Oferta de crédito cresce 26,3% no RN
Publicação: 20 de Maro de 2010 às 00:00
A expansão da economia brasileira depois do período de crise econômica em todo o mundo fez com que as instituições financeiras do país aumentassem a oferta de crédito durante o segundo semestre de 2009. Confirmando esse movimento, apenas o Banco do Brasil (BB) registrou uma alta no crédito para consumo de 24% no Nordeste, ao longo de 2009, maior do que nas outras regiões. No Rio Grande do Norte, o incremento na carteira de pessoa física em relação a 2008 foi de 26,3%, encerrando o ano com um saldo de R$ 1,5 bilhão.
No estado, as principais formas de contratação de crédito por clientes pessoa física junto ao BB foram o crédito consignado e financiamento de veículos. Do total de R$ 1,5 bilhão da carteira, 50% ficaram concentrados no crédito consignado, que é o empréstimo com desconto das prestações diretamente na folha de pagamento do trabalhador, enquanto o financiamento de veículos representou 7%.
A distribuição desse crédito demonstra uma tendência de ampliação do acesso às famílias da classe C, cuja renda varia entre R$ 1.115 e R$ 4.807 por mês. Essa classe social concentrou 70% da carteira de crédito para pessoa física no RN, sendo 41% para pessoas com renda familiar de até R$ 2 mil e os outros 29% com rendimentos de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
Estudo
O crescimento da oferta de crédito foi constatado em um estudo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, no último trimestre do ano passado. De acordo com os dados do BC, o estoque das operações de crédito superiores a R$ 5 mil atingiu R$140 bilhões no Nordeste do Brasil, em novembro do ano passado, expandindo-se 5,4% em relação a agosto e 29,6% em um ano. O montante de novembro passado na região, representou 11,4% do total referente ao país.
O estudo aponta também que os empréstimos para pessoas físicas no Nordeste totalizaram R$ 63,1 bilhões, representando um crescimento de 6,3% no mês de novembro passado e de 25,3% em doze meses. Nos mesmos períodos, os contratados no segmento de pessoas jurídicas somaram R$77,3 bilhões, aumentando 4,7% no mês e 33,3%, em um ano.
Para o BC, a retomada da atividade econômica na região fica evidenciada com os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tendo totalizado R$19,1 bilhões entre janeiro e novembro do ano passado, o que corresponde a um aumento de 150,5%, em relação ao mesmo período de 2008.
"Crédito não é dinheiro grátis"
Com o crescimento na oferta de crédito, a falta de planejamento tem levado muitos brasileiros a enfrentar situações como ter o saldo bancário negativo, cheque especial estourado, cartão de crédito bloqueado e contas em atraso. O consultor financeiro e editor do site Dinheirama, Ricardo Pereira, diz que o endividamento, muitas vezes, ocorre pelas pessoas confundirem crédito com dinheiro grátis, não lembrando que após a compra com cartão a fatura será entregue e o consumidor precisará pagar aquela conta.
Pereira considera o aumento na oferta de crédito como um fato positivo para a economia do país. Entretanto, alerta que atualmente esse crédito está excessivamente caro, o que pode levar muitas pessoas a precisar de empréstimos para pagar dívidas que surgiram a partir do cartão de crédito ou do cheque especial, por exemplo.
Para evitar o endividamento, o consumidor precisa aprender a lidar com o crédito, passando a tomar atitudes como avaliar a cada compra se aquele valor está dentro do seu orçamento ou até mesmo começando a se programar para poupar e realizar o pagamento à vista, que normalmente faz com que seja oferecido um desconto no preço do produto. "A verdade é que a maior parte da população ainda não aprendeu a lidar com o crédito. Nossa cultura privilegia o consumo imediato, não o consciente", avalia Ricardo Pereira.
De acordo com o consultor, é essencial o planejamento das compras e os objetivos de curto, médio e longo prazo, sendo indispensável que as pessoas pensem no futuro. "Quando vivemos na base de conseguir as coisas pagando boletos, ficamos reféns do consumo sem critério e do poder da mídia. Quem poupa aproveita oportunidades e não desperdiça seu dinheiro", afirma.