O custo de um deputado
Publicação: 01 de Março de 2011 às 00:00
A reportagem da Tribuna do Norte, de domingo, na qual é revelado o quanto custa um deputado estadual ao erário, balançou o coreto da política local. É verdade que o sismo só atingiu um lado do coreto. Por isso, a retreta não sofrerá continuidade, até porque as veredas por onde se desviam os mistérios da política brasileira vão até o infinito. São inalcançáveis. Quase no mesmo instante em que a reportagem assinada pela repórter Maria da Guia Dantas saía aqui em Natal, o jornal Estado de S. Paulo divulgava outra colhida na mesma fértil e rica várzea do Poder Legislativo: o enriquecimento dos presidentes das assembleias.
O texto do jornal paulista, assinado por Alfredo Junqueira, diz em latim bem claro:
"Dos 27 deputados estaduais que comandam atualmente as Assembleias Legislativas de seus Estados, 13 apresentaram expressiva evolução patrimonial nos últimos quatro anos. Onze tiveram crescimento acima de 100%. Outros dois declararam patrimônio zerado em 2006 e entregaram certidões com valores acima de R$ 100 mil no ano passado".
A fonte é o próprio Tribunal Superior Eleitoral que acrescenta: 18 presidentes de Legislativos estaduais declararam ter patrimônio acima de um R$ 1 milhão.
Na reportagem de Maria da Guia Dantas, aqui da Tribuna do Norte, a manchete da terceira página do primeiro caderno estampa: "Cada deputado estadual custa R$ 1,1 milhão por ano". Em números exatos a grana é de 1 milhão, 157 mil, 556 reais e 60 centavos, somando com os valores de hoje, desta semana. A soma poderá crescer, caso aconteça algum reajuste. Aqui e acolá, acontece. É da tradição "republicana".
Um deputado estadual no Rio Grande do Norte tem salário mensal de R$ 20.043,68 (foi reajustado recentemente). Some-se a isto uma "verba indenizatória" de R$ 24.057,90, todos os meses. Como se vê a "verba indenizatória" é maior que o "salário fixo". Os dois juntos dão a cada deputado, todos os meses, R$ 44.101,58. Não fica nisso. Um deputado recebe 15 salários/ano. Além do 13º, tem direito a duas "ajudas de custos", cada uma no valor de R$ 20.043,68.
Têm mais vantagens. Cada deputado fatura um adjutório extra para o seu gabinete no valor total de R$ 43.708,20. Com essa grana, ele pode nomear um chefe de gabinete, um assessor parlamentar, um secretário de gabinete, dois assistentes políticos, um técnico em processamento de dados, um agente administrativo e um motorista. São nove. Mas, num remanejamento, o caçuá pode agasalhar mais fregueses. Cada nomeação é da livre escolha do deputado. Um assessor pode até morar na "tromba do elefante" e prestar "serviço" aqui, sem vir aqui. Um motorista de deputado recebe R$ 1.194,21. Mais que o salário base de um repórter com carteira assinada. Um deputado custa mais do que uma redação inteira de jornal.
Tudo somado, um deputado estadual do Rio Grande do Norte custa ao erário, num mês, R$ 87.869,78. Num ano, incluindo o 13º e as duas ajudas de custos, esse mesmo deputado custa aos cofres públicos 1 milhão, 157 mil, 556 reais e 60 centavos.
Há muitos anos ouve-se nos restaurantes da moda e nas tertúlias dos parrachos, onde brilha o jetesete, uma história sobre a "caixa preta" da Assembleia. Especialistas nestas artes chegam a dizer que no dia em que a caixa for aberta a história do Rio Grande do Norte será contada de uma maneira diferente.
Sim, a matéria do jornal O Estado de S. Paulo foca apenas os presidentes da atual Legislatura. Não estendeu o seu bodoque aos presidentes anteriores de nossas assembleias.
Ontem, no Cova da Onça, registrou-se uma acalorada discussão semântica. Perguntou-se: A expressão certa é "quanto custa" ou "quanto vale" um deputado? A sessão foi suspensa e marcada outra para hoje. Sem direito a jetom.
Literatura de luto
A literatura brasileira está de luto com as mortes de duas de suas maiores expressões culturais: o gaúcho Moacyr Scliar e o paraense Benedito Nunes. Scliar, romancista, contista, novelista, cronista. Ganhador de 3 Jabutis: o de 1988, com o livro de contos O olho enigmático; o de 1993, com o romance Sonhos tropicais, e o do ano de 2009, com o romance Manual da Paixão Solitária. Tinha 73 anos e pertencia à Academia Brasileira de Letras.
Benedito Nunes, sempre viveu em Belém do Pará. Filósofo e crítico literário. Estudou profundamente a obra de Clarice Lispector, de Guimarães Rosa e de João Cabral de Melo Neto. Estudou na Sorbonne. Tinha 81 anos.
Muita chuva
Um fim de semana de boas chuvas principalmente no Seridó e no Oeste. Na acumulada de sexta-feira, 26, para o amanhecer de ontem, segunda, 28, há chuvas passando dos 100 milímetros. Em Serra Negra do Norte, foram 208, em Ipueira, 102, Caicó (Emater), 93, Ouro Branco, 86, São José do Seridó e Timbaúba dos Batistas, 81, Jardim de Piranhas, 79, São Fernando, 72, Caicó (Mundo Novo), 68, Caicó (Itans), 66, Caicó (Batalhão), 59, Caicó (penitenciária), Santana do Seridó, 43, Currais Novos, 39, Lagoa Nova, 30.
Na região Oeste: Apodi, 152, Mossoró, 110, Grossos e Umarizal, 73, Campo Grande, 70, Mossoró (prefeitura), 68, Patu, 66, Olho D'Água dos Borges, 57, Portalegre, 51, Viçosa, 45, Rafael Fernandes, 44, Itajá e Riacho da Cruz, 43, Jucurutu, 37, Martins e Serrinha dos Pintos, 34, Assu, 32. Lucrécia, 30, Paulo dos Ferros 28 e ABC, 3 a 1.
No Agreste as chuvas afinaram: Jandaíra, 39, Barcelona, 38, Parnamirim, 37, Passa e Fica, 28, Pureza, 26, Campo Redondo, 22. Em Queimadas de Baixo, 20.
Graciliano
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- O cineasta Sylvio Back está filmando, no Rio e em Alagoas, um documentário sobre a vida do escritor Graciliano Ramos (1892-1953). A produção é um ensaio geral para o longa de ficção "A Angústia", com filmagem em 2012.
Na Academia
Já começou a distribuição dos convites para a posse do padre e escritor João Medeiros Filho na Academia Norte-Riograndense de Letras, dia 15 de março, às 20 horas. Ocupará a cadeira 18, cujo patrono é Augusto Severo, e na qual se sentaram o musicista Waldemar de Almeida e Dom Nivaldo Monte. A saudação ao novo imortal será do acadêmico Valério Mesquita.