ONU diz que Irã concordou com inspeções em Teerã

Publicação: 23 de Maio de 2012 às 00:00 | Comentários: 0
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Viena, (AE) - O Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chegaram a um acordo que vai permitir que a agência, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) que monitora o uso da energia nuclear, reinicie sua investigação sobre as suspeitas de que Teerã estaria trabalhando secretamente num projeto para desenvolver armas nucleares, informou nesta terça-feira Yukiya Amano, diretor-geral da AIEA.
Ronald Zak/AP/AEYukiya Amano admitiu que ainda existem diferenças entre as partes, em alguns detalhes, mas disse acreditar no acordo.Yukiya Amano admitiu que ainda existem diferenças entre as partes, em alguns detalhes, mas disse acreditar no acordo.

A divulgação da informação por Amano, que voltou de Teerã nesta terça-feira, ocorre apenas um dia antes de uma reunião entre o Irã e as seis potências mundiais, que será realizada em Bagdá e pode representar uma virada significativa na disputa sobre as intenções nucleares iranianas. A informação de Amano foi recebida com ceticismo por Israel e pelos Estados Unidos.

Em comunicado publicado logo após o anúncio de Amano, o delegado chefe dos EUA para a AIEA, Robert A. Wood, disse que Washington aprecia os esforços do diretor-geral da agência, mas permanece “preocupada com a obrigação urgente do Irã tomar passos concretos para cooperar totalmente com os esforços de inspeção da AIEA, que serão baseados em vistorias práticas nos locais”. Já o governo de Israel levantou dúvidas sobre o acordo.

Estados Unidos, França, China, Rússia e Reino Unido, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, mais a Alemanha, esperam que as negociações resultem num acordo para que o Irã pare de enriquecer urânio num porcentual que pode rapidamente ser transformado no núcleo físsil de armas nucleares.

O Irã nega que pretenda construir armas e afirma que seus reatores nucleares são apenas para a geração de energia e para pesquisas médicas. Ao se comprometer com a investigação da AIEA, os negociadores iranianos em Bagdá podem argumentar que o ônus está agora com o outro lado, que deve mostrar mais flexibilidade e moderar suas exigências.

Embora a visita de Amano e as negociações em Bagdá sejam formalmente separadas, o Irã espera que o progresso com a AIEA possa melhorar suas chances de pressionar, na quarta-feira, os Estados Unidos e países europeus a reverter as sanções que têm atingido fortemente as exportações de petróleo iranianas e colocaram o país na lista negra da rede bancária internacional. Não está claro, porém, até onde os resultados alcançados por Amano poderão servir a este propósito, já que ele retornou da viagem sem que os dois lados assinassem um acordo

Após as conversações em Teerã entre Amano e o negociador-chefe iraniano Saeed Jalili, “a decisão foi tomada...de chegarmos a um acordo” sobre os mecanismos que darão à AIEA acesso a locais, cientistas e documentos que a agência precisa para reiniciar sua investigação, disse Amano aos jornalistas no aeroporto de Viena, após sua viagem de um dia a Teerã.

Amano disse que as diferenças persistem a respeito de “alguns detalhes”, sem dar maiores explicações sobre eles, mas afirmou que Jalili assegurou que elas “não serão um obstáculo para chegarmos a um acordo”. Ele falou sobre um “texto quase concluído” que será assinado em breve, embora ele não tenha dito quando isso vai acontecer.

Para Israel, governo iraniano quer apenas ganhar tempo

O governo de Israel levantou dúvidas sobre o acordo feito pelo Irã para abrir suas instalações nucleares a inspetores internacionais. Israel acredita que Teerã está desenvolvendo armas nucleares e usando as conversas com a comunidade internacional para ganhar tempo.

O Irã alega que seu programa nuclear possui fins pacíficos. Uma autoridade israelense, sob condição de anonimato, afirmou que o governo está “bastante cético” sobre o anúncio desta terça-feira A mesma autoridade alertou as seis potências contra a “fraqueza” na rodada de negociações que começa amanhã em Bagdá com o Irã.

Já o Irã anunciou nesta terça-feira que está carregando um reator nuclear com urânio enriquecido no país a 20%, ressaltando o progresso que teria obtido às vésperas da negociação. O comunicado foi feito pela Organização de Energia Atômica do Irã. O reator carregado foi o de Teerã, que o país afirma usar para pesquisas médicas.



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