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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

"Nosso foco é hotel de negócio"

Publicação: 08 de Novembro de 2009 às 00:00
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Por Anna Ruth Dantas

Na presidência da segunda maior rede de hotéis do Brasil, o americano Paul Sistare, fundador da rede Atlantica Hotels, mostra-se otimista com a situação hoteleira brasileira e aposta que, em poucos anos, o país será referência de qualidade nesse setor.
"Está chegando a época em que as pessoas dirão que qualidade de hotel será o Brasil. O Brasil será o líder em qualidade na rede hoteleira", destaca. Não seria uma aposta alta demais, já que vivemos um período de crise econômica? Paul Sistare responde negativamente e mostra números que contradizem com o cenário mundial.
Alex RégisPaul Sistare, fundador da rede Atlantica Hotels, mostra-se otimista com a situação hoteleira brasileiraPaul Sistare, fundador da rede Atlantica Hotels, mostra-se otimista com a situação hoteleira brasileira

"A Atlantica está com negócio 5% acima do ano passado. Não temos crise. 2008 foi nosso ano de recorde. 2009 já temos novo recorde", argumenta o empresário, citando que a baixa no negócio da rede hoteleira nos Estados Unidos chegou a 20% menor que o ano passado.

A "receita" apontada por Paul Sistare para fugir da crise é investir em pessoal e no próprio negócio. "Quando você tem crise a primeira coisa que o empresário corta é venda, marketing e pessoas. Não. Eu fiz a promessa de que a Atlantica não cortará nada disso. Em realidade a Atlantica vai investir nas pessoas", completa.
Além dos negócios, Paul Sistare também se mostra muito empolgado com outro trabalho: o Childhood, uma organização não-governamental que luta contra a exploração de crianças e adolescentes. "Conseguimos mudar a vida de crianças", destaca  o empresário.

O convidado de hoje do 3 por 4 é um empresário simples no falar, deslumbrado com as ações sociais e que aposta no surgimento e crescimento de novos negócios no turismo.

Com vocês, o que pensa e planeja Paul Sistare.

Como "construir" a segunda maior rede de hotéis do Brasil?
Essa é uma boa pergunta. Comecei há 15 anos com a rede, como primeiro investidor, primeiro empresário dessa rede (Atlantica). Quando cheguei aqui todo mundo estava com dúvida, se havia como levantar uma companhia de hotéis (uma rede congregando várias bandeiras), porque tínhamos concorrência em grandes bandeiras. Nós somos a segunda maior rede, mas isso não foi minha visão quando cheguei no Brasil. Minha visão foi que o Brasil tinha uma grande oportunidade em hotéis na área de nível médio. Sabe que 10 anos atrás, você lembra, você tinha dois tipos de hotéis: o cinco estrelas e aqueles que tinham zero estrelas. Não havia nada no meio. Isso foi a nossa idéia para criar uma companhia de hotéis na área de classe média. Quando eu comecei com isso o primeiro desafio não foi oportunidade, não foi investimento. Foi pessoal. Talento (encontrar profissionais) foi o desafio. Eram necessárias pessoas que precisavam operar o hotel. Agora somos a maior rede independente de hotéis do Brasil , isso porque nossos concorrentes dependem de uma bandeira. A Accor, por exemplo, depende da bandeira. A Atlantica é a única companhia que se você quiser qualquer bandeira a gente pode operar. Não somos donos das bandeiras, mas temos um acordo com exclusividade dessas bandeiras. A Atlantica trouxe essas bandeiras para o Brasil. A bandeira Radissom já ganha a bandeira da melhor de luxo do Brasil. Temos parceiros de exclusividade dessas bandeiras que levantam nossa companhia. Mas o segredo da Atlantica não são nossas bandeiras (a rede opera com 10 bandeiras de hotéis), não é nossa liderança, não é o presidente. O segredo da nossa rede é nossa equipe. Quando eu chego aqui (em Natal) falo com uma pessoa que estava com nosso hotel Quality em São Paulo, outra pessoa estava em Fortaleza, outra em Recife. Nossa equipe tem muita experiência na área de hotelaria.

