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Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 07:48

Obra na Costeira gera dúvidas

Publicação: 27 de Dezembro de 2009 às 00:00
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Priscilla Castro - Repórter

Observar a paisagem é um dos grandes privilégios do natalense. Passear pela Avenida Dinarte Mariz, mais conhecida como Via Costeira, é um dos prazeres de quem tem a oportunidade de apreciar a vista daquele lugar. Para melhorar a precária mobilidade da via, que deixou de ser turística e está se tornando um meio de acesso principal, o Governo do Estado trouxe um projeto que prometia "transformar" a avenida. No entanto, a atual situação em que se encontram as pistas, o calçadão e os acessos está deixando muita gente em dúvida sobre essas vantagens.

Cada mão da via aumentou 1,5 metro de largura, os motoristas ganharam o canteiro central e a trafegabilidade promete ficar mais ágil. No entanto, tudo isso só vai poder ser desfrutado de verdade depois de fevereiro do próximo ano, já que o calçadão ainda está sendo demolido, alguns trechos ainda estão interditados por causa das obras, outros estão com o asfalto desnivelado e os canteiros ainda dividem espaço com as pedras e materiais de construção.
Emanuel AmaralEnquanto a obra da Via Costeira se arrasta, as pessoas caminham no que restou das calçadasEnquanto a obra da Via Costeira se arrasta, as pessoas caminham no que restou das calçadas

Por enquanto, os pedestres e ciclistas são obrigados a caminhar sobre os pedregulhos ou se arriscar no espaço que é projetado exclusivamente para os carros e não é raro encontrar pessoas correndo ou pedalando na pista. Para os motoristas, a falta de acostamento representa perigo também para o caso de o condutor necessitar parar o carro ou acontecer algum acidente.

"Para mim, essa obra não valeu à pena, é mais uma maquiagem do Governo. Essa não é mais apenas uma via turística, é uma via de acesso principal, que dá acesso da zona Norte à zona Sul da cidade, então eles poderiam ter entrado nas dunas como tinha que ser e os ambientalistas deveriam ter ficado andando de cavalo na praia", criticou o corretor Emanuel Romitt.

A estudante Ana Raissa Barbosa acredita que esse projeto não era necessário da forma como foi executado. Como motorista que trafega diariamente pelo local ela vê a obra como um fator de prós e contras. "Nós ainda nem sabemos o que falta ser feito ali tendo em vista que a obra não foi concluída, mas a minha impressão no momento é que piorou, principalmente no sentido Centro/Ponta Negra, porque surgem curvas fechadas no local dos retornos", opinou.

Para a jornalista Lidiane Lins, a obra não diminuiu o perigo da via. "Eu acho a Via Costeira perigosa e, mesmo com essa reforma, ela continua arriscada. Apesar do alargamento, a via ficou pior sem o acostamento, porque aparenta estar muito estreita para ter o canteiro central do jeito que é. Eu não preferia como era antes, mas preferia um projeto diferente, porque do jeito que estão fazendo, não vai adiantar muita coisa", opinou.

Fator segurança é o que mais agrada no projeto

Apesar de as críticas estarem presentes em quase todos os depoimentos, alguns disseram enxergar os benefícios. "De maneira geral achei positiva as mudanças na Via Costeira, pois o motorista não poderá mais atingir altas velocidades ou fazer ultrapassagens perigosas. Por outro lado a retirada do acostamento impossibilita uma eventual parada necessária e aqueles sonorizadores atrapalham muito o motorista", opinou a arquiteta Rafaela Lins.

Muitos disseram imaginar uma via diferente, mas a veem como mais segura do que antes. "O acostamento faz falta principalmente para os motoristas do lado dos hotéis, mas a via está bem mais segura do que era sem o canteiro central porque evita as ultrapassagens", disse o técnico em informática Érico Ricardo. O turista João Gomes também prefere o canteiro central ao acostamento: "eu já vim em Natal antes e, comparando, está bem melhor agora, está mais bonito com esse canteiro central".

No total, a Via Costeira possui 10 quilômetros de comprimento. O projeto prevê a instalação de quatro radares limitando a velocidade máxima a 70 km/h (24 horas por dia), nove trevos com os retornos, cinco metros de largura para cada mão da via, canteiro central (cuja largura varia dependendo do local), 2,5 metros para a ciclovia e dois metros para a calçada. O espaço destinado aos ciclistas, entretanto, não será completo. Na entrada de cada hotel, a pessoa terá que descer da bicicleta, atravessar o acesso e pedalar quando voltar ao calçadão.

 Um projeto conjunto entre o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran) e a Polícia Militar prevê a instalação de câmeras de segurança em três avenidas da capital: Engenheiro Roberto Freire, Erimar França e Via Costeira. O diretor do Detran, Carlos Teodorico, informou que as câmeras devem ser instaladas até março por uma empresa terceirizada, escolhida através de licitação, com o objetivo de melhorar a segurança dos pedestres e dos motoristas.

