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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:38

Noites mal dormidas

Publicação: 14 de Maro de 2010 às 00:00
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Hilton Marcos Villas Boas - Psiquiatra

Apesar de já termos abordado este tema, voltamos ao mesmo dado à sua importância, bem como devido à alta incidência de insones na população em geral, e pela complexidade do seu diagnóstico e tratamento. Encontramos estudos que mostram que até 20% da população geral, refere noites mal dormidas ou de insônia.

Insônia, no entendimento popular, se pode traduzir como a dificuldade para dormir, implicando aí tanto a dificuldade para iniciar, como manter o sono, comprometendo as atividades do indivíduo no dia seguinte.

O conceito de insônia pode ser definido também como: a sensação e a percepção do paciente, que o seu sono não é "normal".

E o que é sono "normal"?

Podemos dizer, que para o indivíduo ter um sono "normal", o mesmo necessita de três requisitos básicos: a - boa quantidade, b - boa qualidade e c - bom ritmo de sono.

a - Quantidade de sono: é considerado ideal 6h às 8h de sono para a população como um todo, no entanto, não significa que quem dorme um pouco mais ou um pouco menos, está fora do ideal. O que vai definir, a quantidade ideal de horas de sono de cada um, é: o acordarmos dispostos, satisfeitos, e principalmente no dia seguinte, passar bem, sem sonolência, apatia, mau humor e etc. 

b - Qualidade do sono: é a estrutura ou arquitetura do sono do indivíduo. Nosso sono é divido em 05 estágios, cada um apresenta uma característica fisiológica específica. Os cinco estágios do sono vão formar o que denominamos de ciclo do sono, que tem a duração em média de 90 minutos, e durante a noite é repetido em uma média de quatro a cinco vezes.

O nosso sono pode ser divido em duas fases (nomeadas por siglas da língua inglesa): REM (Movimento Rápido dos Olhos) e NREM (Movimento Não Rápido dos Olhos).

Fase I - O estado do sono NREM, corresponde a 75% do período do sono, e é composto por quatro estágios:

- Estágio 1 - estágio de sonolência, quando o indivíduo começa a sentir as primeiras sensações do sono (aqui se pode despertar o indivíduo facilmente).

- Estágio 2 - sua duração é em torno de 5 a 15 minutos, a atividade cardíaca é reduzida, a temperatura do corpo cai e ocorre um relaxamento da musculatura (mais difícil o indivíduo ser despertado).

- Estágio 3 - semelhante com o estágio 4, diferencia-se apenas em relação ao nível de profundidade do sono, que é um pouco menor (bem mais difícil o indivíduo ser despertado).

- Estágio 4 - dura em média, cerca de 40 minutos, é o estágio onde o sono é muito profundo. A fase do sono NREM é muito importante para o corpo, pois durante a mesma temos: a secreção dos hormônios do crescimento; a recuperação da energia física, pois é esta a fase onde realmente existe um descanso profundo e pouca atividade neural. Completado o quarto estágio do sono, o indivíduo retorna ao estágio 3, estágio 2 e entra na fase REM.

Fase II - A fase REM, caracteriza-se pela intensa atividade cerebral, semelhante ao estado de vigília, nessa fase ocorrem movimentos oculares rápidos, (explicação para o nome da fase), e também é a fase em que os sonhos acontecem. Apesar da fase REM, não resultar em um descanso profundo, a mesma é importante para a nossa recuperação emocional. Portanto são esses estágios e fases, que compõe a estrutura ou arquitetura do sono. A mesma pode ser avaliada através de um exame de monitorizarão do sono, chamado polissonografia, o qual é de estrema importância para a avaliação, diagnóstico e tratamento da insônia.

C - Ritmo do sono: podemos dizer que é o condicionamento que o indivíduo possui para iniciar o sono e acordar, á média da população é um ritmo de inicio por volta de 23h e termino em torno de 6h.

Após esta rápida abordagem sobre o sono, e entendendo um pouquinho como o mesmo acontece, agora penso que podemos conversar melhor sobre a insônia.

Para compreendermos a insônia, se faz necessário que busquemos uma visão sistêmica da mesma, explorando os mais diferentes fatores que compõe o universo dela, ou de quem sofre com ela, o insone.

O primeiro fator importante, não poderia deixar de ser o constitucional, ou fator genético, o qual nos predispõe ou não a sofrer de insônia durante nossa vida. Esse fator, "é como um defeito de fabrica", a partir do momento da nossa concepção já ele fará ou não parte de nossa carga genética, não temos como evitar. Tal fator ganha interesse maior, quando da entrevista do insone, pois em muitas ocasiões há o relato de insônia ainda quando criança.

Junto ao fator genético, pode ser criado um substrato biológico muito importante com a condição de o indivíduo ser insone ou não, que é uma disfunção de uma estrutura do nosso sistema nervoso central (SNC), chamada de eixo hipotálamo/hipófise/adrenal. Essa estrutura, esta envolvida na liberação do hormônio cortisol, o qual apresenta, maior nível no sangue no início da manhã, e uma queda no final da tarde. Os trabalhos mostram que nos insones crônicos, a uma hiperatividade desse eixo, promovendo uma inversão do padrão de liberação do cortisol, menos cortisol pela manhã e mais cortisol à noite. Essa alteração provoca no indivíduo um estado de hiper alerta, levando o mesmo a uma insônia primária.

Até a próxima semana, com a segunda parte do artigo, e um bom final de semana a todos.


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