Há dois dias o Hospital Giselda Trigueiro iniciou uma triagem dos pacientes com suspeita de gripe, encaminhando os casos aparentemente mais simples aos pronto-atendimentos do Município. A medida foi necessária devido ao aumento da demanda de pessoas que ao enfrentarem qualquer dos sintomas da gripe suína (A H1N1) já procuravam diretamente a unidade. O encaminhamento não vem agradando muitos pacientes, que reclamam de circularem entre as unidades, sem conseguir atendimento.
Elisa Elsie
Hospital Giselda Trigueiro
"Estive na Cidade da Esperança e não tinha médico. Fui ao Hospital das Rocas (dos Pescadores), mas lá me disseram que só atendiam vítimas de facada e tiro, por isso vim para cá, esperar ser atendida", afirmou a estudante Maria Raquel Adelino, de 22 anos, enquanto aguardava na sala de espera do pronto-socorro do Giselda Trigueiro. Mesmo morando nas Quintas, portanto mais perto do Giselda, e com febre e tosse há três dias, ela teve de tomar um ônibus até a Cidade da Esperança, outro para as Rocas e um último de volta ao bairro.
Funcionários do hospital revelam que houve uma "pequena" redução da demanda, depois do início da triagem e do anúncio de que os pronto-atendimentos municipais receberiam parte dos pacientes com suspeita de Gripe Suína. Eles garantem, porém, que muitos dos encaminhados aos PAs terminam retornando, por falta de médicos. No Hospital dos Pescadores, a escala vem contemplando apenas um clínico no período diurno, quando o ideal seriam dois.
A administradora, Ana Celi da Costa, explicou que nem mesmo o início dos plantões eventuais foi suficiente para fechar toda a escala. Ainda restam 160 horas no mês, que deverão ser preenchidas, segundo o diretor Josenildo Barbosa, com a chegada de oito médicos de 20h, que já foram selecionados pela SMS e devem se apresentar até o final deste mês. Apesar das lacunas atuais, Ana Celi garante que os atendimentos vêm sendo feitos. "Quando há dois médicos ninguém volta para casa (sem consulta). Quando é um, é feita a classificação de risco."
Os casos de maior gravidade e urgência (classificados como vermelho, amarelo e alguns verdes) são atendidos, enquanto os pacientes ambulatoriais (classificação azul) são encaminhados às unidades de saúde. Os testes para confirmação de gripe H1N1, chamados de Swap, também passaram a ser realizados apenas nos casos mais característicos da doença.
Embora não se tenha percebido um aumento significativo da demanda, devido à triagem no Giselda Trigueiro, pelo menos uma paciente, na manhã de ontem, havia sido encaminhada do hospital estadual. "Passei no Giselda porque estou com dor no corpo, vômito e tontura há três dias, mas me mandaram vir para cá", lamenta a estudante Luzinete Alves. Moradora de Dix-sept Rosado, ela gastou R$ 15 no táxi que a levou às Rocas.
No Sandra Celeste, em Lagoa Nova, a situação era tranquila, uma vez que nenhuma criança com suspeita da gripe suína tinha sido encaminhada pelo Giselda Trigueiro e a escala está completa. "Contávamos com 27 médicos e recebemos mais quatro, dos quais dois já se apresentaram e os outros dois se apresentam na próxima semana", diz a diretora Telma Lúcia de Araújo. Com isso, a unidade terá três pediatras por turno.