DER culpa mudanças no projeto

"Esse nunca foi o projeto original do Governo do Estado". Essa é a alegação principal que o atual diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Norte (DER/RN), Dâmocles Trinta, usa para argumentar as falhas e críticas quanto à nova via. Segundo ele, todo o projeto ficou limitado por causa dos impedimentos dos ambientalistas de adentrar na área do Parque das Dunas e, por isso, a ciclovia e os acostamentos ficaram comprometidos.

"A Via Costeira é hoje uma via imprescindível para Natal, não dá para imaginar a cidade sem ela, mas se não existisse, não seria feita hoje porque os ambientalistas não deixariam. O ideal seria que a ciclovia estivesse do outro lado da rua e houvesse os acostamentos dos dois lados, mas como não foi possível fazer assim, fizemos da única maneira que poderíamos fazer. Estão achando ruim, mas essa era a única alternativa que tínhamos", lamentou o diretor.

A previsão inicial do DER era de que a Via Costeira fosse entregue totalmente pronta em julho de 2009, mas em entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE no dia 11 de dezembro, Dâmocles Trinta havia garantido que as obras ficariam prontas ainda este ano, ficando para o ano que vem apenas a conclusão do calçadão e o paisagismo do canteiro central. Na entrevista desta semana, entretanto, ele admitiu que essas obras não ficarão prontas esse ano e a inauguração deve ficar para fevereiro de 2010.

Mesmo assim, a via costeira será entregue ainda sem o calçadão, o paisagismo do canteiro central e sem as extremidades prontas. O retorno e o acesso ao Centro de Convenções e o asfalto da parte de Areia Preta ainda não têm data certa para ficarem prontos. "Nós não podemos mexer naquela área de Areia Preta porque uma parte do asfalto caiu na praia e o Ibama (Instituo Brasileiro de Meio Ambiente) embargou essa parte. O processo está correndo na Justiça e temos que esperar o resultado", explicou o diretor do DER.

Quanto ao Centro de Convenções, Dâmocles Trinta adiantou que será feita uma cortina para evitar que a areia caia na pista e o local da entrada será afastado para a área das dunas. Para ele, a troca do acostamento pelo canteiro central aumenta a segurança. "Quando algum carro parava na via, o outro pegava a contra-mão e aí aconteciam as batidas. O local está com engarrafamentos porque está em obras, mas não vai ser assim".

RIMA encontra equívocos no projeto original

Apesar das alegações do DER de que as falhas hoje apontadas são consequências das mudanças impostas pelos ambientalistas, o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), realizado em setembro de 2007, encontrou alguns equívocos no projeto original apresentado pelo órgão. Quem deu as explicações foi o arquiteto e urbanista Heitor Andrade, um dos dois profissionais dessa área que participaram do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) da obra.    

O RIMA alegou que as principais implicações seriam a invasão das Zonas de Proteção Ambiental (ZPAs), separação do ciclista e pedestre, inadequação da plataforma proposta ao gabarito existente, retirada dos coqueiros, corte das dunas, conflito com a legislação ambiental (APP e terrenos de marinha) e conflito com a legislação de trânsito (DER, que exige faixa de domínio para vias coletoras de 20,00m) e a perda, para o ciclista,  das visuais para o mar.

"Um ponto questionado é a validade dessa obra, que foi feita de maneira desarticulada. Todas as cidades brasileiras enfrentam esse problema de terem mais carros nas ruas, então nós vamos viver a vida alargando as pistas. Daqui a cinco anos ou menos, essa obra já vai precisar ser refeita", acredita o arquiteto e urbanista.

Para ele, os pontos mais críticos são a perda da ciclovia e a inutilidade da praia para os natalenses. "A Via Costeira foi construída para chamar o natalense para frequentar aquele local como lazer, passeio, mas hoje só serve para trânsito, só quem vai à praia são os hóspedes dos hoteis, os turistas, são 10km de praia perdidos. No projeto havia a previsão de criar uns acessos às praias, mas eles deixaram isso de lado. Quanto à ciclovia, não vai mais existir, porque o que eles vão fazer é colocar uma ciclofaixa e um piso diferente ali para dividir o espaço", criticou.

Outra falha citada pelo arquiteto foi a não contemplação das extremidades no projeto. No acesso à Ponte Newton Navarro, avenida Presidente Café Filho, e no acesso à Rota do Sol, avenida Engenheiro Roberto Freire, as ruas continuam iguais. "A Roberto Freire é uma avenida com muito comércio e tem o trânsito lento e depois da Ponte, não existe mais uma via de qualidade para seguir para o litoral norte", explicou Heitor Andrade.

"Não podemos negar o benefício do ponto de vista viário, porque muitos veículos utilizam aquela via, e do ponto de vista turístico, mas do ponto de vista urbanístico, a população perdeu espaço", opinou.

Com a reforma, estacionar nas pistas vai ser proibido

Uma das novidades trazidas com a reforma da via é a proibição de estacionamento nas pistas. Apesar de haver a alegação de que a parada de carros já era proibida mesmo antes da obra, não era raro encontrar veículos estacionados dos dois lados da via, principalmente em dia de eventos promovidos nos hotéis. A criação ou ampliação do espaço disponível para os automóveis é uma das obrigações da rede hoteleira do local.

