Papo de calçada
Publicação: 22 de Abril de 2011 às 00:00
Fazendo hora para pegar a estrada, vou desfolhando os jornais e abrindo a internet. Fico sabendo, então, que a alcaidessa viajou para o exterior. A assessoria não informa o destino de Micarla. Se para a Europa - Paris, Viena, Bruxelas, Roma - ou para os Estados Unidos. Sabe-se que a alcaidessa gosta muito da Disneylândia. Ou coisas que tais. A prefeita viaja e por aqui nos restam o mosquito da dengue, o lixo nas ruas e calçadas, o caos no trânsito e a mediocridade oficial. É possível que no sábado da Aleluia a cidade saiba por onde anda a alcaidessa que, por sinal, aniversariou no final da semana passada. Fez festa na sua vivenda da praia de Búzios, segundo registrou, com a sutileza de sempre, o Jota Oliveira: "Dançante e alto astral, assim foi a noite de sexta nos domínios da prefeita (...) alto astral com muita descontração, reinaram com direito a requebros por conta do repertório de dez da Banda Uskaravelho, cativo da casa. Scotch, borbulhas e caips molharam as gargantas". Ah, os requebros municipais!
Abro o Estadão e leio a coluna de Luís Fernando Veríssimo:
- Os escritores antigos escreviam muito mais do que nós. Acho até que existia uma relação direta entre a dificuldade para escrever e a quantidade - e a qualidade - do que era escrito. Não há nada parecido, na era do e-mail, com o volume de correspondência dos escritores a pena que, além de manuscrever livros que pareciam monumentos, manuscreviam cartas que pareciam livros.
- Quanto mais fácil ficou escrever, menos os escritores escrevem. Os livros ficaram mais finos e a correspondência se reduziu a latidos digitais, breves mensagens utilitárias cheias de abreviaturas, "envia" e pronto. Já um George Bernard Shaw escrevia uma peça atrás da outra com introduções maiores do que as peças e ainda tinha tempo para escrever cartas para todo mundo. Geralmente xingando todo mundo, o que exigia mais tempo e palavras.
Volto às folhas locais. As colunas registram que o senador José Agripino Maia foi passar a Semana Santa em Miami. Como será mesmo a Semana Santa em Miami? Haveria a Procissão do Encontro, como bem lembrou Agnelo Alves, em sua coluna de ontem? O que é que Miami tem que atrai tanto os políticos brasileiros, principalmente nordestinos?
Não li nestes dias uma nota sequer de um político daqui subindo o Monte do Galo, em Carnaúba dos Dantas, para ver a encenação da Vida, Paixão e Morte de Cristo. Será que o espetáculo apresentado por artistas locais, seridoenses, ainda existe? A governadora Rosalba Ciarlini foi ver a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, Pernambuco. Atendia convite do governador Eduardo Campos, do PSB, o mesmo partido da ex-governadora Wilma de Faria que esta semana foi vista em Currais Novos.
Ana Maria Braga mostrou ontem em seu programa da Globo uma reportagem sobre Acari, para onde estou indo, no rumo da Fazenda Pinturas, do doutor Paulo Balá, que recebe derna de ontem o poeta Jussier Quirino. O programa foi legal, mas senti falta do Museu do Seridó e da arte de Dimas, o escultor que trabalha com o granito, a pedra do lugar, um dos maiores artistas do Nordeste.
Os saxofones de Cruzeta
Se o tempo der é factível que eu desça das Pinturas e pegue o caminho de Cruzeta, ao lado, onde acontece desde ontem, o II Festival de Saxofones da Cidade, invenção do maestro Humberto Carlos Dantas (Bembem) e de sua Associação Musical e Cultural do Rio Grande do Norte (Amusic). O festival vai até sábado. Além de concertos e recitais, realiza também palestras. Lá estão os professores e maestros Eugénio Graça, português das bandas de Aveiro e especialista em Latin Jazz, Luís Dantas, da Banda Sinfônica de Natal, e Paulo Roberto, graduado pela UFRN, ministrando aulas e palestras.
Um dos objetivos do festival é fundar a Orquestra se Saxofones do Rio Grande do Norte. Viva!
Chuva
Muita chuva no Seridó. Derna da noite de quinta-feira. No jogo do Coríntians e América (vitória do Coríntians) já chovia bem em Caicó. O açude Mundo Novo amanheceu sangrando. Há notícia de chuva de 180 milímetros no Sítio Pitombeiras, município de Caicó. Em Pau D'arco, no Acari, também 180. Jardim do Seridó e Cruzeta, 140, São João do Sabugi, 134, Jardim de Piranhas, 120, Serra Negra do Norte, 100. Dudu Melo telefona cedo e faz resenha das chuvas seridoenses. Na cidade de Acari, por exemplo, 125 milímetros. O açude de Cruzeta está sangrando.
Ontem, feriado, não saiu o boletim da Emparn. Mas em feriado também chove. Na Emparn, falta a informação. Natal amanheceu chovendo. À tarde, também.
Futebol
Charge perfeita de Leo Martins, no Estadão. O desenhado é Adriano: "Adriano: ruim de cabeça, doente do pé.
Livro
Marcado para o dia 15 de maio, na Livraria Siciliano, do Miduei (19 horas), o lançamento do livro do jornalista e professor Laurence Bittencourt, Por que não o que é nosso?. Sai com o selo da Editora Sol.
Lula
Deu na coluna de Ancelmo Gois, de O Globo:
- Lula fez desfeita. Escolhido paraninfo da formatura dos novos diplomatas do Itamaraty, não apareceu.
Na Aliança
Semana que vem, dia 27 (quarta-feira), tem na Aliança Francesa o Sarau Poético-Musical, o primeiro do ano. Você vai se reencontrar com o traço de Newton Navarro e o som de Diogo Guanabara. Fecha o firo com a poesia e a prosa de Yasmine Lemos e Blaise Cendrars.
Poesia
Chove na cidade, baixou a temperatura em Lagoa Seca. Alex Nascimento voltou a escrever poesia