O inclassificável ‘Disco do Ano’ de Zeca Baleiro

Publicação: 03 de Agosto de 2012 às 00:00

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Urbano e regional, sofisticado e brega, careta e moderno. Zeca Baleiro sempre mostrou possuir  mente aberta quando o assunto é música – condição que o destacou na moderna leva de artistas de música brasileira. O artista maranhense construiu uma visão própria de música pop que agrada a pessoas das mais variadas referências. Algo que está ainda mais evidente em seu novo trabalho, “Disco do Ano”, uma união de quinze (!) produtores musicais diferentes que surpreendeu até o próprio Baleiro, como ele afirma em entrevista a TRIBUNA DO NORTE por e-mail, com  perguntas feitas pelas equipe do Viver/Fim de Semana (Tádzio França, Cinthia Lopes e Yuno Silva), numa prévia do relançamento da coluna ONDAS CURTAS, neste sábado 4.
Gal OppidoModerno com um pé no popular, artista maranhense construiu uma visão própria de música pop que agrada a pessoas de mais variadas referências. Em  novo disco e show, traça um colorido de ideias de 15 produtores.Moderno com um pé no popular, artista maranhense construiu uma visão própria de música pop que agrada a pessoas de mais variadas referências. Em novo disco e show, traça um colorido de ideias de 15 produtores.

O disco inspira o novo show, “Calma aí, coração!”, que ele apresentará neste sábado, às 21h, no Teatro Riachuelo. O show destacará canções como “Nada Além”, “Tattoo”, “Último Post”, “Ela Não parece com ninguém”) e “Calma Aí, Coração” (com o soulman Hyldon). Baleiro ainda recupera algumas faixas menos conhecidas de discos anteriores, como “Mundo dos Negócios” e “Comigo”, e faz releituras de Marina Lima e Martinho da Vila.

Zeca vem a  Natal com a turnê de lançamento de seu nono álbum em que, mais uma vez, desafia rótulos impostos pela mídia - a começar pelo título do disco, uma crítica às eleições de melhores/piores e suas   habituais injustiças. Mas o cantor e compositor não tem mágoa. Apenas tira a sua onda. Na entrevista, ele fala sobre o show, processo de criação, Internet, o disco com Odair José, e cita a cantora potiguar Khrystal como um dos artistas que tem ouvido com atenção. Com a palavra, Zeca Baleiro: 

Como um artista essencialmente crítico, o título de “Disco do Ano” é uma ironia às listas, prêmios e ranqueamento que costumam fazer parte do universo da crítica – seja ela musical ou não? Você liga para a crítica musical?

Ligo sim. Não deveria ligar (risos)? Sim, o título é uma alusão às “eleições” da mídia, mas em tom jocoso, não é agressivo ou rancoroso.

Seu novo disco traz uma turma grande de produtores, 15 ao todo. Por que optou por esse formato?  Como avalia o resultado?

Foi pra criar um novo formato e trazer colorido ao disco.

A ideia era essa - ter minhas canções abordadas por vários olhares diferentes?

 Fiquei bem feliz com o resultado, e no caso de algumas faixas, bem surpreso.

Seu novo show “Calma aí, coração” traz repertório com músicas menos conhecidas e releituras. Como foi o critério para formatar a apresentação?

Ah, esse critério é sempre muito subjetivo. Há canções esquecidas que voltam ao show rearranjadas, há releituras que surgem e dão um colorido especial ao show... Tudo pode acontecer.

Zeca, você fez com que Odair José se interessasse em gravar de novo. Como foi o processo de realização desse disco? Você sugeriu ideias modernas/novas, ou o deixou bem à vontade? O Odair José é um de seus ídolos?

Sim, ele é um gênio da canção e uma referência. Não fiz quase nada, apenas levei-o ao estúdio e deixei ele e a banda ‘descendo a ripa’. Depois só dei o acabamento necessário junto com o co-produtor e engenheiro de som Leonardo Nakabayashi.

 Você carrega com orgulho o fato de ser do Maranhão, da música de lá. Olhando um pouco mais para o Norte no mapa, como enxerga essa onda do tecnobrega se espalhando pelo Brasil na voz de Gaby Amarantos?

 Vejo com bons olhos. Tudo que puder arejar a cena é bem-vindo.

O artista deve se preocupar em manter a fronteira entre popular e popularesco?

 Depende do artista. Ser popular é bom, não há nada de mal nisso. A questão é: até onde ir para ser popular? Que concessões o artista pode e não pode fazer para isso?

Você confere ao palco um dinamismo especial, relendo e misturando canções próprias e de compositores que tem afinidades. O que veremos neste show?

Não pensei nisso ainda. Em Salvador, eu e Lenine fizemos um número dedicado ao velho Lua (Luiz Gonzaga), foi bonito. Mas para Natal não planejei nada. Por enquanto...

Você já disse em outra entrevista que recebe muitos discos. Quem da nova geração destacaria uma audição mais atenta? Está ouvindo algum trabalho ou estilo em especial?

Destaco Wado, Vanessa Bumagny, Andreia Dias, Totonho, Khrystal...

Você também participa diretamente da escolha dos artistas que serão lançados pelo selo Saravá Discos?

Sim, afinal o selo é meu (risos).

Há alguns anos você vem apostando firme na estratégia de estreitar os laços com o público através da interatividade. Neste novo disco deixou a cargo a escolha da capa. Percebe alguma mudança no comportamento do público para com sua música/carreira?

Não por isso exatamente. Percebo que a cada disco fortaleço mais a cumplicidade com o público, isso sim.

Essa interação torna o relacionamento mais estreito com o público? Ele se apropria e se sente mais participante da obra do artista?

Sim, o público gosta de participar desses processos, sente-se colaborador, e isso é bacana.  Tenho uma equipe que cuida de tudo, mas eu próprio vez ou outra dou uma tuitada. Sou recente na rede, mas acho divertido, desde que seja estritamente usado para a divulgação do trabalho, e não para expor intimidades e coisas pessoais.

Depois de ‘Bala na agulha – Reflexões de boteco, pastéis de memória e outras frituras’, o que mais podemos esperar do Baleiro escritor?

Não sei. Talvez em breve faça uma compilação dos textos da IstoÉ, já se vão cinco anos desde que comecei a escrever lá.

Como essa nossa entrevista é para um caderno de shows, e há gastronomia também, gostaríamos de saber de um fã de botecos:   quais você indicaria como preferido? Conhece algum em Natal?

 Gosto de ir a restaurantes típicos quando vou aí. Conheço a Peixada da Comadre (ainda existe?), de comida deliciosa. O Restaurante do Luiz também (não sei se é esse o nome), muito bom...

Serviço: Zeca Baleiro com o show “Calma aí, coração!”. Sábado, às 21h, no Teatro Riachuelo. Preço: R$120 (inteira) e R$60 (estudante). Mais informações pelo 4008-3700.



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