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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Muro divide militares e moradores de Cotovelo

Publicação: 11 de Dezembro de 2009 às 00:00
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"Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, Cotovelo não merecia ganhar um 'presente' desses." A afirmação do psicólogo Francisco Francinildo da Silva, que há duas décadas vive na praia, localizada no município de Parnamirim, se refere a um muro de 3,2 metros de altura, que há quatro meses tomou toda a visão do mar que se tinha da varanda de sua residência. A edificação foi erguida pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), entre a Rota do Sul e a beira-mar, totalizando 2.050 metros.

Alex RégisPerícia técnica feita por um especialista da UFRN comprova que o muro provoca danos ambientaisPerícia técnica feita por um especialista da UFRN comprova que o muro provoca danos ambientais
A estrutura vem prejudicando o visual da praia e também teria trazido prejuízos à vegetação local, já que parte da mata foi derrubada para dar lugar a uma estrada de piçarro que margeia o muro; e também à fauna, pois impede o deslocamento de diversos animais que costumavam "transitar" entre a Barreira do Inferno e a área urbana vizinha, como tatus, lagartos e até mesmo raposas. "E sem contar que tirou toda a ventilação de casas como a minha, já que bloqueou a passagem do ar", reclama Francisco Francinildo.

As críticas da comunidade local chegaram ao conhecimento do Ministério Público e a promotora de Justiça de Parnamirim, Luciana Maciel Cavalcanti, instaurou um inquérito no mês de setembro e convocou uma audiência pública para o próximo dia 15, na Procuradoria Geral de Justiça, em Candelária. O MP também já solicitou análises técnicas, que foram realizadas por especialistas do quadro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A equipe esteve no local em novembro e pelo menos um dos participantes, o ecólogo Luiz Antônio Cestaro, do Departamento de Geografia, considerou equivocada a decisão da Barreira do Inferno de erguer o muro. "É verdade que se trata de uma instituição que precisa ter cuidado com a segurança, mas não pode esquecer que está localizada praticamente dentro de uma zona urbana e precisa haver um tratamento especial em relação aos cidadãos que moram em sua volta", defende.

Em seu entender, o muro agride o patrimônio visual da praia, prejudicando a visão de moradores, cujas casas estão na área há muito tempo. Para o ecólogo, a infraestrutura construída é, de fato, "agressiva" e pode resultar em mais prejuízos ao meio ambiente local, por se tratar de uma barreira intransponível para as águas, ou os animais. Os habitantes de Cotovelo, inclusive, já observam os primeiros supostos efeitos negativos.

De acordo com quem mora nas proximidades, a erosão observada na estrada de piçarro recém-construída surgiu depois da obra. Já são visíveis os pontos onde a água tem aberto voçorocas, aos pés do muro. "Esperamos que tudo seja divulgado já na audiência do dia 15", torce o psicólogo.

Parte do muro desabou em setembro

Os blocos de concreto que formam o muro já foram ao chão em um trecho de cerca de 20 metros, ao lado de casas da praia de Cotovelo. Por sorte, o desabamento ocorreu para o lado de dentro da Barreira do Inferno. O fato ocorrido ainda no mês de setembro, em meio às fortes chuvas, aumentou o temor dos moradores em relação à própria segurança dos habitantes e empregados das residências vizinhas. Além de seus 3,2 metros de altura, a estrutura conta com uma cerca em seu topo, formada por material cortante, que amplia o medo das pessoas e o próprio visual "pesado" do muro.

De acordo com moradores, a estrutura é frágil porque não haveria sido erguida com o devido alicerce e sua base tem sido desgastada, em vários pontos, devido à erosão das chuvas na estrada carroçável aberta ao lado. O perigo é grande, uma vez que a "muralha" passa a poucos centímetros de algumas residências e, pelo seu tamanho, supera em altura os próprios telhados das casas.

Para o psicólogo Francinildo da Silva, esse temor é só um dos reflexos de um processo que já se iniciou de maneira errada. "Há 15 anos, quando a Barreira quis construir um muro, conversou antes com a comunidade e chegamos a um acordo. Os moradores não ficaram privados da vista e até mesmo as casas serviam de proteção, mas agora fizeram tudo sem ouvir ninguém", lamenta, lembrando que até mesmo para montar um jardim aos pés do muro, dentro de seu terreno, o psicólogo enfrentou resistência da CLBI.

