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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:45

O perigo que vem do ar nas grandes cidades brasileiras

Publicação: 16 de Agosto de 2009 às 00:00
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Brasília (ABr) - Poluição, no dicionário Aurélio, é o "ato ou efeito de poluir". Porém, o mesmo substantivo feminino tem outras definições que vão muito além das citadas pelo dicionário, quando a situação está relacionada com a poluição nos grandes centros urbanos, e a maior vítima é a população. Uma experiência realizada com 228 pessoas que frequentemente passam pelo vão livre do Museu de Arte Moderna (Masp), em São Paulo, 4% delas apresentaram um índice de comprometimento pulmonar semelhante a de um tabagista, segundo estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e divulgado na sexta-feira.

Júnior SantosOs transportes de massa, que emitem gás carbônico, são os maiores poluidores das cidades do BrasilOs transportes de massa, que emitem gás carbônico, são os maiores poluidores das cidades do Brasil
O professor e coordenador do Laboratório de Poluição Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Hilário Saldiva, disse que uma experiência que fez para medir a poluição em sua sala na faculdade de Medicina durante 24 horas, constatou que o volume de partículas poluentes absorvido pelos pulmões é semelhante ao de dois cigarros.

"Mesmo sem querer, eu fumo dois cigarros por dia. A poluição faz todo mundo fumar, inclusive aqueles que não podem, como as gestantes e os asmáticos", explicou. "E alguns fumam mais, como motoristas de ônibus e fiscais de trânsito, que ficam mais expostos poluição". O estudo mostrou ainda que 70% das pessoas da amostra apresentaram de 1 a 6 partes por milhão de monóxido de carbono.

O professor informou ainda que o índice de poluição máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 25 miligrama (mg) por metro cúbico (m3). "No corredor de ônibus da Avenida Nove de Julho (na capital paulista), este índice pode chegar a 140 mg por metro cúbico, é um verdadeiro laboratório de intoxicação humana", afirmou.

De acordo com Saldiva, os estudos realizados no sistema de saúde comprovam os danos da poluição. Segundo ele, a cada 100 crianças internadas com problemas respiratórios como bronquite e pneumonia, por exemplo, 16 são em decorrência da poluição. "Em cada dez casos de infarto, um é por causa da poluição. E a cada 100 casos de câncer de pulmão, oito são consequência da poluição", disse.

O professor explicou ainda que as pessoas que vivem nas grandes cidades são as mais prejudicadas pela poluição do que as de cidades pequenas. E destas, a parte mais pobre são as que sofrem mais. "Eles não ficam mais protegidos da poluição em carros com ar-condicionado. Muito pelo contrário, enquanto esperam o ônibus estão cada vez mais expostos. Isso é o que chamo de desigualdade ambiental", afirmou.

O professor ressaltou que não há tratamento para o ar como existe para água, e que várias atitudes podem melhorar a saúde da população, como o de investir em transporte público e reduzir os índices de poluição causada por veículos automotores. "Além de adotar um diesel menos poluente, como o S10 (menos teor de enxofre), podemos usar os motores com diesel com catalisador", explicou.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Antonio Carlos Palandri Chagas, a poluição afeta primordialmente os sistemas cardiovasculares e respiratórios. "Primeiro ela altera a capacidade respiratória e, consequentemente, a circulação. À medida que a circulação vai se alterando, prejudica a capacidade do coração de bombear o sangue, desencadeando uma série de problemas", disse.

Geoengenharia ganha importância

Londres (BBC) - Se você ainda não ouviu falar em geoengenharia, preste atenção: a palavra deve ganhar cada vez mais espaço nos noticiários e significa projetos de tecnologias para manipular o clima do planeta. Técnicas como injeção de dióxido de enxofre ou cinzas na atmosfera ou até mesmo a dispersão de espelhos no espaço - tudo com o objetivo de reduzir a temperatura do planeta. Métodos como estes, de administração da radiação solar, de eficácia praticamente garantida.

O que não se sabe é quais outras consequências eles teriam sobre o meio ambiente. A injeção de dióxido de enxofre, para "semear" nuvens, ou de cinzas, também para refletir a luz solar, são métodos usados pela natureza desde que o planeta roda - é o que faz a atividade vulcânica. A diferença é que elas acontecem muito esporadicamente.

É mais ou menos consenso na comunidade científica que a única forma de realmente saber o que aconteceria com a Terra se esse tipo de manipulação fosse aplicada é testá-las para valer, ou seja, usar o nosso planeta como cobaia.  Coisa que a cautela até agora proibiu. Essas ideias ficam, pelo menos até agora, como último recurso para o dia em que a tal catástrofe climática mostrar todas as suas garras.

Mas existem outros métodos, entre eles, a fertilização dos oceanos para estimular a absorção de dióxido de carbono (CO2), criar navios que pulverizem água dos oceanos na atmosfera constantemente, instalar tubos que facilitem a circulação de calor entre a atmosfera e o fundo do mar, cobrir a superfície de desertos com espelhos que ainda gerariam energia solar... Mas também existem projetos de geoengenharia menos bombásticos (embora menos eficazes), como CCS, a sigla em inglês para Captura e Armazenamento de Carbono.

A tecnologia capaz de sequestrar todo o CO2 de, por exemplo, uma usina termelétrica a carvão e enterrá-lo, é vista por muitos como o Santo Graal dos tempos de mudanças climáticas. O problema é que só existem protótipos de CCS no mundo, e os mais otimistas dizem que ainda faltam anos para a tecnologia ser viável.


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