Como o senhor diferencia as bandeiras operadas pela rede Atlantica? Parece que essa rede está sempre buscando o turismo   de negócio.
Nosso foco é de hotel de negócio. Esse (o Quality em Natal, onde ele se hospedou) é um hotel na praia, mas um hotel de negócio. Esse é um grande sucesso para nós. Antigamente, você queria um hotel de negócio e tinha que ficar no centro da cidade. Certamente,  o centro de Natal é muito bonito, mas mais bonito é ficar em frente a praia. Aqui é um hotel de negócio em frente a praia, durante a semana é lotado e no final de semana é lotado também. Isso é um grande sucesso para nossos investidores. Mas voltando a sua pergunta sobre as bandeiras, quando a Atlantica chegou aqui tivemos uma situação com nossos negócios.  É difícil quando você entra em um hotel com uma bandeira e não é isso que você vai receber. Com a Atlantica você tem um grupo de média classe, atendimento bom, bom produto, produto moderno e focado na área que as pessoas podem buscar, é um tipo de hóspede para o tipo de bandeira. Temos o Comfort um produto que você tem uma ótima cama, ótima área para trabalhar, business center, ótimo café da manhã. Essa foi nossa primeira idéia. Quando você está viajando você quer uma ótima cama, ótimo chuveiro e ótimo café da manhã. Essa foi nossa primeira idéia. Mas antes da Atlantica chegava aqui (em um hotel de bandeira) você pegava uma cama mais ou menos, chuveiro sem força, um café da manhã mais fraco. Na Atlantica a gente cresceu com isso. Na classe superior é um hotel com um pouco mais de atendimento. O hotel superior tem room service 24 horas por dia, área de reuniões, coisas que você quer e nós temos aqui. E você vai pagar por isso. Nossa bandeira luxo é Radissom e tem as boutiques Clarion, essa é uma boutique. Essa é a mais luxuosa. Radissom é alto padrão, mas esse pode ser um hotel com 300 apartamentos. Mas o Clarion tem mais ou menso 100 apartamentos, mas bem luxuoso, como boutique, um hotel de charme. O Clarion em São Paulo ganha o melhor hotel do mundo nessa categoria.

O que o levou a investir no turismo de negócios, fugindo do turismo de passeio?
Havia um vácuo no mercado. Antes de fundar a rede, quando estava visitando o Brasil não encontrava o hotel com tudo que precisava, wi fi, com internet e boa cama. E também os brasileiros são bem sofisticados. E quando ele está viajando ele está esperando o mesmo padrão no país dele. Quando você está fora do Brasil e volta você quer ficar em um hotel que estava acostumado nos Estados Unidos, na Europa. O brasileiro compara e pergunta por que no seu país não tem. No Atlantica você tem tudo que pode encontrar. Nosso nível de qualidade e falamos disso com nossa equipe, o primeiro prêmio platinum foi o Quality em Belo Horizonte, fora dos Estados Unidos. Isso é o Quality Afonso Pena (em Belo Horizonte) nenhum hotel tem mais prêmio no mundo (entre todos da bandeira). Todos falam do produto brasileiro. As pessoas dizem que quando estão pensando em serviço de luxo pensam na Europa, em hotel de negócio pensam em hotel na América do Norte. Mas acho que está chegando a  época em que as pessoas dirão que qualidade de hotel será o Brasil. O Brasil será o líder em qualidade na rede hoteleira.

O senhor não está com uma visão muito otimista em um momento de crise econômica?
Que crise? Não há crise! Sério! No ano que começou eu converso com toda minha equipe e digo logo: por favor retire do seu vocabulário a palavra crise. Não temos crise, temos um desafio. Sabe o que acontece?  Digo a você alguns números da movimentação da rede hoteleira: agora nos Estados Unidos é quase 18% menor que o ano passado. Na Europa a rede hoteleira está 32% menor que 2008. A Ásia é 21% abaixo. Na América Latina os negócios estão 20% abaixo. No Brasil é somente 1% abaixo de 2008. A Atlantica é 5% acima. Não temos crise. 2008 foi nosso ano de recorde. 2009 já temos novo recorde.

Então o que a rede Atlantica faz que as demais não fazem? Seus números contradizem com todo cenário da economia mundial e do próprio segmento da rede hoteleira mundial.
Realmente é muito contraditório. Mas eu vou explicar. Desde o início do ano temos uma reunião com todos os gerentes e sempre deixo uma mensagem para eles. Esse ano, diferente de todos os meus colegas (de outras redes hoteleiras) eu fiz três promessas: a Atlantica não cortará nenhuma pessoa de vendas, vai aumentar nosso pessoal de vendas e marketing e vai investir mais em nossas pessoas. Quando você tem crise a primeira coisa que o empresário corta é venda, marketing e pessoas. Não. Eu fiz a promessa de que a Atlantica não cortará nada disso. Em realidade a Atlantica vai investir nas pessoas. E a terceira promessa (que fez aos funcionários) foi renovar o nosso investimento de capital. Temos orçamento de mais de R$ 24 milhões para investir nos nossos hotéis. Temos três coisas: pessoas, vendas, produtos. Todos os nossos concorrentes eles cortaram tudo. Eles tiraram o hotel que teria para investir no hotel.

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