O ecólogo Luiz Cestaro concorda que uma discussão prévia com a comunidade seria fundamental. Se o problema era segurança, ele entende que poderia ser erguida uma cerca com pouco espaço entre os arames, evitando a invasão do terreno da Barreira do Inferno e permitindo, inclusive, identificar onde estaria ocorrendo qualquer ato de vandalismo, embora os habitantes afirmem que "nunca houve problema de invasão do terreno da Aeronáutica".

Parecer confirma danos

A promotora de Justiça de Parnamirim, Luciana Maciel Cavalcanti, já conta com os resultados da perícia técnica realizada pelos especialistas da UFRN, a respeito do muro erguido nos limites da Barreira do Inferno. "A perícia é conclusiva de que há danos ambientais. Agora, aguardo os laudos do Idema e do Ibama para saber se a área é mesmo de dunas e especificar esses danos", enfatizou a representante do Ministério Público.

Ela espera contar com esses documentos o mais breve possível, uma vez que o pedido encaminhado ao Idema já foi reiterado diversas vezes. Além disso, na audiência pública da próxima terça-feira, dia 15, a expectativa da promotora é não só especificar as características da área e detalhar os possíveis danos, mas também apontar possíveis formas de compensação, pela a agressão cometida à natureza. "Os órgãos ambientais precisam se pronunciar", cobrou Luciana Cavalcanti.

Comando justifica

O Comando da Aeronáutica informa que a construção de um muro em torno do terreno do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) cumpre todos os requisitos exigidos pela Lei.  A Resolução Conama nº 369, de 28 de março de 2006, no inciso II do terceiro parágrafo de seu quarto artigo, isenta de prévia autorização ambiental as atividades das Forças Armadas, com vistas no cumprimento de sua missão constitucional, realizadas em área militar.

A área do CLBI já está demarcada desde os anos 60 com o intuito de resguardar seu patrimônio e garantir o cumprimento de sua missão institucional de preparar, lançar e rastrear engenhos aeroespaciais. O muro também é instrumento para assegurar a preservação do patrimônio ambiental resguardado nessa área militar.

O CLBI possui ainda laudos especializados que comprovam o acerto dos procedimentos de construção e a qualidade do material empregado, bem como detém o registro documental e fotográfico de todas as etapas da obra.

