Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 26°Natal - 26°

Artigos

Natal, 09 de Janeiro de 2010 | Atualizado às 12:31

O combustível do futuro

Publicação: 10 de Janeiro de 2010 às 00:00
tamanho do texto A+ A-
Carlos Eduardo - Advogado e ex-prefeito de Natal

Em 2010, o consumo do biodiesel no país deve chegar a 2,4 bilhões de litros. Isto porque, em boa hora, o presidente Lula assinou decreto aumentando para 5% o percentual do biodiesel a ser acrescentado no óleo diesel, um decreto que antecipa em três anos a meta do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. É também mais um importante passo para que o nosso país se torne uma referência em desenvolvimento sustentável. Afinal, na recente conferência sobre o clima em Copenhague, a delegação brasileira apresentou o plano de reduzir as emissões de gás carbônico entre 36,1% e 38,9%, responsáveis pelo efeito estufa, colocando-se à frente de várias nações, já que o resto do mundo apresentou propostas tímidas para não dizer ineficazes.

Essa notícia tem grande importância para a nossa economia, pois temos todas as condições de sermos grandes produtores de biocombustíveis, assunto que não tem sido muito ventilado entre nós. E é aquela velha história. Não podemos perder mais essa oportunidade de buscar um desenvolvimento sustentável e rentável. É preciso enxergar o futuro que se abre e estarmos aptos a aproveitar mais essa oportunidade. No Brasil, hoje existem 65 usinas de biodiesel em funcionamento. Para este ano, estão previstas 8 novas usinas. Além da soja, já existe tecnologia para produzir esse componente a partir da mamona, do girassol, da palma, do pinhão manso e de um tipo de gramínea chamada crambe. Aqui no Estado, temos solo e clima favoráveis para a produção do girassol, da palma e da mamona. Mas o que falta? Um olhar atento do governo para garantir assistência técnica e preço aos produtores da agricultura familiar. Isso iria gerar um ciclo de desenvolvimento para os pequenos produtores, assegurando mercado para esses produtos e a conseqüente geração de novas riquezas no interior do Estado, o que vai atrair por gravidade o comércio e os prestadores de serviço e alimentar uma cadeia de desenvolvimento.

Principalmente porque sobre a soja, alguns especialistas advertem que a chamada mistura B5, isto é os 5% do biodiesel, pode incentivar um consumo excessivo do óleo de soja. Como se sabe, ela é básica na alimentação humana e de animais e uma demanda muito forte pelo produto pode significar um aumento no preço dos alimentos. Mas o governo federal garante que o país está preparado para fornecer soja o suficiente para atender o mercado. Para o governo, a safra 2009/2010 deverá ser recorde. De toda forma, temos como trunfos o girassol, a mamona e a palma, que não põem em risco qualquer possibilidade de desabastecimento do mercado, seja humano ou animal. Já é sabido que os produtores do biodiesel pretendem aumentar em 1% ao ano a participação do componente no diesel. A meta deles é que até 2015 a adição do produto ao diesel vendido no país suba para 10%. Nas regiões metropolitanas, o objetivo é ampliar para 20% o biodiesel usado na composição do combustível.

www.carloseduardoalves.com.br 

  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
Publicidade
Publicidade
Tribuna do Norte