Um é o típico bicho da cidade grande, antenado em tudo que o mundo ecoa através da internet e da televisão; o outro é bicho do mato - no bom sentido - estudioso e admirador da cultura interiorana do Nordeste, do matuto e da sua sabedoria cheia de malícia. Dois artistas diferentes com alguma coisa em comum: o senso de humor afiado. O poeta e escritor paraibano Jessier Quirino e o músico e comediante carioca Marcelo Adnet são os nomes que prometem fazer muita gente rir neste fim de semana, no palco do Teatro Riachuelo. Jessier vem no sábado, em sessões às 19h e 21h, solo, sem acompanhamento musical, para mostrar mais uma vez como ele "doma" as palavras com todo o sotaque nordestino que lhe é peculiar. Já Marcelo Adnet, nome do momento na comédia brasileira, fará uma apresentação 'stand up' onde mostra, pela primeira vez em Natal, o misto de talento e carisma que fez dele uma das estrelas do momento. Não importa o sotaque, a geração ou o cenário. Para fazer rir, é preciso jogo de cintura.
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Campeão de audiência e acessos na internet, o multifacetado humorista Marcelo Adnet faz stand up para mostrar suas novas piadas e ótimas imitações
O humor na era da tv e da internet O sucesso de Marcelo Adnet parece algo instantâneo, passageiro, rápido demais para alguém que surgiu para a grande mídia há apenas três anos, via MTV. Acontece que o humorista, VJ, ator e músico é o típico fenômeno do seu tempo. Ele é fruto das visualizações no YouTube e dos links que se espalham rapidamente nos sites de relacionamentos. Obviamente, o talento do homem fez a diferença no mar de informações que se derrama todos os dias na rede. Adnet junta todas as suas qualidades como artista e comunicador, transformando-as em piadas e atuações que fazem todo mundo rir.
Adnet é craque em improvisações e imitações, a primeira faceta notada pelas pessoas que o conheceram na TV. Aliado a isso, o comediante tem antena para captar os assuntos do momento. Sejam notícias políticas, esportivas e sociais, ou o novo vídeo engraçadinho mais visualizado da internet. Tudo vira um 'causo' engraçado pelas mãos do humorista. E vários personagens viram porta-vozes dessas piadas, como José Wilker, Ana Carolina, Dercy Gonçalves, Sílvio Santos, Cid Moreira, Pedro Bial, Dinho Ouro Preto, Selton Mello, Arnaldo Jabor, entre outros. Eles declamam poesia ou cantam funk, conforme a situação. Filho do músico Chico Adnet, ele também utiliza suas habilidades musicais para dar mais fôlego às piadas.
Atualmente, suas graças podem ser vistas nos programas "Comédia MTV" (ao lado de grande elenco, incluindo a esposa Dani Calabresa), "Adnet na TV", um talk show ao vivo todas as quintas-feiras, e na nova temporada do "Rock Gol", onde tira onda de todos os clichês das narrações esportivas. Um pouco de tudo isso estará no palco do Teatro Riachuelo.
Apesar de a fama ter vindo através da televisão, Marcelo Adnet nasceu no palco. Sua carreira artística e humorística começou ainda na faculdade de Comunicação, quando um amigo e colega de curso, Fernando Caruso, o convidou para fazer uma peça de improviso, a "Z.É. - Zenas Emprovisadas", que na época procurava um quarto elemento. A estreia foi em 2003, e tornou Adnet conhecido no circuito de humor carioca. Até hoje esse espetáculo é realizado, ao lado Caruso, Gregório Duvivier e Rafael Quiroga (seu parceiro na MTV). A partir do sucesso da peça, Adnet passou a fazer pontas em programas da Globo, como o "Toma lá dá cá" e "A grande família"; no canal HBO, seriado "Mandrake", e episódios do "Cilada", no Multishow. No cinema, atuou no filme "Podecrer!".
Em 2008 Marcelo Adnet estreou no programa "15 Minutos", na MTV, e o sucesso em larga escala se mostrou de vez. O programa foi o maior sucesso de crítica e audiência no ano de 2008, conseguindo índices de audiência impressionantes para o canal. Passou a estrelar vários comerciais de grandes empresas. Em abril de 2010 estreou uma coluna, que sai aos sábados, no caderno de esportes do jornal O Globo. No teatro, além da "Z.É. - Zenas Emprovisadas", está em cartaz com o Comédia Ao Vivo com Dani Calabresa, Fabio Rabin e Luiz França no elenco fixo.
