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Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 07:48

O sonho de Sandra Bullock

Publicação: 19 de Março de 2010 às 00:00
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Luiz Carlos Merten

Aplicada, ela sempre foi - Sandra Bullock já ganhou elogios, por seu profissionalismo e dedicação, de diretores de prestígio como Barbet Schroeder e Richard Attenborough. Na recente festa do Oscar, foi Forest Whitaker quem teceu loas à estrela. Justamente - Sandra já era uma estrela, antes de se firmar como atriz. Estrela de ação - o primeiro "Velocidade Máxima" -, de comédias românticas. Altos e baixos, teve muitos na carreira. A fase atual é a melhor - na profissão; na vida afetiva, as coisas parece que andam tumultuadas.

Muita gente se pergunta se é justo que uma atriz como Sandra Bullock tenha vencido o Oscar, por "Um Sonho Possível", derrotando Helen Mirren e Meryl Streep. O filme estreia hoje. Justiça é conceito um tanto estranho no Oscar. Mas o prêmio é democrático e Sandra foi a mais votada pelo colegiado de seus colegas atores e atrizes. Antes do Oscar, recebera os principais indicadores da indústria - o Globo de Ouro, atribuído pela imprensa, o prêmio da Guild (o Sindicato dos Atores).

Sandra já havia feito história quando "A Proposta" faturou US$ 200 milhões no mercado interno e ela foi a primeira mulher a alcançar a cifra em geral reservada aos homens. Em cerca de 24 horas, também deve ter entrado para o Guinness de recordes - não há registro de outra atriz que tenha ganhado no sábado a Framboesa de pior atriz e, no domingo, o Oscar de melhor. Pelo menos, os filmes não foram os mesmos.

Só para ficar entre vencedoras recentes, é no mínimo discutível que Charlize Theron, Halle Berry e Reese Whiterspoon tenham merecido seus troféus. No caso delas, as carreiras ficaram ainda mais erráticas, algumas escolhas foram vexatórias e a vontade é de pedir as estatuetas de volta. Com Sandra Bullock, você pode ter certeza de que isso não vai ocorrer. A atriz confirma que está louca para voltar à sua rotina. Ela inclui as comédias românticas, por certo, e ocasionais tentativas no drama.

"Um Sonho Possível" baseia-se numa história real. Conta a história de Preciosa no masculino. O protagonista é o 'precioso' Negro, gordo, desajeitado, abusado. Mas ele tem um dom - a ligação com a bola - e só precisa de uma chance - que a personagem de Sandra vai lhe dar. Na tela, Sandra passa a imagem de determinada. Em "A Proposta", decide rapidamente que o subalterno (Ryan Reynolds) vai ter de se casar com ela, para permanecer no posto.

Em "Um Sonho Possível", o marido e os filhos antecipam o impulso - ela vai tirar o precioso das ruas e dar-lhe um lar. Sandra é boa de comédia e honesta no drama. Não é muito mais do que se pode dizer de Jeff Bridges, que também ganhou o Oscar de melhor ator (por "Coração Louco"). Ele pode ser mais respeitado, mas não é seu melhor papel (e não é mesmo). "Um Sonho Possível" é melhor do que "Preciosa"? A mesma história, versão Hollywood. Não é pior - e "Preciosa" ganhou um monte de prêmios. Talvez seja um pouco melhor. O garoto que faz precioso é ótimo e mereceria ter sido indicado como coadjuvante.

Serviço
"Um sonho possível". Nome original: "The Blind Side". Direção: John Lee Hancock. Gênero: Drama (128 minutos).
Censura: 10 anos.

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