Rio (AE) - Uma falha operacional em um trem da concessionária SuperVia que operava no subúrbio do Rio gerou protestos na manhã de ontem. Um problema no sistema de frenagem da composição, que seguia do município de Queimados (Baixada Fluminense) para a Central do Brasil, levou à interrupção da viagem nas proximidades da estação Sampaio (zona norte), por volta das 7h10. Os passageiros foram obrigados a desembarcar na linha férrea, e uma locomotiva foi deslocada até o local para rebocar o veículo com defeito. Houve tumulto entre usuários do sistema e agentes da concessionária, e o Núcleo de Polícia Ferroviária (NPFer) foi acionado. Policiais foram apedrejados e alguns passageiros ficaram feridos. Os trens que utilizavam a mesma conexão foram impedidos de seguir viagem, e milhares de passageiros ficaram sem transporte.
carlos trindade/futura press/ae
O tumulto começou depois que os passageiros tiveram que desembarcar do trem quebrado
Por meio de nota, a SuperVia afirmou que "um grupo de passageiros ameaçou o maquinista, obrigando-o a seguir viagem até a Central do Brasil, impedindo desta forma que o procedimento fosse realizado com segurança". Durante o trajeto de quase 9 km entre as estações Sampaio e Central do Brasil, a locomotiva trafegou superlotada e com as portas abertas, e muitos passageiros realizaram a viagem do lado de fora dos vagões.
De acordo com a SuperVia, as estações Méier, Engenho Novo, Sampaio e Riachuelo foram fechadas por medida de segurança. A interrupção do serviço gerou protestos e confusão também em outras estações. Na estação Deodoro, foram registrados atos de vandalismo e painéis foram depredados. Na Central do Brasil, o tumulto levou comerciantes a fecharem as portas e o Batalhão de Choque foi acionado. Policiais utilizaram pistolas de choque elétrico e lançaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Um homem foi detido, acusado de furtar uma TV de LCD usada para divulgação de publicidade na estação.
Muitos passageiros reclamavam da falta de informações e por não conseguirem recuperar o dinheiro das passagens. Após a normalização do serviço, por volta das 10 horas, policiais militares e da Guarda Municipal permaneceram na Central do Brasil para evitar novos conflitos. Em nota, a concessionária afirmou que os usuários foram informados por meio do sistema de áudio nas estações sobre as condições operacionais do sistema, e que os passageiros prejudicados foram devidamente ressarcidos com vales-viagem.
Esse não é o primeiro incidente envolvendo os serviços prestados pela SuperVia, que inclui atrasos de trens, problemas de manutenção e carros lotados. Em abril de 2009, durante a greve dos ferroviários, agentes de controle da empresa agrediram passageiros na estação da Madureira. Os funcionários tentavam manter fechadas as portas da composição, lotada em decorrência da paralisação, e improvisaram chicotes utilizando a guia do apito, feita de náilon, distribuindo golpes aleatoriamente. Em dezembro do ano passado, o primeiro trem modernizado da nova frota da concessionária foi inaugurado com falhas. Na época, um problema no sistema de ar-condicionado forçou os passageiros, incluindo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, e o presidente da SuperVia, Carlos José Cunha, a trocarem de vagão.