Pesquisadores buscam dar razões para ventos fortes
Publicação: 17 de Março de 2010 às 00:00
Recentemente, o norte-rio-grandense tem experimentado eventos incomuns, em termos de clima e de tempo. O último foi o vendaval que atingiu a praia de Barra de Cunhaú na madrugada de segunda-feira (15). No dia 23 de fevereiro, Natal registrou índice extremo de radiação ultravioleta. E com isso vem a pergunta: o que está acontecendo com o clima?
O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Francisco Alexandre da Costa, disse que não é possível afirmar, o que provoca essas mudanças.
"Alguns indícios podem ser os responsáveis por essas mudanças. Um deles é o período de baixa atividade solar, pois não se sabe, com precisão, qual a influência desse efeito no clima. Um exemplo é que esse período deveria ser de baixa emissão de radiação solar, mas é o que não vem sendo observado nos últimos meses".
O doutor em meteorologia e professor do Departamento de Física da UFRN, Cláudio Moisés Santos e Silva também cita a La Ninã como outro fator que pode estar alterando o clima, não só no RN, mas em todo o Brasil e no mundo.
Segundo ele, a La Niña é uma força anti-climática global que, em virtude do aquecimento do oceano, provoca excesso de chuvas, como as que vem ocorrendo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas antes da ocorrência dessas chuvas acontece uma elevação da temperatura, que promove a evaporação das águas e depois as precipitações pluviométricas.
"Com isso, a tendência é que ocorram chuvas e ventos mais fortes como o que aconteceu em Barra de Cunhaú. Mas ainda não sabemos se há uma ligação entre esses fenômenos", disse Cláudio Moisés Santos e Silva. Além das dificuldades inerentes a atividade, um outro problema - que dificulta descobrir e prever os fatores que vem provocando esses fenômenos - é o fato de a UFRN ainda não possuir um laboratório para monitorar informações como temperatura, por exemplo.
"O Programa de Pós-Graduação em Ciências Climáticas é a primeira iniciativa da UFRN, estamos apenas na segunda semana de aula e ainda não nos aprofundamos no estudo de questões pertinente ao clima, oceano e meio ambiente. Também estamos esperando a liberação de uma verba da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para iniciar a construção do laboratório", disse Francisco Alexandre da Costa.
Segundo o professor, a verba (R$4 milhões) já foi aprovada e a previsão é que em dois anos a UFRN terá um laboratório para monitorar, coletar e prever fenômenos relacionados ao clima, oceano e meio ambiente.