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Natal, 04 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:12

Para ser um escritor

Publicação: 23 de Setembro de 2009 às 00:00
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DivulgaçãoRaimundo Carrero: Raimundo Carrero: "a primeira oficina do escritor é a leitura"
Michelle Ferret
- repórter

"Não precisa de inspiração nem de talento. Procure o Impulso e a Intuição, através de sua voz narrativa, e os exercícios lhe levarão à Técnica e à Pulsação, qualidades que são obrigatórias no ofício literário. Tenha paciência. Muita paciência. E, é claro, disciplina. O verdadeiro escritor precisa conhecer os caminhos que percorre. Escolha uma hora e um lugar para trabalhar. Todos os dias. Anotando, escrevendo, rasgando. Suando. Suando muito..." Assim, como a intimidade de quem conhece o destinatário, o  pernambucano Raimundo Carrero escreveu o convite destinado aos participantes da oficina  criação literária que será realizada no Festival Literário de Pipa, nos dias 25 e 26 de setembro.

Seu olhar ainda de menino - mesmo escondido pelos cabelos brancos - revela obras como "As sombrias ruínas da alma", "Os segredos da ficção", "A história de Bernarda Soledade", "A tigre do sertão" (1975), "As sementes do sol" (1981), "Maçã agreste" (1989) , "Sinfonia para vagabundos" (1992) e seu mais recente romance publicado Editora Record intitulado "A minha alma é irmã de Deus".

Seus escritos trazem informações indicando que a intuição tem grande importância na qualidade de um livro ; mas as técnicas ajudam na produção literária. Segundo o escritor, a primeira oficina de qualquer escritor é a leitura. "Deve ler muito, deve ler tudo. Mas precisa também, é claro, aprender as técnicas do seu ofício. Por isso existem as oficinas literárias. Podemos discutir as técnicas tradicionais e inventar outras, bem particulares, à maneira que escrevemos. Mesmo assim a técnica não substitui a intuição, que é a maior riqueza do escritor. A isso chamo de técnica intuitiva, que ajuda muito", contou Raimundo Carrero ao VIVER.
Ele que já ministrou oficinas para escritores importantes como o também pernambucano Marcelino Freire (autor de Angu de Sangue), vendedor do prêmio Jabuti e para Cici Araújo, que ganhou o Prêmio Pernambucano da Academia Pernambucana de Letras, Carrero guarda ainda segredos de viajante e de construtor de tijolos invisíveis dessa grande casa que é a literatura. "As conquistas de Cici e Marcelino Freire foram grandes emoções nessa trajetória das oficinas", disse o escritor.  Ver que as pessoas evoluem, escrevem coisas boas e ganham prêmios é muito forte", explicou o escritor.

Como é sua oficina? Qual o perfil e a idade para inscrição?
Raimundo Carrero: A oficina é sempre um campo aberto de estudos, de forma que qualquer pessoa, que goste de escrever, pode se matricular e acompanhar as aulas, inclusive em apostilas que são distribuídas sempre. Acho conveniente, porém, que o aluno tenha sempre mais de quinze anos porque ainda está em formação. Precisa estar amadurecido. Nas aulas discutimos autores clássicos e as técnicas que eles adotam para escrever. É através deles que criamos as nossas. Já publiquei dois livros sobre o assunto: "Os segredos da ficção", editora Agir, e "A preparação do escritor", pela editora Iluminuras.

Ensina-se a ser escritor?
A oficina procura ensinar as técnicas, mas um escritor precisa ter outros atributos. Sempre lembrando: A oficina é auxiliar, ela ajuda no aperfeiçoamento do trabalho.
 
O senhor está escrevendo algum livro agora? Como é teu processo criativo?
Neste momento estou apenas tomando nota, até porque acabo de publicar um romance pela Editora Record, e que se chama "A minha alma é irmã de Deus". Está tendo uma ótima repercussão. Para escrever um romance me armo de recortes de jornal ou revista, cola, papel e lápis. Depois que anoto tudo começo a escrever.

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