE apresentava uma taxa de juro real média entre 2% e 3%, Mas com os desdobramentos da crise global, essa taxa média está negativa em 2%", disse.

Para ele, um contraponto que permite que a taxa de juro neutra seja menor que há um, é o grande volume de depósitos compulsórios, que atua não só como colchão de liquidez do sistema financeiro, mas sobretudo como um moderador da quantidade de dinheiro em circulação na economia.

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