Os melhores países do mundo
Publicação: 09 de Setembro de 2010 às 00:00
Daladier Pessoa Cunha Lima - Reitor da FARN
A revista Newsweek, edição de 30/08/2010, publicou interessante matéria sobre um ranking dos melhores países do mundo. Cinco fatores ligados ao bem-estar coletivo foram focados: educação, saúde, qualidade de vida, economia e estabilidade política, fazendo-se uma comparação entre cem países. O resultado só veio depois de vários meses de trabalho, que contou com a participação de um conselho de consultores de escol. Entre esses consultores, destacam-se: Joseph E. Stiglitz, Professor da Universidade Columbia e Prêmio Nobel de Economia; Byron Auguste, diretor do McKinsey Social Sector; Jody Heymann, Professor da McGill University, além de outros nomes de pessoas e de institutos aptos para esses tipos de pesquisa. Há o cuidado em afirmar que o estudo, como ocorre em quase todas as listas, não é perfeito, bem assim consta a informação do uso de dados referentes a 2008 e 2009, sem análise de números históricos. Sobressai o ranking geral, do primeiro ao centésimo lugar, mas encontram-se também subgrupos, nos quais os países são reunidos em função da população e da renda.
Em primeiro lugar, está a Finlândia, e, em centésimo, um país chamado Burkina Faso, do qual nunca ouvira falar. Nota-se que, entre os dez do início da lista, acham-se quatro países nórdicos e, os dez últimos, à exceção do Yemen, são todos africanos. Seguindo a Finlândia, pela ordem: Suíça, Suécia, Austrália, Luxemburgo, Noruega, Canadá, Holanda, Japão e Dinamarca. Os Estados Unidos não ficaram entre os top 10, mas estão no 11º lugar. A matéria da Newsweek, assinada por Rana Foroohar, comenta que os americanos não estão em situação tão difícil o quanto eles pensam. Diz também que pessoas, em vários lugares do mundo, irão encontrar algo para elogiar e algo para detestar nessa lista dos campeões de bem-estar do planeta. Algumas conclusões que já se sabiam foram ratificadas: os melhores países tendem a ser pequenos, ricos, seguros e frios. Porém, faz alusão de que há diferentes maneiras de se ver a classificação, bem como os critérios usados na pesquisa. A mim me chamou a atenção que a Nova Zelândia - 13º - esteja acima do Reino Unido - 14º -, e da França - 16º. Também fiquei surpreso em ver a Coreia do Sul no 15º lugar e Singapura no 20º, ambos bem situados. O Brasil é o número 48, vizinho da Jamaica e bem perto da Argentina, do México, da Turquia e da Rússia. A China ostenta o número 59, e a Índia 78. Espanha, Portugal e Grécia estão na casa dos 20, e o Chile, o melhor da América Latina, ficou no 30º lugar. Se a pesquisa para o ranking geral fosse feita apenas com os países mais populosos, o Japão seria o melhor país, seguido dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França. Nesse caso, o Brasil aparece em 8º lugar, uma posição de destaque.
A educação foi vista como fator essencial para o bom desempenho dos países. Olhando-se sob esse prisma, a Finlândia mantém-se no primeiro lugar, pois o país dispõe de um sistema educacional quase perfeito. Nesse campo, os destaques são também para Coreia do Sul, Canadá, Cingapura e Japão. Entre estes, a Coreia do Sul é o exemplo mais evidente do papel da educação no desenvolvimento social. Naquele país, as famílias têm um alto nível de compreensão da necessidade de prover o melhor ensino para os filhos, desde a pré-escola até a graduação. Em 1960, a Coreia do Sul se equiparava ao Afeganistão, em termos de desenvolvimento, diz a matéria. Hoje, é uma das nações mais ricas do mundo, devido ao foco que dirigiu para a educação.
A pesquisa da Newsweek mostra muitos outros pontos e agrega alguns artigos correlatos, entre eles um que faz crítica ao PIB como indicador das condições de vida em um país, além de citar Jacques Cousteau: "A verdadeira medida da prosperidade deveria ser baseada em largo entendimento do que é felicidade".