Pescadores da Redinha aguardaram durante a manhã de hoje por representantes da Prefeitura Municipal para que pudessem discutir os graves problemas que a classe vem enfrentando nos últimos tempos. Secretários municipais foram convidados, mas não comparecerem. E os pescadores ficaram mais uma vez a ver navios.
Elisa Elsie
Pescadores deixam barcos na areia praia da Redinha
As dificuldades são muitas, mas desta vez o que mais vem tirando o sossego dos pescadores é a retirada dos ranchos que ficavam na beira da praia. Os trabalhadores utilizavam as pequenas estruturas para guardar os esquipamentos da pesca, como o arrastão, que molhado chega a pesar 200kg e o motor de rabeta, que pesa 25kg.
"Alguns pescadores moram longe da praia, como no Cruzeiro ou na comunidade da África e levar esses equipamentos nas costas não tem sido nada fácil", disse Rosângela Silva do Nascimento, presidente da Colônia dos Pescadores de Natal, que organizou a reunião de hoje. Ela conta que os ranchos foram desmontados há cerca de um mês.
Para os pescadores, o ideal é que fosse construído um grande galpão, que todos pudessem utilizar como apoio logístico para o desenvolvimento da pesca. "Desde a última gestão da prefeitura nós estamos pedindo isso e até agora, nada", disse a presidente da colônia. Os pescadores de outras regiões como Ponta Negra e Areia Preta sofrem com o mesmo problema.
Francisco Canindé Rocha começou a pescar com 13 anos de idade. Hoje com 46, sente na pele as dificuldades da profissão. "Com essa idade eu vou correr pra que lado?", questionou o trabalhador. Chico, como é conhecido diz que o mar já não oferece tantos peixes e a produção é mínima. "Fiz uns empréstimos e não sei se vai ter dinheiro para pagar. Não tem produção".
Elisa Elsie
Pescadores se reúnem na manhã de domingo para discutir a retirada dos ranchos da praia
Um outro fator que tem prejudicado os pescadores é a falta de peixes no rio Potengi, segundo eles, ainda reflexo do último desastre ambiental ocorrido na principal rio do Estado. Segundo eles, com a mortandade de dezenas de toneladas de peixes - cujas causas ainda são obscuras - o Potengi ainda não se recuperou e quem costumava sair do rio com 20kg do pescado, após a lida, hoje não tira mais que 2kg. "E o pessoal ainda quando vai comprar pergunta logo se é do Potengi. Porque ninguém quer comprar peixe de lá", diz Abraão da Silva, pescador de 44 anos.
A pesca predatória também atrapalha os pescadores que trabalham corretamente. Alguns deles, e empresas de pesca, estão usando um equipamento chamado de covo, uma armadilha que captura principalmente os peixes ainda enquanto filhotes. O que faz com que as guaiubas, por exemplo, não se desenvolvam, não chegando ao tamanho ideal para serem pescadas.
Os secretários convidados foram João Bastos, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) e Kalazans Bezerra, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). Segundo os pescadores, João já garantiu que se o colega da Semurb arranjasse o local, cederia o material para que o galpão fosse construído. E Kalazans deve receber a presidente da colônia amanhã à tarde.