Música, teatro, história, literatura, folclore e cinema, são partes de um mesmo todo que se espalhará pela UFRN a partir desde domingo (dia 25), seguindo até 30 de julho. A 62ª edição da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um dos maiores eventos científicos do país, vai oferecer à comunidade local uma amostra diversa de atrações de alta qualidade, locais e nacionais. A SBPC Cultural é uma das vertentes principais do evento, e deverá levar milhares de pessoas ao campo universitário. Há atrativos para todos os gostos, horários, e ocasiões. O acesso é gratuito.
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Lia de Itamaracá abre a SBPC
A SBPC Cultural estará concentrada em nove pólos da UFRN, cada qual com uma programação específica: o Mosaico Cultural, no anfiteatro da Praça Cívica, espaço destinado aos grandes shows do evento; o Cenários Culturais, no estacionamento da reitoria, para exposições; Labirinto Cultural, no estacionamento, mostras de vídeos e pequenas apresentações circenses; Prosa Poética, no estacionamento da Comunica e Centro de Convivência, espaço para diálogos entre cultura popular e professores, em várias ações culturais.
Segue com Cientec Cultural, na praça cívica, Capela e EMUFRN, para mostras de dança, corais, oficinas e exposições; Praça do Choro, na Expot&C, o ponto do Buraco da Catita; Vitrine Cultural, na reitoria, para intervenções artísticas que integrarão moda e cultura; Expot&C Cultural, no estacionamento do ginásio, para inserções de apresentações culturais, incluindo Feira de Sebo do Beco da Lama, e a DEART, no Departamento de Artes, com encenações teatrais e oficinas de dança.
A programação é vasta. A abertura, neste domingo, será às 18h. Às 20h30 entrará em cena o espetáculo "Naiá Catarineta", um balé para orquestra, coral e solistas, formado por vários grupos da UFRN e da cidade. A encenação aborda a construção da nação brasileira, entre indígenas, africanos e ibéricos, chegando até a formação do Rio Grande do Norte.
Às 21h30, o palco da SBPC será tomado pela presença da pernambucana Lia de Itamaracá, a eterna Rainha da Ciranda. Lia gravou seu primeiro disco em 1977, e com o tempo passou a ser figura cultuada por fãs de música regional. Em 98, participou do festival Abril Pro Rock. Lia é a fonte de um refrão famoso, recolhido pela compositora Teca Calazans nos anos 60: "Esta ciranda quem me deu foi Lia/Que mora na ilha de Itamaracá". Às 23h, o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro mostrará sua MPB pop (ver entrevista ao lado).
A programação continua repleta de destaques ao longo da semana. No dia 26, terá Pedro Mendes (19h), Sueldo Soaress (20h), Isaque Galvão (21h), e Rosa de Pedra (22h); no dia 27, destaque para Os Ticuqueiros (PE), às 21h40; dia 28, do regional ao pop, com Babal, Carlos Zens e Marina Elali; dia 29, música instrumental com Octeto de Saxofones e Jerimum Jazz; e no dia 30, Forró na Manha (21h) e o baiano Tom Zé, às 22h, um dos nomes mais peculiares e cultuados da música brasileira.
Para cada preferência, uma boa atração. Na Praça do Choro, terá Catita Choro e Gafieira no dia 26; Antônio de Pádua no dia 27; Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz no dia 29; e grande roda de samba no dia 30. A nata da MPB potiguar será destaque no polo da Cientec Cultural, com apresentações o Circo da Luz e a capela da praça cívica. Entre eles, Romildo Soares interpretando Geraldo Carvalho, dia 26; no dia 27, projeto Retrovisor (Khrystal, Ângela Castro, Luiz Gadelha e Simona Talma); dia 28 é do rock, com Calistoga, Planant e Camarones Orquestra Guitarrística, a partir das 17h; no dia 29, destaque para Simona Talma, Zé Fontes e Baia, além de vários corais; o dia 30 será dos grooves, da MPB e do rock, com Tribunal Zen, Esso, Orquestra Boca Seca, Grogs, e Pangaio. Entre os demais pólos, uma infinidade de atrações diárias. Destacam-se as exposições fixas no estacionamento da reitoria: Natal Cidade Memória; Museu de Naus; Olhar Cidade: Fragmentos; Natal Futurista, e Mostra de Arte Newton Avelino.
Para Yanna Medeiros, produtora cultural da SBPC, a cultura reflete a temática científica do evento. "Toda a programação gira em torno da apreciação, da reflexão e da produção de conhecimento da arte, considerada em sua diversidade, em seus processos criativos e sua sustentabilidade. Portanto, há um diálogo da cultura artística com a científica, sobretudo pelo fato da primeira ser considerada para além de seus aspectos de entretenimento", diz.
Serviço:62ª SBPC. De 25 a 30 de julho, na UFRN. Acesso gratuito. Informações: <www.sbpcnet.org.br/natal> ou 3215-3237.
Bate-papo/ cantor e compositor Zeca Baleiro O Fim de Semana conversou com o compositor Zeca Baleiro sobre sua apresentação na abertura da SBPC, no próximo domingo. Confira
O coração do Homem Bomba é um registro que mistura protesto e muita saudade. Fale um pouco sobre ele. O show da SPBC será focado neste registro?Farei um show mais, digamos, "genérico", com músicas de todos os discos, mas com pequena ênfase neste último trabalho. É um disco sonoramente muito leve, apesar do tom crítico das canções. Um disco feito pra divertir.
Você vai cantar na SBPC para um público de todas as idades. Como você vê hoje seu trabalho? E a importância de tocar num evento como esse?Sempre bom tocar pra um público grande e diverso como esse. Vejo com bons olhos, acho que venho construindo uma carreira da qual me orgulharei na velhice rs...
Certa vez você disse que as letras das músicas surgiam a partir de pedaços do cotidiano. Como funciona hoje teu processo de criação? Os classificados têm vez? E a poesia? O que você está lendo hoje?Tudo tem vez - a convs sonhos, ersa de bar, os livros que leio, oas memórias... Tudo pode ser motivo. Meu processo de criação continua o mesmo, igual à minha vida, fragmentada e caótica.
Ruy Guerra disse que o cinema hoje está sem criatividade, pois os diretores não leem ficção. Você acredita que isso acontece na música?São territórios muito distintos, né? Talvez valesse dizer que a música perde quando os criadores não ouvem o que deveriam ouvir, os compositores fundamentais.
E o mercado hoje? Te dói?Dói ver a falência do disco apenas, objeto/produto pelo qual tenho grande carinho. Mas essa "crise" abriu também portas muito interessantes para os artistas da música.
E o próximo disco? O que tem de bala na tua agulha? O que você sonha hoje? O menino que carregava balas nos bolsos no Maranhão ainda está vivo?Já estão saindo, em agosto, dois discos, "Trilhas" - coletãnea de trilhas que fiz pra cinema e dança - e "Concerto", um show de cordas gravado ao vivo, com várias releituras e algumas inéditas. Também lançarei dois livros, tudo para celebrar os 13 anos de carreira, num pacote intitulado "Vocês vão ter que me engolir". O que sonho? Sonho continuar fazendo o que faço, com o mesmo prazer e encantamento de quando eu era menino...