Obra vai custar R$ 400 mil
Publicação: 23 de Fevereiro de 2012 às 00:00
A obra de reconstrução de cinco pontos que desabaram nos últimos dias, no calçadão da praia de Ponta Negra, será iniciada na próxima segunda-feira. A Prefeitura de Natal irá gastar R$ 400 mil na reforma, de forma emergencial, sem a necessidade de licitação. Os trabalhos devem ficar prontos dentro de 20 dias. A maré, que provocou os desabamentos, tende a ficar mais forte nos próximos dias, segundo informações do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM).
Segundo a secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), uma parceira com o departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está sendo elaborada para detalhar os pontos críticos da praia. De acordo com a professora de Geografia, Zuleide Lima, as obras de reparo são válidas para evitar o agravamento do problema, mas é necessário um monitoramento na plataforma continental da praia por pelo menos um ano e quatro meses para que se saiba como a maré se comporta e o que pode ser feito para evitar a erosão de costeira.
O titular da Semsur, Luis Antônio Albuquerque, não soube informar quantas obras de reparo já foram feitas no calçadão de Ponta Negra e nas demais praias urbanas de Natal. O secretário informou ainda que estão estudando uma maneira de realizar licitação para realizar obras de reparo durante todo o ano, sem que seja necessário as obras emergenciais. "Isso ajudaria a reduzir custos para o Município e não teríamos o problema de desgaste como estamos vendo agora", disse.
Para o também professor de Geografia, Elias Nunes, o problema no calçadão da praia de Ponta Negra é a falta de ordenamento urbano. "Isso acontece tão somente porque ocuparam o espaço que cabe ao Oceano. Não deveria existir esse calçadão nesse local. O mar está ocupando o lugar que lhe pertence", disse. Nos últimos dias, a maré causou estrago em pelo menos cinco pontos do calçadão. Turistas e banhistas precisam ter atenção ao passear pelo local. Apesar de interditados, os pontos que desabaram podem causar acidentes.
Para evitar o avanço da degradação em outros pontos, a Semsur pretende realizar uma parceria com a UFRN e outros órgãos como o Crea-RN. "A Prefeitura tem a intenção de conversar com outros órgãos para se chegar à uma solução para o calçadão de Ponta Negra. Vamos atrás de um plano que seja eficiente e evite-se essas obras de reparo", informou Luis Antônio.
Segundo Zuleide Lima, o problema de erosão da costeira ocorrer em várias cidades do mundo. Os próprios comerciantes de Ponta Negra tentam evitar o problema colocando sacos de areia em frente aos quiosques. A solução, de acordo com a estudiosa, pode piorar a situação. "Do ponto de vista deles, estão corretos. Estão fazendo algo para salvar o patrimônio deles. Mas, de onde vem a areia? Eles a retiram da própria praia, ou seja, contribui para a erosão".