Serviço:Marcelo Adnet. Domingo, às 18h30 e 20h30, no Teatro Riachuelo. Entrada: R$ 80/40 (plateia, camarote, frisa) e R$ 70/35 (balcão). Vendas na Elementais (3213 2934).
Um poeta com humor alinhavado na métricaJessier Quirino está com "gosto de gás" para a sessão dupla de sábado no Teatro Riachuelo. Ou, como ele prefere dizer na sua poesia típica, "fungando limão de cheiro com os dentes no quaradouro". O arquiteto, poeta e matuto intelectual usa o pensamento popular nordestino para emocionar e fazer graça. Desta vez ele se apresentará solo, sem acompanhamento de uma banda, portanto, mais livre para deixar o verbo correr solto. "Vou até pedir licença ao público para mostrar coisas novas. É preciso renovar", afirma ele, com a ironia típica, em entrevista ao FIM DE SEMANA.
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Ao estilo dos menestreis, Jessier Quirino apresenta novo trabalho Berro novo, em que se apresenta sozinho, sem o auxílio da música
Jessier faz rir - e muito - em seus shows, mas não se define como humorista. Ele prefere ser chamado de poeta. "Eu me assumo como poeta, pois meu trabalho é político e livresco. O que eu apresento em cena é uma extensão da palavra escrita. Tudo que eu falo no palco ou nos livros envolve muita pesquisa, é um processo duro de produção; tem muito lirismo e saudosismo, e espetáculos de humor propriamente ditos não costumam ter esse viés", analisa.
Ao estilo dos menestreis que inspiraram os cantadores do Nordeste, Jessier Quirino chama a atenção por sua performance verbalizada cheia de personalidade. Um misto de presença de palco, memória extensa e varejo de histórias, que falam sobre poesia matuta cheia de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, além de causos, cocos, cantorias, músicas, piadas, e textos de nordestinidade apurada.
Desta vez Jessier dispensou a banda para poder prosear com mais liberdade. "Achei melhor vir solo, livre da rigidez dos músicos, que deixa tudo muito ensaiado. Dessa forma eu fico olho a olho com a plateia, solto como um peba na areia", brinca. Ela afirma que neste formato, fica mais fácil de trabalhar de novos contos e causos. "Acho meio chato quando as pessoas exigem que a gente repita sempre as mesmas coisas. Claro que há os clássicos, aqueles indispensáveis, mais é preciso aparecer novos clássicos para variar, não é?", afirma. Entre as toadas indispensáveis para o público, estão "Vou-me embora para o passado", "Paisagem do interior", "Agruras da grota d'água", "O matuto no cinema", "Comício em beco estreito", entre outras.
O poeta já foi chamado de "domador da palavra", um título que particularmente agradou a Jessier. "Um crítico usou a expressão e eu realmente achei que tem a ver com o que eu faço. Eu trabalho bastante com neologismos, brinco com as palavras do jeito que eu quero, e procuro causar surpresa com essas invenções. Essa forma de mudar as palavras já é uma marca da minha poesia", analisa. Indagado sobre como lida com apresentações fora do Nordeste, Jessier fala que é normalmente contratado para eventos empresarias a públicos dirigidos, ou seja, que sabem do que ele está falando.
Mesmo com o elemento saudosista sendo tão presente em seu trabalho, Jessier afirma que espaço para renovações e contrastes de ideias. "Apesar de meu contexto ser a exaltação aos valores do campo, cabem oposições entre passado e pretérito, cidade e interior, sempre com um elemento crítico. Estou sempre procurando expressões contemporâneas para poder usá-las do meu jeito. É essa liberdade poética que ajudar a renovar as coisas que digo e escrevo", diz. A matemática verbal de Jessier Quirino, rimada e lapidada, está sempre a favor do riso e da emoção.
Serviço:Jessier Quirino. Sábado, às 19h e 21h, no Teatro Riachuelo. Entrada: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Vendas na La Femme Lingerie (3646-3292).