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Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 08:07

Perfume de Mulher: da liberdade ao desconhecido.

Publicação: 20 de Dezembro de 2011 às 10:11
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Nome: Wendell Marcel Alves da Costa

E-mail: marcell.wendell@hotmail.com



O encanto e o amor que o filme Perfume de Mulher reflete sobre a sociedade é mais que uma mera crítica, é uma valorização da paixão pela vida.



Como é de praxe, em tempos e tempos aparece bons atores, e um roteiro simples, que poderia se transformar em um clichêzão. O roteiro (do romance de Giovanni Arpino, e o roteiro legítimo de Bo Goldman) seguiria, senão fosse pelas mãos habilidosas de Martin Brest (direção), um drama pesado e amargo. Evidentemente, o filme saiu-se perfeitamente como um drama natural e forte, protagonizado, principalmente por Al Pacino (ele faz um personagem relativamente 'grosso', o Tenente-coronel Frank Slade, que, se não falasse, nunca se saberia que possuí uma deficiência visual; interpretando brilhantemente com coesão e legitimidade de qualquer deficiente), e por ponta, Chris O'Donnell, não é nenhum coadjuvante, e não brilha menos do que Al.



Os dois (Frank e Charlie) vivem uma verdadeira prova de reestruturação de situações e uma cumplicidade que se faz, ponto a ponto, diálogo a diálogo, elaborada e argumentada de forma rápida e métrica inteligente e bem-organizada numa viajem de auto-conhecimento (no caso, dos dois). Em todo o decorrer, uma amizade surge entre os dois, ainda não via-se nenhuma ligação de amizade ou semelhança com tal entre os dois. O filme trata com muito cuidado e de forma bela esse mundo obscuro (digo assim por causa da deficiência de Frank que é tratada, mesmo sendo de mentira, de forma parcial e respeitosa; Al Pacino cumpre com sua atividade e encanta e desencanta qualquer expectador com o seu drama e com toda a tensão que por vezes o filme propõe á ele). Esse drama em 1992 traz nos cinemas de todo o mundo uma estória que poderia ser igual a qualquer outra, mais que se torna diferente, especial, Al têm papel forte nessa parte (uma semelhança, em força e competência na atuação pode-se lembrar-se da magnífica atuação de Dustin Hoffman, em Rain Man).



Essa força que digo, na atuação quase que impecável de Al, lhe assegurou a estatueta de Melhor Ator (competiu com forças iguais ou até maiores como Clint Eastwood por Os Imperdoáveis e Robert Downey Jr. por Chaplin; mais por merecimento, Al era o mais provável para o ganho do Oscar). O filme teve outras indicações, mais não ganha nenhum. Outro ponto interessante do filme é uma fotografia bonita, aberta e clara; que guarda tempo á tempo uma ligação entre a paisagem, o escuro da casa, a introspectividade da casa de Frank e a exterioridade juvenil de Charlie(que aliás, é assegurada pelo claro, ou uma pequena abertura de luz). Essa falta de assimilação entre os dois personagens, de ínicio, provoca uma falta de ar, e até mesmo, por vezes, uma repentina raiva e surfoco por causa da falta de iluminação (até, entretanto, no comecinho do filme).



O longa ainda traz surpresas e indignações a respeito da deficiência de Frank, mais o filme dá voltas e com maestria, o diretor reverte situações que poderiam ficar por isso mesmo na vida comum. Uma verdadeira lição de vida, um ensinamente que dificilmente aparece na tela dos cinemas.



Há cada cena o protagonista Al se transforma, de forma comumente, em protagonista (que é impenetrável na maior parte do tempo) e antagonista (há cada ponto, ele sofre distúrbios bipolares; isso ocorre frequentemente com pessoas que sofrem com essa deficiência). Ele leva o filme do brilhantismo da vida, à obscuridade dela.



O filme Perfume de Mulher, apesar do título atraente e subordinado à mesmisse Hollywoodiana, ele é mais que mágico, é saborosamente atraente, deslocando sempre no diálogo uma ponta de sárcasmo e uma ironia sem fim. O surto de paixão e de rumor que o longa traz é lindo, mais sendo tão belo, ao ponto de permitir uma diferença entre a liderança e a clareza de um texto bem escrito, esse torna-se uma satisfatória e apaixonante viagem entre o auto-conhecimento e a saborosa vontade de viver.



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