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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 14:45

O novo livro de agnelo

Publicação: 16 de Agosto de 2009 às 00:00
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Pe.  João Medeiros Filho - Escritor

Na mesma data de hoje, há 65 anos, Giorgio La Pira, perseguido e oficialmente silenciado pelo regime totalitário fascista, refugiou-se no Pontifício Ateneu Lateranense de Roma. Ali, perguntado por Ennio Antonelli, futuro Cardeal Arcebispo de Florença por que continuava como militante e ativista político, respondeu: Monsenhor, os verdadeiros políticos e os padres não se aposentam, porque são servidores. Busco inspiração em Cristo, quando dissera: Eu vim, não para ser servido, mas para servir e dar a minha vida para o bem-estar de muitos (Mt 20, 28). Palavras semelhantes poderiam ter saído dos lábios de Agnelo, se idêntica indagação lhe tivesse sido feita pelo seu discreto amigo Dom Nivaldo Monte, bálsamo divino nas suas horas de tristeza e angústia.

Após exercer relevantes cargos na Itália, o jornalista La Pira renunciou a tudo para ser simples prefeito de Florença. Giorgio tivera uma extraordinária experiência de homem político e cristão, capaz de unir sua fé à atividade social, com uma dedicação aos simples e a quantos sofrem. Foi também este o exemplo de Agnelo Alves, como prefeito de Parnamirim!

Numa carta a seu amigo Amintore Fanfani, Giorgio La Pira escreveu palavras de uma surpreendente atualidade:  Se há alguém que sofre, tenho um dever preciso: intervir de todos os modos, com toda a capacidade que o amor sugere e que a lei permite, para que o sofrimento seja diminuído ou suavizado. O dinheiro do povo é sagrado. A prefeitura não nos pertence. Não se toca impunemente num ou noutra! Isto não é comunismo, socialismo, marxismo. É Evangelho!

Agnelo Alves carrega em seu coração a inquietude dos jovens e a rebeldia dos inovadores. Não aspirou ao poder pelo poder, pois este não pertence aos homens, mas a Deus. Omnis potestas a Deo (todo poder vem de Deus), afirmou São Paulo aos cristãos de Roma (Rm 13, 1). Santo Ambrósio, que fora prefeito e bispo de Milão, inspirado na parábola dos talentos, pregava que o poder é um empréstimo dado por Deus a ser pago com maior rendimento.

O livro, que agora é lançado pelo jornalista Agnelo Alves, é o registro de um momento de sua caminhada, onde se encontram a criatividade e o saber ouvir, o ter pouco e saber repartir, a generosidade e a doação diante do sofrimento e das necessidades dos seus irmãos. Ali podemos verificar o que diz o profeta: Eu ouvi o clamor do meu povo (Ex 3, 7).

Há quem diga que Agnelo é um incansável. Teria direito ao ócio com dignidade. Mas, compreendeu as palavras de Francisco de Assis, santo e poeta, quando afirmou: Não posso cruzar as mãos se meus irmãos têm fome. Não consigo dormir se o meu próximo geme de dor. E depois de dedicar sua vida aos pobres, disse a Frei Leão: Fiz pouco ainda pelos meus irmãos. É hora de começar a amá-los. É essa forma de amor pelo outro que leva Agnelo Alves, jornalista e político, a pensar diariamente o que fazer e como fazer pelo bem do próximo. É bem conhecida a frase de Santa Teresinha, quando as suas co-irmãs pediam, no leito de morte, que repousasse. Respondeu: Terei toda a eternidade para repousar. Agnelo segue este exemplo. Quem um dia ouviu Deus no sofrimento ou na doença, sabe que há sempre algo a fazer pelo próximo, seja em Parnamirim ou no Rio Grande do Norte.

Agnelo, lembro-me bem do que disse Carlos Drummond de Andrade num telefonema a Câmara Cascudo, após uma sessão do Conselho Federal de Cultura, onde esperava sua filha Julieta. Drummond afirmou: Cascudo, cheguei tarde demais para a sua amizade. Agnelo, digo-lhe o mesmo. Sou um amigo temporão, aproximado de você pelo carinho daqueles que privam de seu convívio. Muito obrigado. Saiba que você construiu uma Cidade de Deus, ao edificar uma Parnamirm diferente! Inspirado na teologia do amor ao próximo, Guy de Larigaudie assim se expressou: É tão importante descascar batatas por amor a Deus e aos irmãos, quanto edificar catedrais. Você construiu a catedral viva do bem-estar dos habitantes de Parnamirim!

Na missa de seu aniversário, rompendo o tradicionalismo da liturgia, citei o cantor Gonzaguinha: Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Hoje, recordo uma frase de Erasmo de Roterdam, gravada num pórtico da Universidade de Louvain, na Bélgica: Para um homem, ainda que sábio, aprender sempre mais, nada tem de vergonhoso. Tampouco o tem, não deixar de ser obstinado.

Continue, meu amigo Agnelo, com essa sua obstinação e santa teimosia. Os profetas, os jornalistas, os poetas e os santos são obstinados e criativos. A política verdadeira é um carisma; por conseguinte, um dom de Deus a serviço dos homens. Siga os caminhos de sua consciência. Simone Weil, filósofa judia convertida ao catolicismo, um dia se expressou: Não é a idade que me faz parar nem a doença que me impede de amar.


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