O noticiário político e policial
Publicação: 21 de Janeiro de 2010 às 00:00
Espaço Livre [ Agnelo Alves ]
Estou um tanto quanto na dúvida. Quando acordei ontem, pela manhã, me deparei com notícias e fotografias publicadas nos jornais. No Hospital Central, Walfredo Gurgel - o maior do Estado - doentes e familiares amontoados em macas, à espera de atendimento médico.
As fotos e a reportagem eram do Haiti, sacudido tragicamente por um terremoto? Não. Eram de Natal mesmo.
Passei a mão pelo rosto, buscando me situar com o que estava vendo e lendo. Era Natal, sim. Noutra página, a tentativa de esclarecimento sobre o preço de um "show" do padre Fábio, não sei das quantas, no valor de 221 mil reais, o maior "cachê" já pago a um artista brasileiro, para cantoria de uma hora, se tanto, nas festividades natalinas.
Ué, o recinto do "show" não era de uma Igreja. A empresa envolvida é de Belo Horizonte. Não é de Natal. O "show" foi pago pela Prefeitura de Natal, já com fama de caloteira. Finalmente, chegaram os esclarecimentos. A prefeitura "apenas paga" em nome dos natalenses. Cocei a cabeça. Algo errado? Os esclarecimentos devem ser públicos, porque o popular público é público mesmo. O padre Fábio não portara o distintivo indispensável com os dizeres: "seu IPTU está aqui"? Ou não estava?
Transpirou que foi feito o pagamento de um "jatinho" especial e passagens aéreas para o padre Fábio (de jatinho especial ou passagens aéreas?) porque, segundo a máxima do inesquecível "Chacrinha", não é para esclarecer. É para confundir. Realmente, muita confusão, trapalhada. Tudo por conta do IPTU mais caro.
A estas alturas da leitura dos jornais, resolvo ordenar as coisas. Vou aos hábitos de higiene. Busco a água fria do chuveiro para ficar bem acordado e volto decidido a pular o noticiário policial para o noticiário político. Meu Deus do céu! Da intenção inicial, passei à prática. Pedi socorro. Tanto faz ler as páginas do noticiário policial, como as páginas dedicadas ao noticiário político. Tudo muito igual.
"Operação Impacto", com os políticos natalenses que meteram a mão em troca de voto na Câmara Municipal. Um deputado acusa a governadora pela demissão dos correligionários dele. Aguarda-se o pronunciamento de Ministério Público sobre o "caso" da Prefeitura de Natal que meteu a mão no dinheiro que descontou dos funcionários e não recolheu ao INSS, caracterizando "apropriação indébita" que na iniciativa privada da prisão inafiançável. Ainda na área da prefeitura, uma funcionária defende a prefeita em face do reajuste de empresas terceirizadas e do IPTU, dizendo que não existe ilegalidade. Nem imoralidade? Não disse.
Desisto da leitura. "Quero paz de crianças dormindo".