Cezar Alves - Jornal de Fato
Oeste - Trafegar pelas RNs e BRs que cortam a região Oeste Potiguar é missão de alto risco, especialmente para quem transporta cargas de bebidas, cigarros e eletrônicos. Para os motoristas que trafegam nas BRs, o medo é maior nos trechos onde é preciso reduzir a velocidade do veículo para evitar buracos ou em curvas sinuosas. Já nas rodovias estaduais, o quadro é mais crítico em toda a região. No trecho entre Caraúbas e Apodi, os estudantes universitários que precisam se deslocar de uma cidade para outra no horário noturno precisam de escolta militar. Já foram assaltados duas vezes.
Cezar Alves
Caminhão de entrega da Sousa Cruz sendo escoltado por homens armados na BR-226, estrada considerada visada pelos bandidos
Na região do Alto Oeste, os professores que dão aula no Núcleo da Universidade do Estado do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Umarizal, chegaram a fazer greve no início de 2009 pedindo mais segurança nas rodovias. Foram assaltados várias vezes.
A rodovia estadual que interliga as cidades de Paraú, Triunfo Potiguar, Campo Grande, Patu, Janduís e Messias Targino é considerada aterrorizante para quem precisa passar nesta região. Os números e as ocorrências registradas atestam neste sentido.
Há poucos dias, uma quadrilha sequestrou o ex-prefeito José Júlio, de Antônio Martins, perto de Caraúbas. A vítima foi liberada mediante pagamento de R$ 25 mil de resgate. A quadrilha foi desarticulada, mas o dinheiro pago no resgate só foi recuperado 30%.
Às 22h de segunda-feira, o prefeito Lawrence Amorim, de Almino Afonso, foi abordado no mesmo trecho. Dois homens armados com revólveres e uma espingarda calibre 12 levaram o carro (Astra), dinheiro, celulares e outros pertences do prefeito.
Nestas regiões, os carros com cargas valiosas são escoltados por uma ou duas viaturas com homens armados. Seguimos um caminhão da Sousa Cruz pela BR-226 e por algumas RNs no Alto Oeste. Mesmo com uma escolta armada, o motorista disse que trabalha com medo.
Os profissionais fazem as entregas previstas no cronograma e nunca pernoitam num só local. Trafegam com cautela e evitam as estradas cheias de buracos. Além da escolta armada, o veículo transportando cigarro é rastreado por satélite, o que inibe a ação dos bandidos.
A rota do medoA equipe do JORNAL DE FATO percorreu as BRs e RNs, que cortam a região Oeste, observando com os motoristas os trechos mais perigosos. Constataram que a região mais tensa é nas proximidades do município de Campo Grande e, para carros pesados, o trecho mais perigoso é entre Messias Targino e Patu. Nestes dois trechos, os carros são obrigados a reduzir a velocidade para passar em buracos, facilitando a aproximação das quadrilhas.
Autoridades se unem pedindo mais segurançaAs ocorrências de assaltos tanto nas BRs 405 e 226, bem como nas rodovias estaduais que interligam os municípios na região Oeste, reduziram, mas ainda é motivo de preocupação, especificamente dos poderes da Justiça, Executivo, Legislativo e a sociedade organizada.
O movimento por mais segurança na região nasceu em Caraúbas, com a juíza Ilná Feijão enviando um documento assinado pelo presidente da Câmara, o prefeito Ademar Ferreira e o representante do Ministério Público pedindo mais segurança.
A partir desta solicitação, a cúpula de segurança pública veio ao município e instalou uma base de investigação e combate ao crime organizado no município, com efetivo de policiais treinados, equipamentos modernos para serviço de inteligência.
Apesar da reação da cúpula da polícia do Rio Grande do Norte, os assaltos continuaram. Já foram registrados crimes de roubos de cargas em Upanema e o assalto ao prefeito Lawrence Amorim depois da chegada do Serviço de Inteligência em Caraúbas.
Polícia diz que ocorrências reduziram 50%As polícias Militar de Patu, Pau dos Ferros, Mossoró, Alexandria e Assu, assim como a Polícia Rodoviária Federal, informaram que o número de roubos de cargas na região reduziu 50% nos últimos doze meses, entretanto destacaram que é importante a presença da escolta e o caminhão ser monitorado via satélite como forma de prevenir o roubo.
Para o delegado Inácio Rodrigues de Lima Neto, da Delegacia Regional de Pau dos Ferros, a responsabilidade pelo trabalho preventivo nas rodovias estaduais e federais é de fato da Polícia Militar e Rodoviária Federal, no entanto, segundo ele, é preciso participação da sociedade. "Segurança pública é de responsabilidade de todos", destaca o delegado.
O inspetor Roberto Cabral, do Setor de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal, confirmou a redução dos assaltos. "Ano passado foram registradas seis ocorrências e neste ano só foram registradas três ocorrências, mas isto não quer dizer que vamos reduzir o trabalho. Estamos a todo vapor com a Operação Final de Ano desde o dia 11 e vamos até o dia 3 de janeiro", diz.
A Polícia Militar informou que o trabalho de prevenção das rodovias está sendo feito com a realização de rondas, especialmente nos horários de maior incidência de assaltos. Na região de Patu, além das rondas, também são realizadas barreiras nas rodovias, o que, segundo o comando da Polícia Militar, inibe a ação dos bandidos.