Rafael Barbosa - repórter
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou ontem o envio de recursos federais da ordem de R$ 17,6 milhões, ainda este mês, para serem aplicados no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel – o maior de urgência e Emergência do Rio Grande do Norte. De início, são R$ 11 milhões por ano para a disponibilização de 118 leitos de retaguarda, R$ 3 milhões para reformas e compra de equipamentos, além de outros R$ 3,6 milhões para a criação do Núcleo de Acesso e Qualidade para o hospital. Trata-se de um departamento, com equipe de médicos e enfermeiros que terão o papel de visitar diariamente, várias vezes por dia, os pacientes que estão internados no pronto-socorro, para não permitir que eles permaneçam no hospital quando já deveriam ter recebido alta.
Padilha divulgou as medidas após visitar a unidade hospitalar para assinar o documento que inclui, oficialmente, O HWG no programa do Ministério da Saúde SOS Emergência e assegurou que o dinheiro vai começar a chegar aos RN ainda em março. A inclusão se dá pela situação caótica do hospital, que enfrenta problemas de estrutura que perduram por anos. O programa vai dar a possibilidade de melhoria no atendimento à população e reorganização do Walfredo Gurgel, a partir dos recursos disponibilizados pelo Governo Federal.
“Um hospital bastante lotado, com pacientes nos corredores”. O Ministro afirmou que este foi o cenário encontrado no Walfredo Gurgel no momento da visita. “Nós estamos acompanhando a situação e conhecemos o grau de lotação ao que já chegou a unidade”, afirmou o ministro, confirmando que havia quarenta pessoas nos corredores na manhã de ontem. “Nós viemos aqui justamente porque sabemos que esse hospital apresenta baixa qualidade no atendimento aos serviços do SUS”, pontuou.
Este problema recorrente da unidade foi priorizado pelo Ministério da Saúde, segundo ele. Os 118 novos leitos de retaguarda servirão para desafogar os corredores do maior hospital do Estado. “São exclusivos para dar continuidade ao tratamento de pacientes que aguardam nos corredores”, explicou o ministro. Segundo Alexandre Padilha, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) deve, até o final do mês de abril, abrir os primeiros 53 leitos de retaguarda em unidades da cidade.
Atualmente, o Walfredo conta com 260 leitos próprios e outros 56 de retaguarda, sendo 40 no Hospital Universitário Onofre Lopes e 16 no Hospital da Polícia Militar. O titular da pasta da saúde do governo federal também adiantou que haverá investimentos para informatizar o hospital, numa tentativa de controlar o tempo de espera e organizar a grade de horário dos médicos, enfermeiros e demais profissionais.
Para o Município de Natal, o ministro confirmou que será disponibilizada a quantia de R$ 150 mil, por mês, para a implementação e funcionamento do serviço de neurocirurgia pediátrica, que vai acontecer no Hospital Infantil Varela Santiago. Padilha destacou a importância de se definir quais os problemas de saúde que devem ser tratados no Walfredo Gurgel e quais podem ser resolvidos em outros hospitais do Estado e dos municípios. “O Walfredo é um hospital de urgência e emergência, mas atende casos de diversas naturezas que às vezes não condizem com suas especialidades”, pontuou. Ele afirmou, inclusive, que o Ministério da Saúde está disposto a disponibilizar mais recursos para o funcionamento das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), caso necessário. Isto porque o ministro acredita que, com as UPAs funcionando corretamente, a demanda encaminhada aos hospitais de maior porte vai cair de forma considerável.
Licitação do novo hospital será aberta em abril
O novo secretário de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, Luiz Roberto Fonseca, garantiu que o pronto-socorro do hospital de traumas do Estado vai ficar pronto até 2014. Segundo Fonseca, a licitação para a escolha da empresa que vai iniciar as obras de construção da unidade deve ser lançada em abril, e a estimativa é de que o hospital fique pronto até o início da Copa do Mundo 2014, em junho do próximo ano.
A governadora Rosalba Ciarlini disse que o hospital será construído na zona Oeste, no bairro do Planalto. Mas ainda não há definição quanto ao terreno onde o prédio será erguido. O projeto está previsto no Plano de Ações para os setores de Urgência e Emergência na Saúde do RN, em andamento desde o decreto de calamidade pública na saúde.
