"É importante reverenciar os momentos históricos do nosso País e iniciar os jovens nesses valores". Nas palavras do juiz federal Walter Nunes, o sentimento de patriotismo que tomou conta dos natalenses ontem, durante o desfile em comemoração aos 188 anos da Independência do Brasil, realizado na Praça Pedro Velho, bairro de Petrópolis. O magistrado fez questão de levar o filho para assistir ao evento, ambos vestidos com camisas verdes e amarelas da seleção brasileira. Durante três horas, a avenida Prudente de Moraes foi palco para a apresentação de estudantes, ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, escoteiros, militares das três forças, PMs, bombeiros e guardas municipais, entre outros grupos. O desfile começou por volta das 8h15 e durou até às 11h20. E o público foi de 12 mil pessoas.
Emanuel Amaral
Pelotão da Polícia Militar durante desfile na avenida Prudente de Moraes, no bairro de Petrópolis
O governador do Estado, Iberê Ferreira de Souza, marcou presença na tribuna de honra. A prefeita Micarla de Sousa não prestigiou o evento e foi representada pelo secretário-adjunto de Defesa Social, coronel José Davim. O juiz Walter Nunes conta que nasceu e se criou em Petrópolis e, desde pequeno, criou o hábito de frequentar a Praça Cívica no dia 7 de setembro. "Acho importante que meu filho também vivencie isso, assim como os jovens em geral", acrescentou. Já a aposentada Alzira Oliveira da Silva, 71, parecia ter recuperado um velho hábito. "Vinha quando era moça, mas fiquei muito tempo sem presenciar o evento. Acho esse desfile bonito e gosto de ver os militares marchando. Só tenho medo que os aviões caiam!", brincou dona Alzira.
A estudante Marta Gomes Morais não escondia o entusiasmo pelo dia da pátria. Para homenagear a data, chegou cedo à praça Pedro Velho e comprou logo um kit com bandeira e catavento nas cores do Brasil. "É uma homenagem ao desfile. Eu adoro essa data, que é muito especial. Sinto uma emoção grande e todo ano venho", disse. Compenetrada, balançando a bandeira e o catavento, Marta chamava a atenção dentre as demais pessoas que assistiam às apresentações. A técnica de enfermagem Ângela Maria também quer deixar o orgulho cívico como legado para as futuras gerações. "Sempre levei meus filhos para ver o 7 de setembro e hoje estou com o meu neto. Acho esse evento importante para a valorização da história do Brasil", definiu.
Logo após o desfile da Força Aérea Brasileira (FAB) em frente ao palanque principal, o céu de Natal foi cortado pelo voo de 4 AT-26 Xavantes, 4 A-29 Super Tucanos e 4 helicópteros H-50 Esquilo. Cada passagem das aeronaves por sobre a praça Cívica arrancava demorados aplausos da população. O desfile começou com a Banda de Música Mista, que precedeu a apresentação de alunos de escolas públicas estaduais e municipais, como o Atheneu, a Anísio Teixeira e a Berilo Wanderley. Em seguida, sucederam-se as bandeiras históricas como os veteranos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e ex-combatentes de guerra. O esquema de trânsito funcionou e não havia sinais de congestionamentos nas proximidades da praça Pedro Velho. Desde às 6h30 de ontem, diversas ruas e avenidas em Petrópolis haviam sido fechadas - total ou parcialmente - para o desfile.
Movimentos sociais fazem manifestaçãoQuando o desfile de 7 de Setembro já se encaminhava para o final, militantes de movimentos sociais que participavam do 16º Grito dos Excluídos conseguiram roubar a cena por alguns minutos. Três deles driblaram o esquema de segurança do evento e conseguiram entrar na Prudente de Moraes, sendo contidos e retirados pelos militares. Eles queriam chamar a atenção da população para a proposta de um plebiscito onde seria proposto um limite para o tamanho máximo das propriedades rurais. Participaram do ato partidos políticos, movimentos sociais como o MST, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), anarcopunks e grupos sindicais.
Sem conseguir acesso à área do desfile, os grupos se concentraram na esquina da rua Potengi com a Prudente de Moraes. Sob a vigilância dos soldados equipados com escudos e até cães amestrados, os manifestantes iniciaram uma batucada enquanto gritavam slogans em defesa do MST e contra a polícia. "Nós queremos desfilar" era um dos gritos de guerra. "Estamos em campanha para defender o plebiscito pelos limites da propriedade rural. Leis como essa existem na maioria dos países. No Brasil, 1% das famílias têm quase 50% das terras", explicou Eduardo Mara, representante da Assembleia Popular.
O militante afirmou, também, que 5 milhões de hectares de terras no Brasil pertenceriam a empresas estrangeiras. "É uma área maior do que o RN. Não dá para ser uma nação soberana com essa concentração", acredita. Ele disse que o objetivo dos manifestantes era entrar em acordo com a polícia para participar do desfile sem problemas, mas isso não foi possível. Com o encerramento do evento e a dispersão do público, a manifestação se esvaziou.