O adeus a Claude Nobs, criador do Festival de Jazz de Montreux

Publicação: 11 de Janeiro de 2013 às 15:22

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Por Jamil Chade, correspondente

Um dos grandes responsáveis por abrir as portas do mundo para a música brasileira morreu na noite de quinta-feira (10), no Hospital Universitário de Lausanne, na Suíça. Claude Nobs, fundador do Festival de Jazz de Montreux, ficou 17 dias em coma após um acidente de esqui ocorrido na véspera do Natal, na pequena vila de Caux. O suíço de 76 anos deixa um dos eventos mais prestigiados da música no planeta, um dos maiores acervos audiovisuais do século 20 e um palco que se confunde com a própria história da MPB.

Nobs, filho de um padeiro, foi chamado nos anos 60 ao pequeno vilarejo de Montreux para trabalhar como cozinheiro nos hotéis da cidade. Mas, pouco tempo depois, foi convidado pela prefeitura local para ajudar a criar alguma estratégia para chamar a atenção de turistas para a cidade aos pés dos Alpes e à beira do Lago Leman. Nobs, apaixonado pela música, sugeriu criar um festival de jazz e chamar os maiores músicos da época.

O projeto chegou a ser alvo de ironia, diante do improvável sucesso em conseguir convencer que os grandes astros viajassem até um vilarejo no meio das montanhas suíças. Nobs não desistiu e viajou até Nova York para convencer os patrões da Atlantic Records a apoiar o projeto.

Funcionou. Em 1967, subiriam ao palco os primeiros astros e, poucos anos depois, uma leva sem precedentes de brasileiros chegaria a Montreux, convidados por Nobs, um pioneiro na promoção da MPB. O festival abriu suas portas para João Gilberto, Tom Jobim, Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso Vários deles chegaram a gravar discos ao vivo no evento que acabariam marcando suas carreiras. Para os próprios músicos, foi a iniciativa de Nobs que permitiu que a MPB, já com êxito nos EUA, passasse a fazer parte do cenário artístico europeu.


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