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comentários

henrique626@...11/12/2009 @ 11h45
Tanto as residências próximas à praia de Cotovelo quanto o CLBI estão ali instalados sob a ègide de concessão estatal, aquelas em terreno de marinha e este em próprio nacional.Quando grupos de ecologistas reclamam de agressão ao verde, certamente devem estar cobertos de suas razões. Mas, não há de ser discutida, também, a necessidade de segurança da instituição em apreço, que forma, na mesma linha, o cabedal de suas, também, razões.A questão reside no ranço existente em desfavor de instituições que, em verdade, não são muito simpáticas à população.Digo isso porque não vejo nenhuma movimentação desses defensores em favor dos residentes no Centro, por exemplo, quando construtores cercam imóveis modestos com seus prédios gigantescos, tirando ventilação, visão, etc.No caso em tela, qual a alternativa apresentada pelos partidos para a solução da questão de segurança do CLBI?
noel2018@...11/12/2009 @ 09h48
Que os danos sejam evidentes, disso eu não discordo, até porque sou estudante da UFRN e acredito muito na instituição. Agora dizer que os moradores estão preocupados com as causas ambientais de forma coletiva, disso eu discordo! Valoração imobiliária, essas são as palavras que definem o interesse da derrubada do muro. Como é dito na reportagem "A estrutura vem prejudicando o visual da praia...", o que pra mim fica evidente que os interesses são mais pessoais do que a de tentar manter a qualidade de vida a todas as espécies que lá vivem. Sem falar, que os moradores que lá habitam são pessoas de um certo poder aquisitivo, e que são 'vistos socialmente'. Natal está cheia de condomínios fechados - que convivem lado a lado com as diferenças sociais Outra dia fui para a casa de um colega no bairro de Lagoa Nova, e ao sair da casa me deparo com um enorme muro de um condomínio de luxo. Pergunta: os interesses ambientais da população foram respeitados? Foi considerado o fator "poluição visual"? Claro que não! E nunca vai ser... Natal e adjacências vivem da especulação imobiliária, e quando essa ação é 'barrada', encontram-se diversos meios que visem beneficiar esses tipos de empreedimentos, nem que sejam pelo uso de 'mecanismos ambientais' fatasiados em interesses que beneficiam grupos menores, e não um sistema em um todo.
fernandinhoeverinha@...11/12/2009 @ 21h38
A CLBi já esta instalada naquele local desde os anos 60, portanto quando as pessoas edificaram suas casas de praia(casas que em sua grande maioria ficam fechadas durante 10 meses no periodo de 01 ano) já sabiam que estavam morando ao lado de uma area militar, este é o mesmo tipo de problema que ocorre quando as pessoas vão morar em encostas de morros e quando vem as chuvas querem que a prefeitura faça alguma coisa e sem falar daquelas que foram morar ao lado do demolido presidio João Chaves e depois ficaram querendo que o presidio fosse desativado, até que conseguiram, masa o grande problema mesmo esta no MP de Natal e parnamirim que não fazem nada para deter as construções as margens do Rio Pitimbu e mais um empreendimento esta para ser lançado o stand de vendas já esta quase pronto, e cade o MP?
evaldo_alexandre@...11/12/2009 @ 17h31
Seu Francinildo não pense só em valorização do seu imóvel, o terreno é considerado área de segurança, as vezes penso que vc tá querendo que a Aeronautica faça os seus desejos. Leia a constituição antes de ponderar alguma coisa. àrea militar é tem que ser guarnecida sempre, principalmente nos tempos de hoje.
evaldo_alexandre@...11/12/2009 @ 17h23
Seu Francinildo com todo respeito, estou achando que vc vai querer ficar com o terreno da Aeronáutica. área de segurança Nacional tem q
jrskaue@...13/12/2009 @ 18h45
Parabéns pelos comentários, e verdade seja dita, muito humanitário e sensível preocupação pela divisão do muro. Me desculpe , interesse próprio e até parece que a suposta população de cotovelo, aquela menos provída de poder aquisitivo, tenha acesso a essa área. Se a área já está demarcada desde os anos 60 cabe respeitar a decisão da aeronáutica.Se a preocupação é tanta, basta olharmos para as dunas vegetais da via costeira que cada vez mais, devido a construções de hoteis, está diminuindo suas camadas de areia . Saudações.
marcusapaes@...12/12/2009 @ 18h12
