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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 00:39

O esplendor da vida

Publicação: 12 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Cláudio Emerenciano - Professor da UFRN

O esplendor em sua inexcedível dimensão. A vida e suas inesgotáveis, irrefreáveis e arrebatadoras manifestações. A beleza que nos ronda, cerca-nos, envolve-nos, sem que a humanidade nem sempre se aperceba do seu sentido e destinação. Tudo na vida é grandioso, desde que se harmonize com a ternura, a singeleza, a paz e o germinar infinito da Criação. Os sentimentos verdadeiramente puros, legítimos, autênticos e transcendentais, renovam os vínculos eternos do homem com Deus. O maior, insuperável, que abrange a todos, é o amor. Da paz à solidariedade, da justiça à partilha, da humildade à sinceridade, da igualdade à serenidade, do perdão à fraternidade, da compreensão à tolerância, da honestidade à coerência, da tranqüila coragem à desambição, do inabalável respeito à verdade à gratidão, da modéstia à alegria de viver, da pureza de intenções ao anonimato para fazer o bem, do saber virtuoso e, sobretudo, à fé em Deus e nos homens. Se os homens, desde os primórdios dos tempos e a aurora de sua evolução, imprimissem às suas ações e vontades perfeita sintonia com a beleza do mundo e da vida, não conviveriam, até hoje, com violências, injustiças, misérias e desigualdades. Esquecemo-nos, paradoxalmente, que a magnificência da vida reclama um equilíbrio entre a vida animal, vegetal e mineral.

Todos os pensadores, correntes filosóficas, cientistas, teólogos, escritores de todos os gêneros, homens santos de todas as religiões monoteístas, agnósticos verdadeiramente comprometidos com o bem da humanidade, proclamam a urgente necessidade dessa simbiose, interação, amálgama, entre o gênero humano, a natureza e o universo em expansão, sob pena de nos encaminharmos para uma espécie de "Babel" planetária, apocalíptica e fatal. Eis um clamor de toda a humanidade. Emerge da consciência e dos corações de todos os homens de bem em todos os países e culturas.

O avião contornava a costa da África. Mais ou menos paralelamente a Casablanca no Marrocos. Da minha "janela" divisei, mais uma vez, um espetáculo fascinante, arrebatador, inebriante, que se repete todas as vêzes em que, nessa circunstância, descortino um nascer de dia incomum, inimitável e enigmático. Enquanto os que se encontravam no lado esquerdo do avião se deparavam com a escuridão da noite, que se abatia ainda sobre a maior parte do oceano e, já muitíssimo longe, a costa da América do Sul, eu via uma réstia de luz vermelha, pouco a pouco devassando as trevas, provavelmente no Saara, ao norte da África. O impacto e o sentido me remeteram, instantaneamente, a quatro livros, soberbos e magníficos, que captaram, entre inúmeros, o sentido transcendental daquele instante: "Nefertiti e Akhenaton" de Christian Jacq (romancista e arqueólogo), "Akhenaton" de Nagib Mafhuz (Nobel da literatura), "Os sete pilares da sabedoria" de Thomas Edward Lawrence (o "Lawrence da Arábia) e "As raízes do céu" de Romain Gary (escritor lituano naturalizado francês, ganhador de vários prêmios internacionais e roteirista de cinema). Os dois primeiros livros imergem no culto monoteísta de Aton, introduzido no Egito Antigo pelo faraó Akhenaton e sua rainha Nefertiti (célebre por sua beleza e inteligência, cujo busto se encontra no Museu de Pérgamo em Berlim). O faraó teve a percepção de um único Deus, Criador do universo, expressão infinita de amor e paz, ao contemplar o lento desabrochar do sol no "Vale dos Reis" (Egito). Pouco antes de morrer reconheceu que a estrela era apenas uma ínfima manifestação da Luz de Deus, indescritível e eterno. Akhenaton foi incompreendido por defender, há dois mil anos antes de Cristo, que o homem precisa viver em paz e em harmonia com o equilíbrio que rege o universo. Curioso e impactante. Não é? O escritor norueguês Mika Waltari, em romance sob o título "O Egípcio", também reconstituiu esses tempos épicos, do mesmo modo que Michael Curtiz (diretor de "Casablanca") o transformou em filme. Thomas Edward Lawrence num misto de autobiografia e imersão histórico-antropológica dos povos árabes, analisa o sentido místico e psicológico desse nascer do sol para aqueles povos, especialmente os nômades no deserto do Saara. Romain Gary, em seu romance (1956), filmado por John Huston em 1958, anteviu os desafios ecológicos do nosso tempo. O primado do Homem implica em paz e equilíbrio. Enfim, amor e fraternidade. Ou não é?


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