Valério Andrade - crítico de Televisão Em um filme estranho e fascinante, "Jennie", o pintor se apaixona por uma menina-moça que aparece e desaparece sem que ele saiba de onde veio e nem para onde vai. O mais intrigante é que a cada aparição ela está mais velha. Após perpetuar a beleza de Jennie num quadro, o pintor fica sabendo que ela morreu há muito tempo - e não voltará a encontrá-la.
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Daniel, de Escrito nas Estrelas, vive um amor além da vida
O retrato de ValentinaA relação entre Valentina e Viviane, ambas interpretadas por Nathalia Dill, começa através do retrato que Ricardo (Humberto Martins) contempla na tela do computador. A semelhaça física entre ambas deixa o médico intrigado. A coincidência, também: Valentina norreu aos 26 anos de idade, em Toledo, Espanha, em 1839 - Viviane também está com 26 anos.
O triângulo da morte
Valentina e Viviane são a mesma pessoa. Por causa dela, na última encarnação, Ricardo, que era o seu marido, foi morto em duelo de espada. Daniel, que havia retornado para se redimir do seu pecado, foi quem o matou.
E, novamente, movido pelo amor possessivo, Daniel, agora na condição de espírito, está usando poderes malignos para voltar a matar Ricardo - o pai adotivo que o amava. O ódio dele advém do ciúme, e, mesmo pós-morte, este ciúme persiste. Por não ter evoluído espiritualmente, Daniel acha-se sob a influência das emoções e fraquezas humanas - e das maldades, também.
A servidão amorosa
Em Escrito nas Estrelas, sobrevivendo além da vida, a paixão aprisiona a alma de Daniel, provocando sofrimentos entre os mortos e os vivos.
Em Passione, Totó (Tony Ramos), vítima da cegueira da paixão, sofre as humilhações e as dores dos anti-heróis do expressionismo alemão e do filme noir americano dos anos 40. Em ambos personagens, Daniel e Totó, o amor foi a perdição.
O vilão é a vítima
Mas entre Daniel e Totó existe uma diferença fundamental. O primeiro age como vilão. O segundo é vítima. Entre as heroínas, também existem diferenças. Viviane não é má. Clara (Mariana Ximenes) é a encarnação do Mal.
No final de "Um Retrato de Mulher", Edward G. Robinson foge do quadro da mulher que o seduziu. Depois de comunicar a mãe, Bete (Fernanda Montenegro), que se libertou de Clara e que ela será entregue a justiça. Apesar de saber que ela não presta e que jamais gostou dele, Totó senta-se na cadeira e fica contemplando o corpo adormecido da esposa - é a chama do poder da carne que ainda não se extinguiu no seu coração e na sua mente.