Apesar de terem um quadro de funcionários mais enxuto do que as grandes, micro e pequenas empresas têm sido base importante para sustentar os números de geração de emprego no país. No Rio Grande do Norte, a situação é comprovada pelos números da escritório local do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae RN). Em maio, do saldo (diferença entre contratações e demissões) de 5.518 admissões com carteira assinada em todo o estado, as pequenas empresas - que possuem de 20 a 99 empregados - originaram 544 novos empregos, enquanto as grandes - a partir de 500 empregados - demitiram 3.021 funcionários a mais do que contrataram.
Rodrigo Sena
Com um quadro que varia entre 20 e 99 empregados, pequenos ajudaram a elevar números
O gerente da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae RN, Edwin Aldrin Januário da Silva, explica que, na realidade, as micro e pequenas empresas vêm se favorecendo do aquecimento da economia brasileira no pós-crise internacional. Ele lembra que durante a turbulência as pequenas empresas mantiveram a empregabilidade e seguraram a economia, principalmente os estabelecimentos com até quatro funcionários. "Mesmo no período mais crítico da crise, as pequenas não puderam demitir, porque já são muito enxutas e isso faria com que elas parassem de operar".
Entre os setores que puxaram o resultado, estão a construção civil, comércio e a indústria de transformação. Somente na primeira área, o geral de empresas do estado gerou 1.085 novas vagas. Outros dois segmentos que tiveram destaque na geração de emprego formal ao longo do mês de maio foram, de acordo com o Sebrae, o comércio e a indústria de transformação, que tiveram saldo de 841 e 803 admissões, respectivamente.
No caso da construção civil, o principal combustível é o Minha Casa Minha Vida (MCMV). "Não só as grandes construtoras estão desenvolvendo obras desse programa. A iniciativa está sendo muito boa também para as micro e pequenas empresas", comemora o superintendente do Sebrae RN, Zeca Melo.
Ainda dentro do cenário positivo criado pelo programa do governo federal, Edwin Aldrin acrescenta que o setor tem contratado mais, para dar vazão à grande demanda que existe no país, devido a um elevado déficit habitacional. A deficiência no número de casas é um dos motivos que vem provocando a grande procura por imóveis do MCMV, inclui não apenas os voltados a pessoas de baixa renda, uma vez que a facilidade no financiamento é atraente também para a classe média.
Crise
O gerente do Sebrae esclarece que esse aquecimento da construção civil é um movimento que já vem sendo percebido há cerca de seis anos, tendo apresentado um período de dificuldade, devido a crise internacional. Aldrin lembra que entre o final de 2008 e meados do ano passado, o setor sentiu bastante o baque, porque boa parte dos imóveis eram voltados ao estrangeiro. "Isso fez o valor do metro quadrado subir muito e, algumas vezes, ficava até inviável de ser comprado pela população potiguar. Mas após o período mais crítico da crise, as construtoras se viram obrigadas a voltar o interesse para o público local".