Fábio Fabrini
Agência Estado
Brasília (AE) - Relatório da Receita Federal enviado à CPI do Cachoeira mostra que o patrimônio de Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), se multiplicou por sete no primeiro ano da gestão do tucano. De acordo com o documento, a ex-servidora não apresentou renda suficiente para justificar a evolução de seus bens e investimentos. Eliane pediu demissão em maio, após a revelação de que trocava informações sobre operações policiais com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Conforme as escutas da Operação Monte Carlo, ela avisou o prefeito de Águas Lindas de Goiás, Geraldo Messias (PP), de que haveria uma busca policial em sua casa. A ex-servidora diz ter sido confundida com outra Eliane, mas, em seus relatórios, a PF a identifica com nome, sobrenome e CPF.
Com base nas declarações de Imposto de Renda (IR), a análise da Receita diz que Eliane informou, na declaração referente a 2010, bens e direitos no total de R$ 75,4 mil. No ano seguinte, quando passou a ocupar a chefia de gabinete de Perillo, o patrimônio alcançava R$ 570,4 mil. A Receita calculou variação patrimonial a descoberto de R$ 127,4 mil. Isso significa que os rendimentos informados não foram suficientes para cobrir o aumento dos bens e investimentos, somado às despesas, deduções e doações ocorridas no ano.
Em 2010, Eliane sustentou em sua declaração ter uma Hyundai Tucson, no valor de R$ 72 mil, e saldo em conta corrente de R$ 3,2 mil. Em 2011, o patrimônio aumentou graças à compra de um apartamento no Alto do Bueno, área nobre de Goiânia, com quatro suítes e 153 metros quadrados. A ex-chefe de gabinete declarou naquele ano já ter pago R$ 447,1 mil no negócio, cujo total era de R$ 587 mil.
Há divergências nas declarações de um ano para outro. Embora tenha declarado em 2010 bens e direitos de R$ 74,5 mil - valor levado em consideração pela Receita no cálculo da variação patrimonial -, no ano seguinte Eliane informou que em 2010 tinha, na verdade, patrimônio de R$ 309 mil, incluindo um apartamento de R$ 136 mil, vendido em 2010 mesmo, e prestações pagas do seu novo imóvel no Alto do Bueno (R$ 101 mil).
O advogado de Eliane, Luís Alexandre Rassi, negou evolução patrimonial a descoberto. Segundo ele, por um equívoco, sua cliente não informou, na declaração referente a 2010 e nas anteriores, um apartamento antigo, pois achava que só deveria fazê-lo quando obtivesse a escritura. Posteriormente, ao vendê-lo para a compra de um novo, soube que era necessário constar a propriedade do imóvel.
As informações integram pacote de sigilos fiscais quebrados pela CPI, que apura o envolvimento de Perillo e servidores do governo de Goiás com o grupo de Cachoeira. Além de Eliane, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, não declarou renda que justificasse seu aumento de patrimônio nos últimos quatro anos. Entre 2010 e 2011, o valor dos bens do governador dobraram.
Ex-tesoureiro não comprova renda
Brasília (AE) - Ex-tesoureiro de campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, não comprovou renda suficiente para justificar a evolução de seus bens e investimentos nos últimos quatro anos. A informação consta de relatório da Receita enviado à CPI do Cachoeira, ao qual o Grupo Estado teve acesso.
Suspeito de receber recursos do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e de operar caixa-2 para o tucano na corrida eleitoral de 2010, Rincón teve variação patrimonial a descoberto de R$ 185,4 mil em 2008, R$ 170 mil em 2009, R$ 228 mil em 2010 e R$ 143,5 mil em 2011. Em outras palavras, seus rendimentos foram menores que a soma de deduções, pagamentos, doações, despesas com cartão de crédito e o aumento de patrimônio declarados nesses anos.
Segundo a Receita, Rincón também apresentou gastos elevados com cartão de crédito, incompatíveis com sua renda. Em 2008, ele fez despesas de R$ 466,9 mil, mas declarou R$ 449 mil em rendimentos A diferença foi de 283,2 mil para R$ 132 mil em 2010; e de R$ 497,5 mil para R$ 319,8 mil em 2011.
As informações complicam ainda mais a situação de Rincón, que deve depor à CPI em 22 de agosto, após a volta do recesso parlamentar. O relatório aponta também movimentação financeira muito superior à renda. Em 2009, suas contas registraram créditos e débitos de R$ 2,2 milhões, ante rendimentos de R$ 440 mil. No ano seguinte, de campanha, os créditos foram de R$ 1,1 milhão e os débitos, de R$ 1,2 milhão, contra rendimentos de R$ 132 mil.
O patrimônio declarado do presidente da Agetop era de R$ 1,67 milhão em 2011, a maior parte referente a participações em cinco empresas. As investigações da Polícia Federal mostram que uma delas, a Rental Frota Distribuição e Logística, recebeu R$ 600 mil de Cachoeira em três parcelas, em julho e agosto do mesmo ano.
Em escutas da PF, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o contraventor diz se tratar de um empréstimo ao presidente da Agetop. O órgão do governo goiano é responsável pela gestão das obras, entre elas as da Delta Construções, suspeita de envolvimento no esquema investigado. Rincón, no entanto, alega que o repasse foi o pagamento pela venda de veículos, intermediada pelo ex-vereador em Goiânia e braço-direito do bicheiro, Wladimir Garcez.
O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou para a campanha de Perillo em 2010, aponta Rincón como uma das pessoas que o pagaram por serviços prestados com dinheiro de caixa dois, o que o presidente da Agetop também nega.
