Michelle Ferret - Repórter
Os cactos de espinhos aparentes parecendo tocar a tela pintada por Celina Bezerra; a aquarela revelando o outono de uma árvore delineada por Selma Sá; as cidades noturnas com luzes acesas de Fernando Galvão; os homens desenhados em um dos bares do cotidiano de Vicente Vitoriano e uma infinidade de criações e mundos diferentes. Todas essas viagens e recortes de existências fazem parte da exposição "Arte de Presentear" na Galeria Anjo Azul com início hoje até o último dia do ano. A curadoria é do experiente Isaque Alves e segundo ele tem a finalidade de "abrir novas perspectivas em relação ao público freqüentador de galerias". Ao todo são 200 obras de arte pintadas e esculpidas - em pequeno porte - por 47 artistas de diferentes partes do Rio Grande do Norte. A aparente finalidade é dar obras de arte de presente. Mas isso é apenas uma impressão, a força da exposição vai muito além e tenta desdobrar o cotidiano difícil das exposições de obras de arte da cidade.
Alex Régis
Exposição "Arte de presentear" faz feito inédito e reúne 47 artistas de todo o RN
"Como são muitos artistas expondo, a intenção é que cada um traga pelo menos dez convidados. E assim serão aproximadamente 500 pessoas tendo acesso à obras de arte que não teriam naturalmente", contou Isaque com seu jeito tranquilo de ser e expressando a satisfação de ter conseguido unir tantos artistas importantes num só espaço. Além dos artistas já citados no início da matéria, obras inéditas de Vicente Vitoriano, Túlio Fernandes, Avelino Pinheiro, Iaperi Araújo, Francisco Eduardo, Vatenor Oliveira, Arruda Sales, entre tantos outros.
A reportagem do VIVER teve acesso à montagem da exposição e percebeu que entrar nesta sala é como estar viajando no trem das cores quando crianças cor de romã entram nos vagões e o oliva da nuvem chumbo fica para trás da manhã. (esta canção estava tocando no momento em que observávamos as obras). O interessante é ter a possibilidade de desviar o olhar e sentir a força artística de diferentes motivações e inspirações. "É algo raro hoje em dia".
A faixa de preços foi estabelecida entre os artistas e o curador, pensada para que facilite o acesso do público à aquisição de obras para suas vidas. A variação é entre R$ 100 e R$ 300 reais. "É nesse intervalo de preço que optamos trabalhar. Dessa maneira esperamos conseguir atingir o maior número de pessoas possível", disse Isaque.
A escolha pelo tamanho das obras - reduzidas em no máximo 50 cm por 30 cm - se deu devido à realidade existente hoje. "As pessoas tendem a morar em pequenos apartamentos, cada dia isso é mais comum. E sempre que alguém vem comprar obras de arte existe o esbarrar neste problema, o espaço. Por isso conversamos com todos os artistas e chegamos a conclusão que seria mais interessante uma proposta nova de trazer arte para a vida das pessoas", contou Isaque.
"A cidade está evoluindo dentro das artes"Faz exatamente três anos que equipe do VIVER entrevistou o curador Isaque Alves, quando o Anjo Azul ainda era motivo de inquietações na cidade. Na época, ele contava da necessidade de abrir a galeria depois de ter tido a experiência com a saudosa "Taba". "Nestes últimos três anos consigo perceber o quanto a arte evolui na cidade. Cresceu não só o número de artistas envolvidos com as artes visuais e plásticas, como os espaços estão mais elaborados", disse Isaque. Em sua visão, a Anjo Azul veio modificar um pouco essa realidade e se tornar um divisor de águas, quando se tornou referência de um lugar adequado para exposições. "Para se ter um espaço de exposição de obras de arte precisa-se antes de tudo a elaboração de uma arquitetura especializada nisso. A iluminação direcionada às obras deve ser perfeita e todo o espaço neutro para que nada desvie o olhar do público", contou.
Para a noite de hoje, haverá além do deleite visual das obras de arte, a apresentação de um duo de sax e piano com Tereza Quintilhiano.
Serviço Exposição "Arte de presentear" na Galeria Azul. Aberta das 8h às 12h e das 14h às 18h. Sábado das 9h às 13 horas;