Com o crescimento da Região Metropolitana de Natal e a necessidade da construção de um novo hospital há mais 20 anos, o grande problema que a Saúde Pública Estadual enfrenta no dia a dia é o trauma. Na Região Metropolitana de Natal, que concentra 42% da nossa população, essa resposta é dada pelo Walfredo Gurgel e pelo Deoclécio Marques de Lucena. Quando o Walfredo Gurgel foi construído (1971), e entrou em operação (1973), quase quatro décadas atrás, Natal não tinha metade da população que tem hoje. Atualmente, a Grande Natal tem 1 milhão e 200 mil habitantes.
Segundo informações divulgadas pelo governo em dezembro do ano passado a unidade seria concebida no formato de Parceria Público Privada (PPP). A Unidade Hospitalar será especializada em Traumatologia adulto e infantil, ortopedia, neurologia e doenças cardiovasculares. Dividindo a demanda existente em trauma-ortopedia, com os hospitais Monsenhor Walfredo Gurgel e Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim. Inicialmente, em seu perfil estão previstos 222 leitos de internação, 60 leitos de UTI, 12 leitos de estabilização, 15 leitos de Hospital Dia e 10 salas de cirurgias. O novo hospital fará parte da Rede Hospitalar do Estado.
Luiz Roberto Fonseca também confirmou que a médica Maria de Fátima Pinheiro vai continuar na direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Maria de Fátima havia pedido a exoneração do cargo e chegou a afirmar que continuaria à frente da HWG somente até o Estado encontrar outra pessoa para assumir a direção. No entanto ela reviu a posição e, após pedido do secretário, resolveu continuar a gestão.
Memória
Macas do Samu no Walfredo
No dia 1º deste mês, pelo menos cinco ambulâncias do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) ficaram presas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel depois de levarem pacientes à unidade. Isso aconteceu porque as macas das ambulâncias foram emprestadas ao hospital, que não tinha onde manter as pessoas que chegaram. Este “empréstimo” de macas é recorrente, segundo os funcionários, e tem prejudicado o trabalho do Samu na região Metropolitana de Natal. Não há números oficiais que mensurem o problema, porém relatos de médicos e usuários do sistema revelam que, por causa das “macas presas”, pacientes em estado grave deixam, diariamente, de serem atendidos. A falta de leitos na maior unidade de atendimento de urgência e emergência do Estado gera ainda um problema de relacionamento entre os profissionais do Samu Natal e Metropolitano. Em alguns momentos, quando há liberação de macas, condutores e socorristas acabam promovendo uma disputa pelo objeto.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou ontem o envio de recursos federais da ordem de R$ 17,6 milhões, ainda este mês, para serem aplicados no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel – o maior de urgência e Emergência do Rio Grande do Norte. De início, são R$ 11 milhões por ano para a disponibilização de 118 leitos de retaguarda, R$ 3 milhões para reformas e compra de equipamentos, além de outros R$ 3,6 milhões para a criação do Núcleo de Acesso e Qualidade para o hospital. Trata-se de um departamento, com equipe de médicos e enfermeiros que terão o papel de visitar diariamente, várias vezes por dia, os pacientes que estão internados no pronto-socorro, para não permitir que eles permaneçam no hospital quando já deveriam ter recebido alta.
saiba mais
“Um hospital bastante lotado, com pacientes nos corredores”. O Ministro afirmou que este foi o cenário encontrado no Walfredo Gurgel no momento da visita. “Nós estamos acompanhando a situação e conhecemos o grau de lotação ao que já chegou a unidade”, afirmou o ministro, confirmando que havia quarenta pessoas nos corredores na manhã de ontem. “Nós viemos aqui justamente porque sabemos que esse hospital apresenta baixa qualidade no atendimento aos serviços do SUS”, pontuou.
Este problema recorrente da unidade foi priorizado pelo Ministério da Saúde, segundo ele. Os 118 novos leitos de retaguarda servirão para desafogar os corredores do maior hospital do Estado. “São exclusivos para dar continuidade ao tratamento de pacientes que aguardam nos corredores”, explicou o ministro. Segundo Alexandre Padilha, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) deve, até o final do mês de abril, abrir os primeiros 53 leitos de retaguarda em unidades da cidade.
Atualmente, o Walfredo conta com 260 leitos próprios e outros 56 de retaguarda, sendo 40 no Hospital Universitário Onofre Lopes e 16 no Hospital da Polícia Militar. O titular da pasta da saúde do governo federal também adiantou que haverá investimentos para informatizar o hospital, numa tentativa de controlar o tempo de espera e organizar a grade de horário dos médicos, enfermeiros e demais profissionais.
