Partidos reagem à desistência de Aécio Neves
Publicação: 20 de Dezembro de 2009 às 16:03
ABr - A decisão do
governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de se afastar da disputa à
pré-candidatura pelo PSDB à Presidência da República mexeu com o
tabuleiro da sucessão nos partidos envolvidos diretamente na campanha
presidencial. O PSB, que tem o deputado Ciro Gomes (CE)
como pré-candidato, já prepara uma ofensiva no segundo maior colégio
eleitoral do país com o objetivo de melhorar a situação do parlamentar
nas pesquisas.
"Estamos convictos de que haverá uma reação de
parte da população que apostava na candidatura de Aécio Neves e, agora,
se sente novamente afastada das decisões da política nacional desde
1955", disse o vice-presidente nacional do PSB,
Roberto Amaral. Ele acrescentou que o partido já vem fazendo
"intervenções políticas e táticas" para ocupar ao máximo o espaço deixado por Aécio Neves em Minas Gerais.
No PSB, a avaliação
é de que dificilmente o governador aceite ser candidato a vice-presidente
numa eventual dobradinha com José Serra, governador de São Paulo.
Roberto Amaral acrescentou que, com a decisão anunciada na semana
passada, mesmo que Aécio Neves se integre à campanha de Serra, "não conseguirá desfazer a convicção de parte da população
que se sente desassistida e desamparada por ele".
Já
no PT, a palavra de ordem é prudência e o partido continuará a
trabalhar com dois cenários nas pesquisas de opinião até junho,
quando serão realizadas as convenções nacionais: uma com a candidatura
tucana de Aécio Neves e outra com a de José Serra. "Caso o Serra comece
a
ficar preocupado com o seu desempenho nas pesquisas e decida ser
candidato à reeleição por São Paulo, o PSDB, se conversar bem com o
Aécio, acredito que ele reveja sua posição e saia candidato", disse o
presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).
Outra estratégia para
alavancar a candidatura de Dilma Rousseff em Minas Gerais é trabalhar
ao máximo a formalização da coligação PT-PMDB no estado. Nesse sentido,
Berzoini afirmou que no início de março
os dois partidos se reunirão para analisar qual dos pré-candidatos ao
governo mineiro tem melhor condição de se eleger. O sonho do PT é
trabalhar uma aliança que possa unir os petistas Patrus Ananias e
Fernando Pimentel e os peemedebistas Hélio Costa e José Alencar, que
deixaria a Vice-Presidência para candidatar-se a uma vaga ao Senado.
Amigo
pessoal do governador de Minas, o ministro do Trabalho e representante
do PDT no governo, Carlos Lupi, avalia que só em março será possível
ter
um cenário claro sobre como caminhará o PSDB na sucessão presidencial.
"Não está nada definitivo. O Aécio deu um xeque-mate e não vejo, pelo
que tenho conversado com ele, a disposição de ser vice do governador
Serra. Ele vai esperar e, até março, se dedicar à campanha do Anastásia
[Antonio Augusto Anastásia, vice-governador] ao governo de Minas".
No PSDB, o movimento é para, a partir de janeiro,
tentar ao máximo um processo de aproximação entre José Serra e Aécio
Neves para tentar o que o partido chama de chapa "puro-sangue". A vice-presidente do partido,
Marisa Serrano (MS), ressaltou que caberá ao presidente tucano, Sérgio
Guerra (PE), conduzir pessoalmente esse processo, já que tem bom
trânsito com os dois e, por isso, "será a válvula mestra nessa
costura".
O DEM, aliado tradicional, apenas acompanha o
desenrolar da costura interna entre os tucanos. "Trabalhamos com uma
perspectiva de vitória. Não há, no partido, a ambição de indicar o
vice-presidente, mas de colaborar com a possibilidade real de elegermos
o presidente", afirmou o líder do partido no Senado, José Agripino Maia
(RN).