A TRIBUNA DO NORTE procurou cinco empreendimentos que realizarão shows no Reveillon. Apesar de estar oferecendo um evento de grande porte na virada do ano, o gerente do hotel Ocean Palace, que se recusou a se identificar, se negou a dar qualquer esclarecimento sobre o estacionamento disponível no empreendimento, bem como sobre a proibição de os carros estacionarem na via.

Quanto aos demais, a resposta foi praticamente a mesma: ainda não sabem quais providências serão adotadas, mas esperam que as alternativas encontradas para o evento da virada do ano seja suficiente para suprir a demanda. A Assistente de Gerência Geral do Hotel Pirâmide, Ameliza Lira, informou que dispõe de 300 vagas de estacionamento e que a maioria das pessoas que vão participar do reveillon são hóspedes do hotel. São esperadas 200 pessoas de fora, número que o estacionamento deve atender.

O gerente do Hotel Vila do Mar, Agno Wosen, informou que o estacionamento tem espaço para 435 veículos, número que suporta a maioria dos eventos oferecidos, mas não todos. "A diretoria ainda não tomou nenhuma posição sobre as providências que vamos tomar quanto a isso, até porque não recebemos nenhum comunicado oficial dos órgãos públicos", disse.

Parceria

A TN tentou contato com a Cervejaria Continental através do telefone 3202-1089, fornecido pelo site google e pelo Telepesquisa, mas a ligação não completava. A produção do Reveillon alugou o estacionamento do Imirá com 450 vagas .  No entanto, estão sendo esperadas 2.500 pessoas. "Nós estamos fazendo também uma parceria com a Cooptaxi (cooperativa de táxi de Natal) para incentivar as pessoas a irem de táxi", acrescentou o produtor do evento João Samico.

No Hotel Imirá, o gerente Edmilson Lins informou que não sabe a quantidade exata de vagas e acha a determinação absurda. "Estou surpreso com isso de não poder mais estacionar na via, o primeiro erro do Governo é não deixar a população estacionar. Vamos pensar em como vamos nos estruturar, porque condições o hotel tem", disse.


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comentários

zecaparaense@...27/12/2009 @ 22h49
A Via Costeira está mais segura e o acostamento se faz necessário.Ambientalistas em Natal exageram na dose e podem prejudicar o futuro da cidade como Polo Turístico e em seu desenvolvimento normal.
wagnerf@...27/12/2009 @ 12h47
QUE REFORMA MAIS IDIOTA FOI ESSA?RETIRARAM A CICLO VIA E COLOCARAM UM CANTEIRO CENTRAL MÍNIMO.QUAL FOI A MELHORIA NISSO? NENHUMA.MELHORARAM OS COFRES DA EMPRESA CONTRATADA E DOS CORRUPTOS POR TRAZ DESSA OBRA FARAÔNICA.DAQUI MAIS UNS ANOS ESSE CANTEIROS ESTARÃO TODOS DESTRUÍDOS E OS CARROS PASSANDO POR CIMA.
lauro.nascimento@...27/12/2009 @ 12h03
Não gera só dúvidas, gerou também muita grana para quem executou e certamente para quem contratou. Assim como esse belo trabalho de saneamento de Capim Macio, os empreitados não tem a menos competência para executar.
alexandre.gouveiarn@...27/12/2009 @ 07h59
Eu fico besta! Só tem expert dando pitaco de um lado e espertão dando uma de joão sem braço do outro!!
grasso.paolo@...27/12/2009 @ 07h48
Era suficiente reformar a ciclovia e adubar os coqueiros e no meio das avenidas instalar um guard-rail, no lugar do primitivo meio-fio, perigosissimo para motoqueiros.Eu pergunto se tinha tantos problemas com ambientalistas e com o proprio projeto , pq mesmo assim começarom as obras.Hj em dia precisa planejamento para fazer qualcher obra, nos temos visto ali por enquanto um festival de incompetencia.Vamos pedir desculpa para quem na epoca projetou uma belissima avenida chamada Via Costeira.
robertosantosc@...27/12/2009 @ 07h04
Via costeira é uma necessidade! Segurança precisa! A vida do homem é mais importante que uma faixa da natureza! Não entendo os ambientalistas! Porque não vão no amazonas lutar? Porque aqui em Natal? O carro quebra, ele vai parar onde? Outro carro vai bater! Os ambientalistas não podem ver a floresta com tantos árvores! Mesma coisa da via Parnamirim - Natal. Porque não lutam pelo transporte publico? Pelos carrochos e gatos na rua? Pelo lixo queimado no ar? Pelo esgoto indo para o rio? Porque só pensando á uma faixa de 2 metros que pode pegar da natureza? Se o filho do ambientalista morre na via costeira a causa disso? Não entendo nada!
cpinheirorosa@...28/12/2009 @ 12h24
esse negócio de transformar natal em "polo turistico" só faz lascar o natalense, tudo aqui é feito pensando apenas em turistas, tudo é muito lindo, mais a funcionalidade é ridicula. e outra coisa, esse canteiro central ainda vai provocar muito capotamento...
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