Agência Estado
Brasília (AE) - Relatório da Receita Federal enviado à CPI do Cachoeira mostra que o patrimônio de Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), se multiplicou por sete no primeiro ano da gestão do tucano. De acordo com o documento, a ex-servidora não apresentou renda suficiente para justificar a evolução de seus bens e investimentos. Eliane pediu demissão em maio, após a revelação de que trocava informações sobre operações policiais com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Conforme as escutas da Operação Monte Carlo, ela avisou o prefeito de Águas Lindas de Goiás, Geraldo Messias (PP), de que haveria uma busca policial em sua casa. A ex-servidora diz ter sido confundida com outra Eliane, mas, em seus relatórios, a PF a identifica com nome, sobrenome e CPF.
Wilson Dias
O tucano Marconi Perillo, governador de Goiás, é alvo de investigação da Polícia Federal e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
O tucano Marconi Perillo, governador de Goiás, é alvo de investigação da Polícia Federal e da Comissão Parlamentar Mista de InquéritoCom base nas declarações de Imposto de Renda (IR), a análise da Receita diz que Eliane informou, na declaração referente a 2010, bens e direitos no total de R$ 75,4 mil. No ano seguinte, quando passou a ocupar a chefia de gabinete de Perillo, o patrimônio alcançava R$ 570,4 mil. A Receita calculou variação patrimonial a descoberto de R$ 127,4 mil. Isso significa que os rendimentos informados não foram suficientes para cobrir o aumento dos bens e investimentos, somado às despesas, deduções e doações ocorridas no ano.
Em 2010, Eliane sustentou em sua declaração ter uma Hyundai Tucson, no valor de R$ 72 mil, e saldo em conta corrente de R$ 3,2 mil. Em 2011, o patrimônio aumentou graças à compra de um apartamento no Alto do Bueno, área nobre de Goiânia, com quatro suítes e 153 metros quadrados. A ex-chefe de gabinete declarou naquele ano já ter pago R$ 447,1 mil no negócio, cujo total era de R$ 587 mil.
Há divergências nas declarações de um ano para outro. Embora tenha declarado em 2010 bens e direitos de R$ 74,5 mil - valor levado em consideração pela Receita no cálculo da variação patrimonial -, no ano seguinte Eliane informou que em 2010 tinha, na verdade, patrimônio de R$ 309 mil, incluindo um apartamento de R$ 136 mil, vendido em 2010 mesmo, e prestações pagas do seu novo imóvel no Alto do Bueno (R$ 101 mil).
O advogado de Eliane, Luís Alexandre Rassi, negou evolução patrimonial a descoberto. Segundo ele, por um equívoco, sua cliente não informou, na declaração referente a 2010 e nas anteriores, um apartamento antigo, pois achava que só deveria fazê-lo quando obtivesse a escritura. Posteriormente, ao vendê-lo para a compra de um novo, soube que era necessário constar a propriedade do imóvel.
As informações integram pacote de sigilos fiscais quebrados pela CPI, que apura o envolvimento de Perillo e servidores do governo de Goiás com o grupo de Cachoeira. Além de Eliane, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, não declarou renda que justificasse seu aumento de patrimônio nos últimos quatro anos. Entre 2010 e 2011, o valor dos bens do governador dobraram.
Ex-tesoureiro não comprova renda
Brasília (AE) - Ex-tesoureiro de campanha do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, não comprovou renda suficiente para justificar a evolução de seus bens e investimentos nos últimos quatro anos. A informação consta de relatório da Receita enviado à CPI do Cachoeira, ao qual o Grupo Estado teve acesso.
Suspeito de receber recursos do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e de operar caixa-2 para o tucano na corrida eleitoral de 2010, Rincón teve variação patrimonial a descoberto de R$ 185,4 mil em 2008, R$ 170 mil em 2009, R$ 228 mil em 2010 e R$ 143,5 mil em 2011. Em outras palavras, seus rendimentos foram menores que a soma de deduções, pagamentos, doações, despesas com cartão de crédito e o aumento de patrimônio declarados nesses anos.
Segundo a Receita, Rincón também apresentou gastos elevados com cartão de crédito, incompatíveis com sua renda. Em 2008, ele fez despesas de R$ 466,9 mil, mas declarou R$ 449 mil em rendimentos A diferença foi de 283,2 mil para R$ 132 mil em 2010; e de R$ 497,5 mil para R$ 319,8 mil em 2011.
As informações complicam ainda mais a situação de Rincón, que deve depor à CPI em 22 de agosto, após a volta do recesso parlamentar. O relatório aponta também movimentação financeira muito superior à renda. Em 2009, suas contas registraram créditos e débitos de R$ 2,2 milhões, ante rendimentos de R$ 440 mil. No ano seguinte, de campanha, os créditos foram de R$ 1,1 milhão e os débitos, de R$ 1,2 milhão, contra rendimentos de R$ 132 mil.
O patrimônio declarado do presidente da Agetop era de R$ 1,67 milhão em 2011, a maior parte referente a participações em cinco empresas. As investigações da Polícia Federal mostram que uma delas, a Rental Frota Distribuição e Logística, recebeu R$ 600 mil de Cachoeira em três parcelas, em julho e agosto do mesmo ano.
Em escutas da PF, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o contraventor diz se tratar de um empréstimo ao presidente da Agetop. O órgão do governo goiano é responsável pela gestão das obras, entre elas as da Delta Construções, suspeita de envolvimento no esquema investigado. Rincón, no entanto, alega que o repasse foi o pagamento pela venda de veículos, intermediada pelo ex-vereador em Goiânia e braço-direito do bicheiro, Wladimir Garcez.
O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou para a campanha de Perillo em 2010, aponta Rincón como uma das pessoas que o pagaram por serviços prestados com dinheiro de caixa dois, o que o presidente da Agetop também nega.