Para o Município de Natal, o ministro confirmou que será disponibilizada a quantia de R$ 150 mil, por mês, para a implementação e funcionamento do serviço de neurocirurgia pediátrica, que vai acontecer no Hospital Infantil Varela Santiago. Padilha destacou a importância de se definir quais os problemas de saúde que devem ser tratados no Walfredo Gurgel e quais podem ser resolvidos em outros hospitais do Estado e dos municípios. “O Walfredo é um hospital de urgência e emergência, mas atende casos de diversas naturezas que às vezes não condizem com suas especialidades”, pontuou. Ele afirmou, inclusive, que o Ministério da Saúde está disposto a disponibilizar mais recursos para o funcionamento das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), caso necessário. Isto porque o ministro acredita que, com as UPAs funcionando corretamente, a demanda encaminhada aos hospitais de maior porte vai cair de forma considerável.
Licitação do novo hospital será aberta em abril
O novo secretário de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, Luiz Roberto Fonseca, garantiu que o pronto-socorro do hospital de traumas do Estado vai ficar pronto até 2014. Segundo Fonseca, a licitação para a escolha da empresa que vai iniciar as obras de construção da unidade deve ser lançada em abril, e a estimativa é de que o hospital fique pronto até o início da Copa do Mundo 2014, em junho do próximo ano.
A governadora Rosalba Ciarlini disse que o hospital será construído na zona Oeste, no bairro do Planalto. Mas ainda não há definição quanto ao terreno onde o prédio será erguido. O projeto está previsto no Plano de Ações para os setores de Urgência e Emergência na Saúde do RN, em andamento desde o decreto de calamidade pública na saúde.
Com o crescimento da Região Metropolitana de Natal e a necessidade da construção de um novo hospital há mais 20 anos, o grande problema que a Saúde Pública Estadual enfrenta no dia a dia é o trauma. Na Região Metropolitana de Natal, que concentra 42% da nossa população, essa resposta é dada pelo Walfredo Gurgel e pelo Deoclécio Marques de Lucena. Quando o Walfredo Gurgel foi construído (1971), e entrou em operação (1973), quase quatro décadas atrás, Natal não tinha metade da população que tem hoje. Atualmente, a Grande Natal tem 1 milhão e 200 mil habitantes.
Segundo informações divulgadas pelo governo em dezembro do ano passado a unidade seria concebida no formato de Parceria Público Privada (PPP). A Unidade Hospitalar será especializada em Traumatologia adulto e infantil, ortopedia, neurologia e doenças cardiovasculares. Dividindo a demanda existente em trauma-ortopedia, com os hospitais Monsenhor Walfredo Gurgel e Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim. Inicialmente, em seu perfil estão previstos 222 leitos de internação, 60 leitos de UTI, 12 leitos de estabilização, 15 leitos de Hospital Dia e 10 salas de cirurgias. O novo hospital fará parte da Rede Hospitalar do Estado.
Luiz Roberto Fonseca também confirmou que a médica Maria de Fátima Pinheiro vai continuar na direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Maria de Fátima havia pedido a exoneração do cargo e chegou a afirmar que continuaria à frente da HWG somente até o Estado encontrar outra pessoa para assumir a direção. No entanto ela reviu a posição e, após pedido do secretário, resolveu continuar a gestão.
Memória
Macas do Samu no Walfredo
No dia 1º deste mês, pelo menos cinco ambulâncias do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) ficaram presas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel depois de levarem pacientes à unidade. Isso aconteceu porque as macas das ambulâncias foram emprestadas ao hospital, que não tinha onde manter as pessoas que chegaram. Este “empréstimo” de macas é recorrente, segundo os funcionários, e tem prejudicado o trabalho do Samu na região Metropolitana de Natal. Não há números oficiais que mensurem o problema, porém relatos de médicos e usuários do sistema revelam que, por causa das “macas presas”, pacientes em estado grave deixam, diariamente, de serem atendidos. A falta de leitos na maior unidade de atendimento de urgência e emergência do Estado gera ainda um problema de relacionamento entre os profissionais do Samu Natal e Metropolitano. Em alguns momentos, quando há liberação de macas, condutores e socorristas acabam promovendo uma disputa pelo objeto.