É lamentavel termos estudantes que pensam da forma que pensa este noel, estes são os nossos futuros, haja saco! O que acontece é que existe a mania das pessoas julgar e condenar o que não sabem, ouviram falar! e logo metem o malho, pois é mais facil criticar que elogiar. O que ninguem percebe ou fazem vista grossa ou ainda, são Militares, é que esta é uma área que ninguem em sã conciência, pode pensar em invadir ou construir alguma coisa, é só vim ver e constatar que a vigilancia da Barreira é intensa, ate´helicoptero é usado para vistoriar este terreno, todos os dias e eu pergunto ao noel! quem paga a manutenção? e o combustivel desse helicoptero para ele passear todos os dias na área discutida?pergunte aos moradores do Pium quem foi que já não ficou detido por passar pelo mesmo para encurtar o caminho da praia. Falar é facil aqui não existe especulação imobiliaria, até porque se conseguir construir uma casa aqui nesta área, vai ter que pedir o helicoptero emprestado da barreira para poder sair, acordem! e venham ver o que estamos passando após a construção do muro, Pimenta no dos outros é refresco!
marcusapaes@...12/12/2009 @ 09h18
Não posso afirmar com certeza que estas pessoas: noel 2018, evaldo_alexandre e fernandinho e verinha, são moradores de cotovelo, pois pra falar asneiras isso tem muito aqui! É bom que estas pessoas saibam que todas as casas ao redor do muro (se é que isso possa ser chamado de muro) fazem parte do "Loteamento Recreio de Kutuvelo" que foi loteado pelo dono Sr.ISMAEL WANDERLEY GOMES em exatamente 782 lotes em 56 quadras em uma área de 69 ha e 8.754,00m2 de superficie no dia 12 de dezembro de 1969 conforme transcrito no Livro do Primeiro Oficio de Notas de Parnamirim, portanto Srs. falastrões e mal informados, o terreno murado não pertence a Barreira do Inferno e sim foi pela força dos anos 70 militarizados que se voces tiverem mais de 40 anos sabem disso, que a Barreira se apropriou de varias quadras de Lotes compostos de 10 cada. Procurem antes se informarem para não ficar criticando e julgando as pessoas que aqui moram, eu sou proprietário e vizinho da Barreira e voces? são daqui de Cotovelo? ou voces tambem são Militares e defendem a sua instituição. è melhor calar a boca que ficar falando o que não sabem, aprendam a se informar para depois tecer comentários.
zecaparaense@...12/12/2009 @ 07h17
E as inúmeras casas construídas literalmente na Praia de Búzios (Na areia da praia)???. E os bares construídos na Praia de Cotovelo???Também impedem a ventilação, o visual do mar, seus dejetos devem ser jogados ao mar...e aí???
jms.barros@...12/12/2009 @ 14h23
Os militares teem que ter a consciência que o Brasil mudou e eles não mandam mais em nada por aqui. A hora é do poder público tomar de volta as áreas nobres da cidade, que nos anos 60 foram tomadas pelos mesmos. Esse muro poderia ser derrubado pelos moradores das redondezas normalmente, e, caso os meganhas da falida aeronautica quisessem algo mais, seguranças particulares poderiam lhes dar as boas vindas.Vamos fazer um multirão e derrubar esse muro que os imbecis fizeram...e existem decisões contrárias ao posiciamento do comandantezinho da barreira do inferno...
marcusapaes@...14/12/2009 @ 10h36
Só para que fique bem claro aos que são a favor do Muro, e estes devem ser Militar, o custo do Muro que pagamos com os nossos impostos foi uma bagatela de R$853.000,00 ta bom pra ti! como diz um amigo meu "Toma-te!
marcusapaes@...14/12/2009 @ 10h25
Quando o "Muro" da Barreira (verdadeiro) Inferno, começou a ser construido, fiz uma perigrinação para falar com o Coronel Bayer (não sei se a escrita esta certo) estive por 3 vezes e só consegui entrar porque um amigo me apresentou um Major que foi quem conseguio a minha entrada, pois sempre que dizia o que eu queria , era falar a respeito do "Muro" não deixavam entrar, e olhem que existe um setor social lá dentro!Quando fui recebido o coronel me atendeu e disse que não tinha como me ajudar, porque ele estava chegando de outro estado para assumir a Barreira e me apresentou o Tenente Coronel (por sinal metido a Deus!) que disse que era o responsavel pelo muro e mandava parar ou continuar a construção com uma simples ordem, este "Deus" esteve em minha casa, apresentei os meus documento e pedi que ele apresentasse os da Barreira, ele mandou tirar fotos, veio com mais 4 oficiais. Eu disse a ele que ele fosse ao Cartório de Parnamirim para constatar que eu sou proprietário e a Barreira invadiu 15 metros do meu terreno me deixando com 20 centimetros de minha casa para o muro, fiquei como se diz com "um ferro de engomar", voces sabem qual foi a resposta desse "Deus"? que eu procurasse a justiça, pois daqui ha uns 10 ,anos quem sabe eu receberia uns 2.000,00 de indenização. Estes são os meus vizinhos! que com mão grande invadem o terreno alheio e se acha cheio de razão. Gostaria que esse comando viesse ao publico dizer quantos Foquetes, quantos balões metereologicos, quantas sondas, quantos qualquer coisa lançada pela Barreira, pois eu estou aqui ha 18 anos e ainda não vi nada e olhem que moro ao lado, sera que os nossos pagamentos de impostos valem isso?
Tribuna do Norte