Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 23°Natal - 23°

Brasil

Natal, 25 de Maio de 2012 | Atualizado às 08:47

Piso dos professores tem reajuste de 15,8%

Publicação: 25 de Fevereiro de 2011 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

Brasília - O Ministério da Educação (MEC) divulgou ontem o novo valor do piso nacional do magistério. O reajuste foi de 15,8%, elevando o piso de R$ 1.024 para R$ 1.187 para uma jornada semanal de 40 horas e vale para professores de educação básica da rede pública. O piso nacional do magistério foi estabelecido por lei em 2008, mas, segundo as entidades que representam a categoria, ainda é desrespeitado na maioria dos estados e municípios. Há ainda divergências sobre o cálculo do reajuste. De acordo com a legislação, o piso deve ser atualizado com base no percentual de crescimento do valor por aluno estabelecido pelo Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para matrículas dos primeiros anos do ensino fundamental urbano.

marcelo casalZiulkoski reabate argumentos do MEC e lembra que reajuste somente deveria vigorar em  abrilZiulkoski reabate argumentos do MEC e lembra que reajuste somente deveria vigorar em abril
Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o valor anunciado pelo MEC ficou abaixo das estimativas calculadas pela categoria, que revindica um mínimo de R$ 1.597, com aumento de 21%. "No nosso entendimento, a base de cálculo de reajuste usada pelo ministério está errada", afirma o presidente da entidade, Roberto Leão.

A lei que criou o piso também determina que estados e municípios que não conseguirem pagar aos professores o mínimo estabelecido receberão complementação da União. De acordo com o MEC, houve uma flexibilização das regras para que mais secretarias de Educação possam receber os repasses.

Para isso, eles precisam seguir alguns critérios, como aplicar 25% das receitas em educação, dispor de plano de carreira para o magistério aprovado em lei e demonstrar "cabalmente" o impacto do cumprimento do piso no orçamento do estado ou município. Segundo o MEC, há reserva de R$ 1 bilhão no Orçamento para suprir essa demanda.

Outro fator emperra o cumprimento da lei pelas secretarias de educação: desde 2008 está parada no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação impetrada por cinco governadores que questiona alguns dispositivos do projeto. O julgamento foi interrompido naquele ano por um pedido de vistas e não foi concluído. "Isso cria uma insegurança jurídica que só beneficia estados e municípios, mas não beneficia os professores e a educação. Enquanto a questão não é resolvida, prefeitos e governadores oportunistas se valem disso para não colocar nada em prática", critica Leão. A categoria prepara para abril uma grande mobilização pelo cumprimento da lei com eventos em todo o país.

Prefeitos

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, questiona o valor estabelecido pelo MEC, acusando o ministério de não estar seguindo a decisão da Advocacia Geral da União, que diz que o reajuste do piso teria de ser com base no valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) efetivamente realizado.

Segundo Ziulkoski, o reajuste do piso não deveria estar sendo feito agora, em fevereiro, mas apenas em abril, quando já se tem contabilizado o valor executado do Fundeb. Pelos seus cálculos, o valor do piso, hoje, deveria ser de R$ 994,00 e não R$ 1.024,00. "Se eles fixarem o piso agora e não em abril, incorrerão no mesmo erro do ano passado e prejudicarão inúmeros municípios", acrescentou. Ziulkoski lembrou ainda que estudos realizados pela confederação apontam que pelo menos nove estados não tem condições de pagar o piso mínimo dos professores, com cerca de 1.750 municípios.

O MEC rebate as queixas informando que o governo dobrou de 2003 até agora o repasse de recursos do Fundeb para os municípios, passando de R$ 37,5 bilhões para R$ 83,8 bilhões. Lembra ainda que este é apenas um dos itens porque o MEC repassa também, por exemplo, recursos do salário educação de saíram de R$ 3,8 bilhões em 2003 para R$ 6,6 bilhões, em 2010, fora as verbas para transporte e merenda escolar, entre outros.

Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

valfran.diniz@...25/02/2011 @ 11h24
Lamento o fato de humoristas serem os responsáveis pela educação em um país tão promissor como é o Brasil. Um professor com Licenciatura Plena e Pós-graduação recebe hoje no Estado do RN pouco mais de um mil reais. Se levarmos em conta que formamos todos os outros profissionais, que um soldado de polícia com o Ensino Médio já inicia ganhando o dobro (merecido), fica apenas a lamentação e a justificativa para o fato de continuarmos no terceiro ou quarto mundo. Nós educadores temos parcela nessa culpa. Vamos educar e politizar nossos alunos ou continuaremos como escória profissional.
joacildogalvo@...25/02/2011 @ 11h14
Os poderosos brigam, não se entendem e penalizam os professores, pois esse valor não chega ao nosso contracheque.
armando.aroeir@...25/02/2011 @ 09h44
o piso que nao sai do piso
amarildo.jorge@...25/02/2011 @ 09h42
Um gari ganha mais do que um professor com doutorado...
verasjalles@...25/02/2011 @ 09h44
O ato de ser favorável a rebaixar ainda mais o piso nacional dos professores de R$ 1.094,00 para R$ 994,00, demonstra que o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, não acredita na educação brasileira. E os que lhe seguem, são incapazes de enxergar o valor que se deve dar aos nossos professores . Todos sabemos que a educação é o que há de mais importante para o crescimento de um país e prova disso é a falta de profissionais especializados no mercado de trabalho. Estamos atravessando um bom momento econômico, mas isso em algum momento passará, como nos ensina a História. O mundo globalizado permite em questão de segundos o giro do dinheiro eletrônico de um continente ao outro; as fábricas também se mudam rapidamente em busca de benefícios melhores e logo a mão-de-obra fará o mesmo. Se não cuidarmos de nossa educação, os trabalhadores estrangeiros logo ocuparão os nossos melhores postos de trabalho!
thiagodeclaudiceia@...25/02/2011 @ 09h17
Já sabem o que Rosalba vai dizer, não é?!? rs
thiagodeclaudiceia@...25/02/2011 @ 07h46
A política de valorização dos professores do Brasil ainda está muito aquém do que é humano e necessário. Mas, de qualquer forma, é um avanço, ainda que pequeno. Mas me pergunto: Se há entes-sem-vergonha estaduais e municipais que se negam a pagar o antigo piso, imagine o novo...
maxhist@...25/02/2011 @ 00h47
Esse Ziulkoski sabe o que é enfrentar uma sala de aula com mais de 40 alunos, sem estrutura, num calor forte, com poucos recursos didáticos, com escolas inadequadas, como professores desmotivados, principalmente por estarem sempre estudando, é graduação, pós graduação, mestrado e até doutorado, para quê? Para morrer numa Escola assim, onde nem se ganha 2 salarios mininos por mês. Por favor Sr. Secretário, deixe seu salário de mais de 10 mil reais por mês e venha ser Professor. O mal da Educação é a incompetência e a esperteza de gestores públicos municipais e estaduais que desviam e embolsam as verbas milionárias do MEC e agora ficam com falácias que não podem pagar um salário digno a um profissional que é o pai de todas as profissões, uma vez que todos nós tivemos um Professor na vida.
Zealvesdesousa@...25/02/2011 @ 12h39
Os governantes, e eles são "espertos", devem começar a se preocupar em subestimar menos a população brasileira. Somos um povo mal educado, mas nem por isso aguentaremos por muito tempo mais, essa falta de respeito para conosco. Com a paz que nos é peculiar, aos pouos vamos adquirindo condições de brigarmos pacificamente pelos nossos direitos. Essa política, salarial e de aperfeiçoamento, de professores, tem que ser revista urgentemente. Chega do professor ser zero à esquerda, enquanto políticos colocam quantos zeros quizerem à direita dos seus salários!
paineto@...25/02/2011 @ 13h38
Sinceramente caros colegas, fazer mestrado e doutorado e continuar lecionando no estado e no município é uma tremenda acomodação e sadomasoquismo, pois uma universidade privada paga MUITO MAIS que a porcaria do estado e município. JAMAIS eu lecionaria em escola pública estadual e municipal depois de ter mestrado, imagina então tendo doutorado. Procurem as universidades privadas, se empenhem, sejam mais ambiciosos, não ANDEM PRA TRÁS lecionando na área pública.
miller.2000@...25/02/2011 @ 17h19
Onde está a valorização do restante do pessoal da educação ?, parece que o MEC se esqueceu ou desprezou os funcionários da educação que também trabalham o dia todo somente em uma única escola e nunca foram valorizados, este é o retrato da educação de nosso País. Lamentável a situação dos funcionários......
albtodias@...25/02/2011 @ 22h26
É lamentável assistir o tratamento dado pelo goveno federal, estadual e municipal aos professores. na mídia eles propagam comerciais destacando a importância dos professores na construção de uma sociedade mais digna e justa e nos gabinetes maculam a categoria com investimentos irrisórios. mas para eles os reajustes não tem limites, não oneram om país.
cleidiane.mendes@...25/02/2011 @ 23h48
Este piso salário é só fachada. Nenhum professor estadual, que eu saiba ganha. Primeiro que a maioria, por sobrevivência, trabalha em 02 (duas) escolas , ficando impossível as 40hs. Na reportagem de ontem no JH mostrou a realidade dos professores do DF e de PE. Totalmente opostas. Discrepância absoluta, como já havia dito, chegará um tempo que, fazer vestibular pra LICENCIATURAS será raro. Então, faltará professores. E aí vão valorizar a categoria.
gracadb@...28/02/2011 @ 22h50
É uma vergonha o descaso que se tem com a educação no nosso país... enquanto um professor concursado tem piso de R$ 1.187,00 (com resistência de alguns segmentos), um deputado Estadual (sem necessariamente ter escolarização) tem de um salário de R$ 20.000,00 , sendo que muitos deles (pagos com o dinheiro público) não defendem a classe trabalhadora , classe esta que contribui diretamente para o desenvolvimento da nossa nação. Como cidadã, repudio esse piso miserável.
Publicidade
Tribuna do Norte