Maria Betânia Monteiro repórter
As pautas jornalísticas relativas à ciência e tecnologia e as instituições que geram essas informações, como universidades e fundações, por exemplo, devem ganhar espaços mais generosos em 2010, e não é só por conta do congresso da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, realizada este ano no RN. Pelo menos no que depende da Fundação de Apoio à Pesquisa do RN (Fapern) que lança hoje, no Teatro de Cultura Popular, a partir das 19h30, o edital Mídia e Ciência, cujo objetivo é conceder bolsas a profissionais da área para trabalhar junto aos veículos de comunicação, divulgando a ciência e a tecnologia potiguar e qualificando os profissionais para trabalhar com o jornalismo científico. O anúncio será durante o lançamento de quatro novos títulos da coleção Patrimônio Cultural Potiguar, além do livro Ciência e Imprensa: convergências possíveis. Na ocasião haverá também a assinatura de termos de cooperação para a viabilização da divulgação científica, além da entrega do Prêmio Fapern de Jornalismo.
Divulgação
Isaura Rosado: "A sociedade precisa saber como são utilizados os recursos na ciência"
"A divulgação do trabalho científico é importante porque a sociedade precisa saber como estão sendo utilizados os recursos investidos na ciência e na tecnologia e quais os resultados destes investimentos", declarou Isaura Rosado, diretora da instituição.
A coleção de livros Patrimônio da Cultura Potiguar foi iniciada pela Fundação José Augusto - FJA quando a atual presidente da Fapern respondia por aquela fundação. Através da FJA a coleção reuniu seis livretos. "Aqui lançamos mais quatro, de forma que temos 10 livretos sobre o patrimônio cultural potiguar", explicou.
Através de novo edital, a coleção passou a agregar outros títulos, dentre eles os quatro que serão lançados na noite de hoje. Os livros são 1935, Setenta anos depois, Bom Dia Moderno Potiguar, Bom Dia Sertões e Bom Dia América de 500 anos. "No Bom Dia Sertões enfocamos a obra de Oswaldo Lamartine, que é um dos melhores sertanistas do Estado. Também enfocamos a obra de Otoniel Menezes e seu poema épico sobre os sertões do Rio Grande do Norte, O Sertão de Espinho e de Flor", contou Isaura Rosado. No Bom-Dia Moderno potiguar, o professor Humberto Hermenegildo traça um perfil do Movimento Modernista aqui no Estado. "Em Bom Dia América de 500 anos, nós tentamos captar a influência do negro, do europeu e do índio, na formação da cultura no Estado do RN", contou Isaura. "O 1935, Setenta Anos Depois é um livro bastante interessante, ele foi feito num período para celebrar os 70 anos do movimento comunista de 35 que aconteceu aqui no RN. Tivemos a oportunidade de ouvir três ou quatro pessoas que tinham vivenciado o movimento e que já faleceram, além de pesquisadores da universidade e de pessoas ligadas aos Direitos Humanos. 1935, Setenta Anos Depois, tornou-se um livro bastante rico pelo que ele conseguiu aglutinar de informações sobre o movimento de 35", concluiu Rosado.
Veículos potiguaresAlém do lançamento do edital Mídia e Ciência, haverá ainda a entrega do Prêmio Fapern de jornalismo a 5 profissionais, selecionados dentre um grupo de 64 trabalhos inscritos no valor de 17 mil reais. Sobre o assunto, a entidade vem realizando, nos últimos três anos, uma pesquisa acerca das informações de cunho científico e tecnológico publicadas nos jornais impressos do Estado. Dessa pesquisa saiu um levantamento, fornecido com exclusividade durante a apuração desta reportagem: em 2007 constatou-se 253 inserções na mídia falando sobre ciência e tecnologia, além de 63 páginas publicadas em jornais impressos. Em 2008 houve um salto. Foram 845 inserções e 250 páginas nos jornais. No último balanço realizado em 2009, a Fapern comemorou as 1258 inserções e as 493 páginas dedicadas aos dois temas.
De acordo com este mesmo levantamento, dentre os 12 veículos de comunicação impressos no Estado, o jornal TRIBUNA DO NORTE é apontado como o que mais contribuiu com a divulgação científica no Estado em 2009, em número de publicações. Sobre os dados da Fapern, o diretor de redação da TRIBUNA DO NORTE, Carlos Peixoto, diz avaliar de forma positiva este resultado, mas ele acredita que pode melhorar. "O esforço na cobertura de assuntos científicos, tanto na Tribuna quanto nos demais jornais do Estado, deveria ser maior", disse. "Nós tínhamos um encarte de divulgação científica semanal na Tribuna. Não demos continuidade pelas dificuldades na comunicação com as instituições acadêmicas", justificou o diretor. Segundo ele, o trabalho realizado pela Fapern é importante por mostrar à mídia e à academia, que o estreitamento nas relações traz bons resultados.
Jornalismo científicoJá o livro Ciência e Imprensa: convergências possíveis, que também será lançado na noite de hoje, é resultado do curso Jornalismo Científico, promovido pela Fundação em 2007. O livro traz o conteúdo das aulas dadas durante o curso de Jornalismo Científico, com informações preciosas sobre fontes de pesquisas. Outro material que faz parte do livro é a coletânea de artigos divulgados na mídia pelos alunos do curso. "O livro vai ter um grande uso, inclusive pela escassez de material didático nesta área. No Brasil existem poucos títulos sobre produção e divulgação científica", relata Mônica Costa, que na ocasião, coordenou o curso. A tiragem é de 500 exemplares cada, e estarão nas prateleiras das livrarias de Natal na próxima semana. "Serão vendidos à preço de custo", enfatiza a diretora.